Atrás de neve, turistas arriscam viagem bate e volta a cidades da serra gaúcha

O dia seguinte à nevasca que atingiu Gramado, Canela e outros municípios da serra gaúcha amanheceu com telhados, carros, calçadas e vegetação ainda cobertos de branco, só começando a desaparecer no final da manhã desta quinta-feira (29).

A paisagem branca de inverno e a intensidade da neve fizeram com que moradores de outras cidades gaúchas arriscassem viagens bate e volta entre a gelada noite de quarta e a quinta de manhã para tentar a chance de conhecer a neve pela primeira vez.about:blankhttps://acdn.adnxs.com/dmp/async_usersync.html

A comerciante Adria Beck, 38, chegou a Gramado por volta das 3h desta quinta, com o marido, a filha e o genro, vindos de Esteio (cerca de 80 quilômetros), na região metropolitana de Porto Alegre, para tentar ver a neve ao vivo. Por volta das 8h30, eles já estavam voltando para casa porque precisavam trabalhar.

“Ficamos esperando a neve, no frio, mas ela não veio”, contou. “Somos frustrados porque tentamos em Urubici [SC] também e não deu. Mas a gente vai continuar tentando. A saga pela neve”, brincou.
Visitantes de Dois Irmãos e Viamão, as duas na região metropolitana da capital, também tentaram a sorte, mas acabaram se contentando em brincar com o gelo que ficou acumulado em cima dos carros e em tirar fotos em locais onde ele ainda aparecia pela manhã.

Para fotos ao lado dos termômetros de Gramado registrando temperatura negativa, uma fila de espera chegou a ser formada pelos turistas.

Um canteiro na via que liga Gramado à vizinha Canela, onde o gelo ainda era visível, também ficou disputado como cenário de fotos em família e selfies.

Deisi Zanon, 40, fisioterapeuta, fez um registro no local com o marido e as filhas. Ela é gaúcha, mas vive com a família em Barro do Bugres (MT), onde os termômetros costumam marcar 40°C, realidade muito longe da manhã gelada da serra gaúcha, que voltou a ter temperaturas abaixo de zero.

“Estamos adorando. Quando começou a neve, tínhamos acabado de chegar ao hotel. A gente esperou engrossar e veio aquela nevasca forte”, disse. “Todo mundo no final da noite estava escrevendo nos carros.”

A família já tinha a viagem planejada, quando a previsão ainda não era de frio tão intenso, mas foi surpreendida com a precipitação desta quarta. Eles já haviam conhecido a neve no Chile, mas dizem que em Gramado a sensação é de ainda mais frio, devido ao vento.

A mesma percepção teve o casal Suelen Bozzato, 39, e Jefferson Galvão, 43, que conhece bem o frio –os dois, advogados, são de Curitiba e estavam a trabalho em Porto Alegre, quando resolveram espichar uma visita à serra.

“A gente acordou com sensação de -5°C. É um frio mais úmido, mais gelado que o de Curitiba, aqui tem mais vento, então, a sensação é mais gélida”, afirmou ela.

O casal estava em um café colonial quando percebeu que outras pessoas filmavam algo. Era a neve, que chegou às 16h desta quarta e se tornou intensa três horas depois, segundo o casal.

“Algumas pessoas devem ter feito [bonecos de neve], dependendo do lugar onde estavam. A gente conseguiu reunir o gelo e fazer uma bola bem grande, do tamanho de uma bola de vôlei”, disse Galvão.

Rogério Sanches, 42, funcionário público de Campinas, tentou reunir a neve que acumulava em cima de um dos carros na noite de quarta e até tentou ensaiar um boneco de neve em miniatura. Ele e a esposa, Lúcia Batista, 47, também funcionária pública, ainda brincaram de jogar bolas feitas com o gelo um no outro.

O casal tinha a viagem programada saindo de Campinas para conhecer Gramado há cerca de um mês e foi pego de surpresa pela neve.

“Foi emocionante, eu sempre tive vontade de ver a neve, mas nunca imaginei que fosse ver no Brasil e numa viagem assim, programada de férias”, disse Lúcia. “Nunca peguei frio assim, não. A gente já foi para Campos do Jordão, Monte Verde [MG], mas igual aqui não. A temperatura mais baixa tinha sido 4°C”, disse o marido.

Em frente aos hotéis de Gramado, os estacionamentos pareciam lotados na manhã desta quinta-feira.

Por volta das 11h, algumas vias tinham tráfego intenso de veículos e o número de pessoas caminhando pela avenida Borges de Medeiros, a principal da cidade, onde ficam o palácio sede do Festival de Cinema de Gramado e a rua coberta, também era significativo.

Na semana passada, o governo do Rio Grande do Sul confirmou os primeiros casos da variante delta do novo coronavírus no estado, os dois moradores de Gramado. Hotéis estão autorizados a funcionar com capacidade de até 75% no município.

No caso de bares, restaurantes e similares, a ocupação permitida é de 70%, com distanciamento entre as mesas e outras medidas sanitárias. Recentemente, o horário de funcionamento foi ampliado, com a última entrada autorizada até 0h e saída à 1h.

“A gente vem numa crescente de dois meses já do movimento aumentando”, afirmou Daniel Vidal da Silva, subgerente de um restaurante na avenida principal.

Ele conta que listas de espera são comuns nos estabelecimentos da cidade, e que onde trabalha eles pedem que clientes coloquem a máscara quando levantam de suas mesas. “Às vezes acontece [de alguém reclamar], o pessoal se revolta e diz que não vai usar, mas como é regra a gente meio que força.”

