Bolivianos Votam em Eleições Históricas Neste Domingo
Os eleitores bolivianos vão às urnas neste domingo (17) para escolher o presidente, o vice-presidente, senadores e deputados em um pleito que pode marcar o fim da hegemonia do partido Movimento ao Socialismo (MAS), que governou a Bolívia por quase 20 anos. O país se prepara para um novo ciclo político, que promete ser mais liberal.
Decisão entre Democracia e Autocracia
O economista e analista político boliviano Carlos Toranzo ressalta a importância da votação: “Nestas eleições, o país decidirá se quer continuar no caminho da autocracia ou se retomará o caminho da democracia”. Segundo ele, a atual administração concentrou poderes e enfraqueceu o Estado de Direito e a liberdade de expressão.
Raúl Peñaranda, analista político, acredita que a eleição representará uma mudança significativa: “Esperamos que a direita ou centro-direita que vencer represente um modelo democrático liberal, evitando um retorno a um ciclo conservador e autoritário”, afirmou.
Possível Segundo Turno e Disputa Acirrada
Pela primeira vez, a Bolívia pode ter um segundo turno, marcado para 19 de outubro. No entanto, a disputa não conta com extremismos políticos, concentrando-se na direita e na centro-direita. A maioria dos eleitores parece inclinada a escolher entre dois perfis liberais, em busca de soluções para a crise econômica que aflige o país.
Atualmente, a corrida eleitoral está entre o ex-presidente Jorge “Tuto” Quiroga, da Aliança Livre, e o empresário Samuel Doria Medina, da Aliança Unidade Nacional. As últimas pesquisas indicam um empate técnico, com Doria Medina Levar uma leve vantagem, apontando 22,3% contra 18% de Quiroga.
Os votos brancos e nulos representam 14,6% do total, enquanto 8,4% estão indecisos. Embora Andrónico Rodríguez, representante da esquerda, tenha suporte entre eleitores rurais indígenas, não deve conseguir avançar em uma possível disputa final.
Evo Morales e a Questão dos Votos Nulos
O ex-presidente Evo Morales, inelegível por decisão do Tribunal Constitucional, continua ativo politicamente. Recentemente, ele tem incentivado o voto nulo, declarando que, se vencê-lo, será uma vitória sua. No entanto, especialistas afirmam que a estratégia de Morales não deve ter um impacto significativo nas eleições.
Crise Econômica e Necessidade de Reformas
A Bolívia enfrenta uma grave crise econômica, caracterizada pela escassez de dólares e inflação alta. As reservas internacionais do país estão em queda, com apenas US$ 2,8 bilhões, comparados aos US$ 15 bilhões de 2014. A situação se agrava pela dependência das importações de alimentos e medicamentos, acompanhada de preços crescentes.
A inflação acumulada atinge 24,8% e a falta de produtos básicos afeta a população, que se vê obrigada a enfrentar um cenário de pobreza crescente, revertendo avanços alcançados na última década.
Desafios de Governabilidade
A governabilidade será um dos principais desafios para o próximo presidente. A Bolívia elegerá 36 senadores e 130 deputados, com previsões indicando uma presença minoritária da esquerda e uma maior representatividade de direita e centro-direita. A necessidade de formar alianças será crucial, especialmente considerando a fragmentação do Congresso.
Toranzo destaca: “Será um Parlamento que exigirá diálogo, diferente do modelo de imposição que marcou o ciclo que está se encerrando”. Tanto Tuto quanto Samuel deverão formar uma aliança, dada suas ideologias próximas e um histórico de colaboração.
Assim, a expectativa é que as eleições de 17 de agosto marquem uma nova trajetória para a Bolívia, refletindo o desejo popular por mudanças significativas no cenário político e econômico.
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