Cientistas brasileiros criam vacina contra dependência de cocaína e crack

Inicialmente, a vacina criada por pesquisadores da UFMG será utilizada na prevenção do abuso de cocaína por crianças e adolescentes e na luta contra o crack.

Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) desenvolveu uma potente vacina contra a dependência química em cocaína que também pode ser estendida a indivíduos viciados em crack.

A droga sintetizada chega para enfrentar o enorme número de pessoas que consomem cocaína em nosso país, sobretudo nas capitais, como Belo Horizonte.

Pesquisas indicam a existência de 2 milhões de usuários (em torno de 1,75% da população adulta brasileira) – 29 mil só na capital mineira.

Para comparação, de acordo com o Escritório de Drogas e Crimes da Organização das Nações Unidas (ONU), a média mundial de adultos viciados é de 0,4% – cerca de 19 milhões de indivíduos.

Vacina para dependência química de cocaína e crack

A vacina estimula a produção de anticorpos contra a cocaína através de uma molécula que age no sistema imunológico.

Os anticorpos capturam a substância química antes dela chegar ao cérebro. No caminho, modificam sua forma e reduzem os efeitos, como a sensação de euforia que vem com a liberação da dopamina, responsável pelo prazer. Sem isso, a vontade de consumir a droga diminui consideravelmente.

De acordo com o professor Angelo de Fátima, do Departamento de Química Orgânica da UFMG, após a liberação, a vacina será utilizada inicialmente na prevenção do abuso de cocaína por crianças e adolescentes e na luta contra o crack.

Um composto semelhante vem sendo produzido pela Faculdade de Medicina Weill Cornell, em Nova York (EUA). Ele é feito com a própria cocaína e outras substâncias, mas diferente da sua versão brasileira, já está em fase de teste em humanos e não mostrou efeitos colaterais, apesar de ter apresentado uma duração limitada.

Via: Razões Para Acreditar

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UFPR arrecada mais de R$ 1,5 milhão para vacina 100% nacional contra Covid-19; veja como doar

A Campanha “Vacina UFPR” completa quatro meses de arrecadação para o desenvolvimento de uma vacina 100% nacional contra a covid-19 e outras doenças.

Até o momento, foram arrecadados mais R$ 1,5 milhão. Desse total, R$ 182 mil foram obtidos por meio de 1200 doações, sendo R$ 85 mil de um repasse realizado no final de outubro pelo Ministério Público do Trabalho no Paraná (MPT-PR).

O restante foi captado com financiamentos via Rede Vírus, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a recursos próprios da UFPR e aos do Governo do Estado do Paraná.

Há ainda uma parceria que está sendo formalizada com o Governo do Estado do Paraná, que disponibilizará em breve R$ 18 milhões para infraestrutura vinculada ao Programa de Imunizantes da UFPR.

A equipe responsável pelo desenvolvimento da vacina estima que sejam necessários R$ 76 milhões para a conclusão do programa, que envolve a aquisição de insumos, de infraestrutura e o pagamento de pessoal.

As pesquisas estão sendo realizadas em laboratórios do Setor de Ciências Biológicas. Foto: Marcos Solivan (Sucom/UFPR)

Com os recursos disponibilizados até agora, foi possível a contratação de dois bolsistas de doutorado e um de mestrado, que aumentaram a força de trabalho disponível para os estudos. “São profissionais altamente qualificados, que já têm conhecimento do trabalho em laboratórios e experiência em pesquisas na área”, explica o professor Emanuel Maltempi de Souza, que coordena o estudo sobre a vacina da UFPR. Além disso, o valor recebido foi utilizado também para a compra dos insumos necessários para os experimentos.

Novas proteínas

A técnica da vacina da UFPR consiste na produção de nanopartículas que imitam os antígenos do vírus e ativam o sistema imune contra a doença. A nanopartícula envolve uma preparação com uma proteína do vírus originada da bactéria Escherichia coli. Com essa solução, não é necessário o uso do vírus Sars-Cov2 para a produção da vacina.

Clique para ampliar: processo de produção das nanopartículas, da proteína recombinante e das nanopartículas funcionalizadas, que formam a vacina. Arte: Sarah Scholz Dias e Ana Carolina Costa (Sucom/UFPR)

A equipe iniciou os testes com outra proteína do vírus, dessa vez derivadas de células humanas. Por ser mais parecida com a proteína do coronavírus, ela pode propiciar uma reação mais eficiente contra a covid-19.

Essa preparação foi inoculada em camundongos. Os testes estão em andamento, porém, os resultados preliminares indicam que a proteína funciona na imunização dos animais. “Essa seria a nossa primeira opção vacinal, por ser mais próxima do vírus. Nossa perspectiva é que ela produza mais anticorpos, em relação aos testes já realizados com a proteína sintética vinda da bactéria”, explica o professor Emanuel.

Próximos passos

Esses testes fazem parte da fase pré-clínica e devem ser concluídos em breve. Assim, será possível solicitar à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a autorização para testes em humanos.

Para a conclusão dos testes pré-clínicos, é necessária a conclusão de alguns ensaios, conforme quadro abaixo:

De acordo com Souza, a equipe pretende iniciar o ensaio de neutralização ainda em 2021, nos laboratórios do Instituto Carlos Chagas (ICC), que possuem o nível de biossegurança necessário para manipulação de microrganismos patogênicos, como o SarsCov-2. Os testes com os anticorpos ocorrerão com os dois tipos de proteína (de bactéria e de células humanas).