Em geral, porém, os visitantes com quem a reportagem da Folha conversou nesta quinta pareciam tranquilos com a pandemia do novo coronavírus. Nas ruas, era frequente ver pessoas sem máscara.

Segundo Estael Sias, meteorologista da MetSul, nesta quinta já não há mais possibilidade de neve em território gaúcho porque o tempo está se formando e a neve, como uma precipitação, não ocorre sem nuvens.

“Amanhã [sexta] será o dia de menores marcas de temperatura e possivelmente com algum dado histórico no centro e Sul do país”, disse. “Porto Alegre teve hoje 3ºC, a menor do ano.”

Informações Banda B

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Saúde distribui cerca de 1 milhão de vacinas contra a covid-19

O Ministério da Saúde informou que conclui, nos próximos dias, a distribuição de cerca de 1 milhão de doses de vacinas contra a covid-19. O imunizante CoronaVac, segundo a pasta, já passou por todas as etapas de certificação necessárias e chega aos estados pronto para utilização.

Um balanço da pasta mostra que, desde o início da campanha de vacinação, cerca de 520 milhões de doses foram enviadas aos estados e ao Distrito Federal. Os imunizantes são distribuídos de acordo com solicitação feita pelas secretarias estaduais de Saúde, responsáveis por direcionar as vacinas aos municípios.

Até o momento, de acordo com o ministério, 483 milhões de doses foram aplicadas e 166 milhões de pessoas estão com o esquema vacinal completo – duas doses ou dose única-, o que equivale a 78% da população.

Por meio de nota, a pasta destacou que a média móvel de mortes por covid no país está no menor patamar desde abril de 2020.

“Para manter os índices em baixa, o Ministério da Saúde reforça a necessidade de todos os públicos elegíveis buscarem postos de vacinação para completar o calendário vacinal primário, além da aplicação das doses de reforço”,diz a nota.

Fonte: Veja a matéria no site da Agência Brasil

Em 2040, Brasil poderá ter carência de 235 mil professores, diz estudo

Uma pesquisa divulgada hoje (29) pelo Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp) mostra que até 2040 o Brasil poderá ter uma carência de 235 mil professores de educação básica. 

O estudo aponta para um crescente desinteresse, especialmente dos jovens, em seguir a carreira docente. Segundo o estudo, o crescimento no número de ingressantes em cursos de licenciatura foi menor do que no restante do ensino superior. De 2010 a 2020, houve um crescimento de 53,8% no ingresso em graduações que tem como carreira o ensino, enquanto nos demais cursos o aumento ficou em 76% no período.

O estudo aponta ainda o problema da evasão. Nos dez anos analisados, o percentual de estudantes que concluiu os cursos de licenciatura aumentou apenas 4,3%.

O levantamento foi feito a partir de dados disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que é vinculado ao Ministério da Educação. Ainda a partir dessa base de dados, a pesquisa mostra que o percentual de novos alunos em cursos de licenciatura com até 29 anos de idade caiu de 62,8%, em 2010, para 53%, em 2020.

Assim, a carreira vem registrando, segundo a pesquisa, um envelhecimento dos profissionais. Entre 2009 e 2021, o número de professores em início de carreira, com até 24 anos de idade, caiu de 116 mil para 67 mil, uma retração de 42,4%. Ao mesmo tempo, o percentual de docentes do ensino básico com 50 anos ou mais cresceu 109% no período.

A presidente do Semesp, Lúcia Teixeira, destaca que a formação de professores com mais de 29 anos não significa, necessariamente, a entrada de novos professores na carreira. Segundo ela, esses profissionais são, na maioria das vezes, pessoas que já trabalham na área. “Isso acontece em razão da lei que obriga o professor em exercício a ter formação mínima na área de pedagogia ou em licenciaturas para o magistério na educação básica”, explica.

Cursos

Algumas carreiras estão em situação mais delicada do que outras. A pesquisa mostra que caiu em 21,3% o número de alunos que concluiu o curso de licenciatura em biologia entre 2016 e 2020. Em química, a redução ficou em 12,8% no período e, em letras, 10,1%.

De acordo com a pesquisa, o número total de docentes da educação básica está estabilizado em cerca de 2,2 milhões desde 2014, após ter tido um crescimento de 10,8% em comparação com 2009. Esses professores atendem uma população de aproximadamente 44,6 milhões de jovens com idade entre 3 e 17 anos.

A projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é que, em 2040, o Brasil tenha cerca de 40 milhões de jovens nessa faixa etária. Para manter a proporção atual de professores e alunos, seria necessário ter 1,97 milhão de docentes. No entanto, o estudo projeta, a partir das taxas observadas até 2021, que o país chegue a esse momento com apenas 1,74 milhão de professores.

Desinteresse

Professor dá aula em Manaus

Professor dá aula em Manaus – Caminhos da Reportagem/Arquivo TV Brasil

Entre os fatores que levam ao afastamento dos jovens da carreira de professor, o estudo destaca a baixa remuneração. Em 2020, os professores do ensino médio recebiam, em média, R$ 5,4 mil por mês, o que representa 82% da renda média das pessoas empregadas com ensino superior (R$ 6,5 mil).

Além disso, o estudo aponta para “o abandono da profissão devido às condições de trabalho precárias, como infraestrutura ruim de algumas escolas, falta de equipamentos e materiais de apoio, violência na sala de aula e problemas de saúde, agravados com a pandemia de covid-19”.

Fonte: Veja a matéria no site da Agência Brasil