Campina Grande do Sul ganha integração de transporte público com Curitiba

A vida de quem depende do transporte público para se locomover de Campina Grande do Sul a Curitiba passa a ficar mais fácil — e mais econômica — a partir de sábado (25). A rede de transporte do município passa a ser integrada à Capital a partir da linha Jardim Paulista – Fagundes Varela, que liga um dos bairros mais populosos da cidade à Linha Verde. A novidade é resultado de um novo convênio entre a Prefeitura de Curitiba e a Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec), que administra o transporte coletivo em 19 municípios.

O governador Carlos Massa Ratinho Junior definiu a medida como uma grande conquista para os moradores de Campina Grande do Sul. “Essa era uma reivindicação de muitos anos da população e da prefeitura por ser um custo muito grande para o trabalhador que precisava vir para Curitiba e vice-versa”, explicou.

Com a integração, usuários que se deslocam entre os dois municípios passam a pagar apenas uma passagem para o trecho, reduzindo os custos pela metade. Na prática, a ida e volta chegava a R$ 18,50 por dia, considerando as passagens de R$ 4,75 em Campina Grande do Sul e de R$ 4,50 em Curitiba. O valor diário passa, agora, a R$ 9,25 — gerando uma economia de cerca de R$ 200 ao mês para quem faz o deslocamento diariamente.

“O usuário passa a pagar, em vez de duas, apenas uma passagem por trecho. Isso diminui 50% do custo, o que faz sobrar mais dinheiro para outras despesas do dia a dia. É uma parceria muito boa”, acrescentou Ratinho Junior.

Ele também ressaltou que a linha vai contribuir para o deslocamento até o Hospital Angelina Caron, localizado em Campina Grande do Sul. O hospital tem mais de 2 mil pessoas na equipe de funcionários. Além disso, cerca de 400 mil atendimentos são realizados por ano, sendo a instituição de saúde que mais faz transplantes de órgãos no Estado.

O prefeito do município, Bihl Zanetti, reforçou que a principal vantagem é a economia de cada cidadão. “Muitas pessoas que usam transporte público da cidade trabalham em Curitiba. Elas vão economizar praticamente 50% do que gastam hoje. Só na região do Jardim Paulista temos uma população de cerca de 30 mil habitantes, dos quais cerca de 5 mil usuários vão usufruir da oportunidade de acesso à integração”, detalhou.

TRAJETO  A linha N01 parte do Terminal Metropolitano Jardim Paulista e chega até a Estação Tubo Fagundes Varela, no Bairro Alto, em Curitiba. Do ponto final, o usuário tem a possibilidade de fazer outras conexões com os sistemas de transporte da Capital e dos outros municípios da Região Metropolitana.

A linha é alimentada com três ônibus, com intervalos de 20 minutos nos horários de pico. A estimativa é de atender, inicialmente, um público de mil pessoas por dia. Além de Campina Grande do Sul, moradores de outros municípios próximos, como Quatro Barras e Colombo, também poderão ser beneficiados. A linha percorre um trecho total de aproximadamente 12 quilômetros.

Gilson Santos, presidente da Comec, confirma as vantagens que vêm com a integração. “A partir do momento em que a gente integra uma nova cidade, outros municípios que estão em seu entorno, e que eventualmente utilizam o transporte coletivo metropolitano, passam a ter a possibilidade de utilizar essa integração. É um ganho para toda a região, e uma importância que se dá aos trabalhadores que dependem do sistema”, destacou.

ÔNIBUS MULTIMODAL – Uma das inovações da atual gestão da Comec que possibilita a integração são os modelos de ônibus multimodais. Eles são equipados com dois tipos de porta: ao lado direito, ao nível do piso e, do esquerdo, em plataforma, com portas elevadas que atendem as estações-tubo curitibanas.

Para compensar o espaço utilizado para as portas extras, o modelo multimodal é mais extenso que o veículo padrão: são 13,2 metros de comprimento, contra 12 metros do modelo comum. “Os ônibus multimodais são uma ação da Diretoria de Transporte da Comec, que desde o início desta gestão tem trabalhado para trazer inovação, mais novidades e ações prioritárias para o sistema”, destacou o presidente da Comec.

EXPANSÃO – Campina Grande do Sul era um dos cinco municípios que integram a Comec e não tinham uma ligação direta com Curitiba. Atualmente, dos 19 contemplados pela instituição, apenas Balsa Nova, Agudos do Sul, Quitandinha e Mandirituba não são integrados à Capital.

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Após incêndio criminoso, Prefeitura de Campo Magro cancela festividades de Natal

A Prefeitura de Campo Magro, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), decidiu cancelar as festividades de Natal na cidade. A decisão foi tomada após o incêndio criminoso que atingiu o pátio da Secretaria de Obras na madrugada da última quinta-feira (2) e que provocou, segundo o Executivo, um prejuízo de R$ 7 milhões.