Existe a previsão de que a UFPR também tenha, até o final de 2022, laboratórios próprios em que seja possível a manipulação dos vírus. “Isso será uma grande conquista para as pesquisas virológicas na universidade”, sintetiza o pesquisador.

Como doar

Para contribuir com a Vacina UFPR, basta doar qualquer valor, por depósito, transferência bancária para a conta da campanha ou usando chave Pix. Os valores são administrados pela Fundação da Universidade Federal do Paraná (Funpar).  Todo o recurso recebido de pessoas físicas e jurídicas irá para a conta do Programa de Imunizantes da UFPR e está disponível no Portal da Transparência da Funpar em até dois dias úteis.

No site vacina.ufpr.br, além da atualização dos valores captados, é possível acompanhar notícias sobre o andamento dos estudos com o imunizante.

O Superintendente de Parcerias e Inovação (SPIn) da UFPR, Helton José Alves destaca que “embora a estimativa de custo para o desenvolvimento da Vacina UFPR seja uma das menores dentre as iniciativas similares em andamento no Brasil, os recursos necessários para a execução do Programa são volumosos, sendo muito importante ampliar a mobilização envolvida na captação de recursos, para garantir que as pesquisas não parem”.

Souza ressalta que, sem o valor obtido até agora, não haveria avanços na pesquisa. “Sem essas doações, estaríamos parados. Se a gente tiver sucesso, acredito que essa doação irá reverter em ganhos à sociedade. Temos a intenção de que a fórmula da vacina seja transferida para produção a custo reduzido para a população brasileira”, conclui.

Pandemia mudou consumo de café, dizem especialistas do setor

O isolamento social durante a pandemia de covid-19 fez apreciadores de café aprenderem diferentes formas de reproduzir em casa a experiência de consumir cafés especiais em uma cafeteria, e esse é um hábito que veio para ficar. A previsão é de James T. McLaughlin Jr, presidente da companhia Intelligentsia Coffee, uma empresa americana focada na inovação em cafeterias e cafés especiais. O empresário participou hoje (10) da Semana Internacional do Café, em Belo Horizonte, e apresentou sua visão sobre os rumos do mercado cafeeiro americano e mundial.

Para McLaughlin Jr., a pandemia acelerou mudanças que eram inevitáveis, como o aumento da venda de café pela internet, e obrigou as marcas a se mexerem para criar formas de se conectar com um público que parou de ir no balcão da cafeteria, mas mergulhou nas técnicas de preparo da bebida.

“Essa é uma grande oportunidade. Consumidores bem educados, que sabem preparar o café, que são curiosos sobre cada café diferente que temos, são os mais leais consumidores que poderíamos ter”, disse James.

Com a flexibilização do isolamento social e a manutenção de um grande número de trabalhadores em home office, as cafeterias em áreas residenciais passaram a ter uma grande procura e essa é outra tendência que James acredita ser permanente. Uma terceira aposta do empresário é nos formatos de café mais convenientes e fáceis de preparar, desde que se preserve a qualidade de grãos especiais. 

“Não devemos temer a mudança, é preciso abraçá-la”, disse ele, que vê nas vendas pelas internet e plataformas digitais uma grande oportunidade de contar a história dos produtos, de uma forma que um barista não conseguiria fazer no balcão de uma cafeteria com uma fila de clientes.

Há maior ganho de espaço para os grãos de cafés especiais no médio e longo prazo – Valter Campanato/Agência Brasil

Mercado brasileiro

No mercado brasileiro, o especialista em bebidas Rodrigo Mattos, do Instituto de pesquisa Euromonitor, avalia que a queda no consumo de café aqui foi menor que em outros países porque o Brasil já tinha uma tradição forte de consumo de café em casa. 

Mattos vê um maior ganho de espaço para os grãos de cafés especiais no médio e longo prazo e acrescenta que cafés solúveis de melhor qualidade vivem uma expansão. 

“Apesar de a gente ter um mercado super dinâmico e maduro de café, ele ainda tem espaço de crescimento, tem espaço de inovação”.

Em um cenário de inflação e perda de poder de compra do consumidor, ele destaca que o consumo de grãos diferenciados sofreu um forte impacto em 2020 e 2021, e deve levar anos para se recuperar, enquanto o tradicional café torrado e moído teve seu espaço na cesta básica preservado em muitos lares.

“Isso prejudica um pouco o mercado de café, que estava se movimentando na onda de cafés especiais e de melhor qualidade”, avalia.

Maior do mundo

O pesquisador ressaltou que o mercado brasileiro é o maior do mundo, com uma participação de cerca de 14% no consumo mundial de café. “835 xícaras [por ano] é a média do consumo de uma pessoa no Brasil, e faz sentido quando a gente pensa em duas xícaras e um pouquinho por dia. Até 2025 isso deve ir para 1.050 xícaras, mostrando que tem espaço para crescimento”. 

A diretora executiva da Associação Brasileira de Cafés Especiais, Vanusia Nogueira, destacou que a pandemia interrompeu a expansão acelerada que o setor vivenciava, mas também trouxe novos pontos de vista sobre a atividade. 

“Estávamos todos a mil por hora no início do ano passado, conversando no mundo todo a respeito de um mercado de cafés especiais que estava definitivamente decolando. De repente, para tudo”, disse ela. “Os grandes pontos de convivência para saborear o café especial, que eram as cafeterias, os hotéis, os restaurantes, tudo isso fechado”.