Adultos também precisam de diversas vacinas

Vacina não é um cuidado para se ter apenas com crianças e idosos. É fundamental que adultos também mantenham o calendário vacinal em dia para o controle de doenças endêmicas (que podem voltar de tempos em tempos), como os casos recentes de sarampo e febre-amarela. 

A recomendação do Ministério da Saúde é que adultos não deixem de atualizar sua carteira de vacinação, compareçam ao posto de saúde mais próximo e se certifiquem de que estão com as imunizações em dia. Em caso de dúvida, o indicado é conversar com um médico sobre o assunto.

Um indivíduo está suscetível a infecções por bactérias ou vírus em todas as fases da vida. Esses agentes infecciosos, quando não combatidos e prevenidos por meio de campanhas de vacinação, podem causar inúmeros problemas. 

Conforme dito à imprensa pelo infectologista Paulo Olzon, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), as vacinas contra bactérias são desenvolvidas para controlar surtos epidemiológicos. Já as contra vírus costumam ser aplicadas durante a vida toda, com algumas doses de reforço para garantir que a doença não retorne. 

Postos de saúde contam com imunizantes direcionados a cada grupo. Para adultos, o Ministério da Saúde orienta doses contra hepatite B, difteria e tétano, tríplice viral e febre-amarela. Já para idosos, a recomendação inclui hepatite B, difteria e tétano, pneumocócica 23-valente e influenza. Existem, ainda, os disponíveis em clínicas particulares fora da faixa etária oferecida pelo serviço público, como a vacina contra o HPV. 

Hepatite B

Segundo o Ministério da Saúde, a vacina contra a hepatite B é ministrada em três doses para pessoas que não foram imunizadas ao longo da infância ou que nunca tiveram a doença. É preciso tomar a segunda dose um mês depois  da primeira, e a terceira seis meses após a segunda.

Tríplice bacteriana: difteria, tétano e coqueluche

A vacina tríplice bacteriana, que atua contra difteria, tétano e coqueluche, é administrada durante a infância. Na adolescência e na vida adulta, é necessário receber o reforço com a vacina dupla (atuante contra difteria e tétano) a cada 10 anos.

Tríplice bacteriana na gestação

A vacina também é indicada para gestantes no último semestre da gravidez. A imunização deve ser feita em cada gestação, já que o intuito é proteger tanto a mãe quanto o bebê — que apenas completa sua imunização individual contra as doenças da tríplice depois dos seis meses de vida, quando toma a terceira dose da vacina DPT.

Tríplice viral: sarampo, caxumba e rubéola

A vacina tríplice viral, que age contra sarampo, caxumba e rubéola, também integra o caderno de vacinação infantil. Todavia, para aqueles que não a tomaram quando criança, é indicado receber a dose quando adulto.

O esquema vacinal funciona da seguinte forma: para pessoas de 20 a 29 anos, são indicadas duas doses com intervalo de 30 dias entre elas. Já para adultos de 30 a 59 anos, a recomendação é uma dose.

Gripe

A vacina contra o vírus influenza, causador da gripe, é disponibilizada para a população anualmente. É recomendado que todos sejam imunizados, exceto bebês com menos de 180 dias e indivíduos que tiveram alergia grave em relação às doses dos anos anteriores.

Covid-19

Atualmente, é indicado tomar três doses da vacina contra o coronavírus para completar o esquema vacinal. A aplicação da quarta dose tem acontecido gradualmente conforme a faixa etária. 

HPV

A imunização contra o HPV ou papilomavírus humano é disponibilizada para meninas e meninos de 9 a 14 anos e para pessoas de 9 até 26 anos, incluindo pessoas imunossuprimidas.

Em clínicas particulares, a vacina quadrivalente está disponível para meninas e mulheres de 9 a 45 anos e para meninos e homens de 9 a 26 anos. 

O esquema vacinal é composto por três doses. A segunda delas deve ser aplicada dois meses depois da primeira, e a terceira, seis meses após a primeira aplicação.

Herpes-zóster

A vacina contra herpes-zóster (popularmente conhecida como cobreiro) é licenciada em uma dose para indivíduos a partir dos 50 anos. O imunizante está disponível somente em serviços privados de vacinação.

Febre-amarela

A vacina contra a febre-amarela pode ser tomada em qualquer fase da vida adulta. Quem vai viajar para áreas onde existam muitos casos da doença deve se imunizar dez dias antes do embarque. 

A princípio, a vacina é aplicada em dose única. Pelo risco de falha vacinal, contudo, uma segunda dose pode ser recomendada dez anos depois da primeira.

Esse imunizante é contraindicado para gestantes e para quem estiver amamentando.