O comunicado da Prefeitura lamentou o ocorrido:

“É com muita tristeza que comunicamos que o evento de Natal foi cancelado, devido ao incêndio criminoso ocorrido na madrugada do dia 02/12 na Secretaria de Obras da Prefeitura”, publicou o Executivo nas redes sociais.

No incêndio, 13 veículos foram atingidos, além de outras máquinas da Prefeitura. A Polícia Civil segue investigando o caso. Um vigia chegou a ser rendido e foi utilizado um coquetel molotov para causar a combustão. A ação dos criminosos seria uma retaliação a uma operação policial que aconteceu no município. Os autores do incêndio também picharam a parede da prefeitura com a frase: “a Rona executa e o estado finge que não vê”.

Em três meses, 40 mil multas de radar são aplicadas em cidade da RMC e moradores protestam

Moradores de Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba, voltaram a reclamar nesta quinta-feira (25) dos radares instalados na cidade e o excesso de multas já registradas. Em um período de 90 dias, quase 40 mil multas de trânsito foram aplicadas, segundo o secretário de Urbanismo da cidade, coronel Lanes Prates.

Osmar Correia, morador de Fazenda Rio Grande há mais de 20 anos, reportou à Banda B sua indignação com o elevado número de multas recebidas por ele e outros moradores.

“Sempre dirigi por várias cidades e dentro da Região Metropolitana de Curitiba e nunca tive uma decepção tão grande com relação a multas de trânsito. Em 40 dias, eu recebi 6 multas em Fazenda Rio Grande”, iniciou ele.

Correia afirmou que as multas são aplicadas de forma irregular e que, assim como ele, outros milhares de cidadãos têm reivindicado mudanças no sistema de radares e entrado com recursos contra a prefeitura.

“A situação dos radares aqui na cidade está um caos. Precisamos que elas sejam canceladas”, protestou.

Já o policial militar Francisco Monteiro, que diz apenas trabalhar no município, explicou que já recebeu três multas em seu trajeto até o trabalho.

“Infelizmente sou um dos contemplados pela indignação em relação às multas e radares. Depois que recebi essas três multas, eu recorri. Apesar disso, eu tenho a plena consciência de que não passei nos radares da forma como mostram as multas”, disse, indignado.

O servidor da segurança pública também destacou que tem conhecimento sobre os perigos do trânsito e afirmou que é preciso haver melhores condições de sinalização na cidade, bem como conscientização.

“Eu tenho consciência de que não posso fazer do meu veículo um instrumento de morte, mas é preciso que haja um trabalho efetivo de conscientização e sinalização em Fazenda Rio Grande”, concluiu.

O que diz a prefeitura

Procurado pela Banda B, o secretário de Urbanismo de Fazenda Rio Grande, coronel Lanes Prates, respondeu ao questionamento sobre quais medidas a administração do município está tomando no que se refere às reclamações dos moradores.

“A prefeitura notificou a empresa de radares e decidiu não renovar o contrato com ela. Então, não haverá continuidade do serviço, apesar de os equipamentos continuarem em operação mesmo assim”, afirmou.

O contrato com a empresa responsável pelos radares no município chegou ao fim, após um ano. Os equipamentos deixaram de funcionar a meia-noite desta quinta-feira (25).

Sobre o elevado número de infrações registradas no período de 90 dias – mais de 30 mil –, o secretário demonstrou preocupação com o cenário, porém deu um diagnóstico.

“Vemos isso com muita preocupação porque os equipamentos mostram que os cidadãos de Fazenda Rio Grande estão dirigindo de forma errada, com excesso de velocidade. Neste período, já identificamos uma baixa sensível no número de acidentes e principalmente de mortes”, contou.

No entanto, Prates revelou que foram aplicados 39 mil autos de infração em três meses, e pouco mais de 2 mil recursos.

“A grande maioria, ao nosso ver, identificou que realmente praticou infração. Mas aquele cidadão que se sentiu prejudicado com as multas deve entrar com recurso para que analisemos individualmente o caso”, continuou.

O coronel também garantiu que a prefeitura irá analisar as reclamações sobre a possível falta de sinalização na cidade, porém frisou que “os radares têm alta precisão”.

Protesto

Há quase um mês, no dia 27 de outubro, moradores de Fazenda Rio Grande protestaram contra o excesso de multas aplicadas por radares na cidade. A manifestação foi encerrada em frente à casa do prefeito do município, Dr. Nassib (PSL).

“Todos os radares estão irregulares. Não tem como fazer esse tanto de multa em um mês”, disse o administrador de empresas Everson Pereira, durante o protesto.

Foto: Eliandro Santana/ Banda B

Conforme noticiado pela Banda B, Nassib determinou a realização de uma auditoria no sistema de fiscalização eletrônica da cidade.

Segundo nota enviada à Banda B à época, uma perícia técnica nos equipamentos seria feita para avaliar sua funcionalidade, verificar os critérios para definição dos locais de instalação de radares e recebimento dos recursos apresentados pela população contra notificações de infração.

Informações Banda B

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