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Laboratório passa a disponibilizar testes para diagnóstico da Monkeypox no Paraná e em outros estados do Sul do Brasil

O Paraná e o Sul do Brasil têm registrado um aumento significativo nos casos de Monkeypox, também conhecida porvaríola dos macacos”. Para se ter ideia, só o Paraná confirmou dez novos casos da doença, segundo boletim divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde na primeira semana de setembro. Foram cinco novos casos em Curitiba, um em Cascavel, um em Londrina, dois em São José dos Pinhais e um em Maringá. O estado passou a somar 153 confirmações da doença em 16 cidades. Ainda de acordo com o boletim, são 145 homens e oito mulheres contaminados e contaminadas. As faixas etárias com mais registros são de 30 a 39 anos e 20 a 29 anos. A cidade com maior número de casos de varíola dos macacos é Curitiba, somando 115, seguida de muito longe por Paranaguá, com quatro casos, e São José dos Pinhais, com três. Araucária, Campo Largo, Colombo têm dois casos cada um.

No caso de Santa Catarina, houve um aumento de 30% de casos em apenas cinco dias. Até o começo de setembro, 115 casos da doença já foram confirmados. No Rio Grande do Sul, o Centro Estadual de Vigilância de Saúde do Estado confirmou, também no começo de setembro, um total de 120 casos de Monkeypox. Outros 358 casos suspeitos também estão em investigação. Em Porto Alegre, o total de casos chegou a 61, seguido por Canoas, com 10. Todos estão distribuídos em 28 municípios gaúchos.

No dia 20 de setembro, a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou o primeiro teste para o diagnóstico da Monkeypox no Brasil. O produto é o kit molecular Bio-Manguinhos, fabricado pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), que detecta as regiões genômicas dos vírus da Orthopox, Monkeypox e Varicella Zoster. Porém, a capacidade de distribuição deste kit no país ainda está sendo avaliada. 

A baixa quantidade de exames que sejam capazes de identificar o Monkeypox, faz com que as pessoas busquem diagnósticos diferenciais, que são realizados através de testes para diagnóstico de outras doenças para que seja descartado o vírus. A análise clínica, em alguns casos, pode relacionar os sintomas apresentados pelos pacientes a outras doenças, como varicela, sarampo, infecções bacterianas da pele, escabiose (sarna), sífilis e reações alérgicas, o que dificulta o diagnóstico preciso.

A novidade é que o ID8 – Inovação em Diagnóstico disponibiliza a laboratórios do estado do Paraná e de outros estados do Brasil, métodos moleculares para o diagnóstico da doença, que se revela como a alternativa mais segura para o diagnóstico assertivo.

A partir do diagnóstico correto, a atenção clínica pode ser otimizada para aliviar ao máximo os sintomas, manejando as complicações e prevenindo as sequelas em longo prazo. Os sintomas do vírus podem incluir lesões na pele, febre, dor no corpo, dor de cabeça, entre outros. Segundo o Ministério da Saúde, os sinais duram de duas a quatro semanas.

Rodrigo Faitta Chitolina, supervisor de laboratório e responsável técnico do ID8, explica que o diagnóstico realizado pelo laboratório é por PCR em tempo real, considerada a técnica padrão ouro para a detecção de vírus. 

“O exame do iD8 Diagnóstico realiza a detecção viral do Monkeypox pela amplificação de uma região conservada dos genes G2R (que detecta as linhagens do vírus do grupo da África Ocidental) e F3L (que detecta as linhagens do vírus pertencentes ao grupo da Bacia do Congo). Essa detecção específica permite dirimir as dúvidas quanto a possíveis infecções de outros patógenos com sintomatologia semelhante, como é o caso da Herpes Simplex 1 e 2 e Varicela Zoster”, explica Chitolina.

O exame disponível no ID8 se trata de uma metodologia de PCR em tempo real, metodologia que é recomendada pelas principais instituições e órgãos da saúde (OPA, WHO e Ministério da Saúde) como sendo a metodologia adequada para realização do diagnóstico. Além disso, o exame permite a detecção do vírus por amostras de swab de lesão/vesícula, que é a amostra principal no que concerne ao diagnóstico da  doença. Ainda, para casos onde se demanda um diagnóstico diferencial, uma vez que, o vírus pode ser confundido com outras doenças como sífilis e herpes, se oferta coleta de amostra de swab orofaringe, para auxílio de diagnóstico.

Sobre a Monkeypox

A doença Monkeypox (MPX), também conhecida como “varíola dos macacos”, vem alertando autoridades sanitárias de diversos países a adotar ações precoces a fim de evitar um surto mundial. O último boletim divulgado pela Secretaria de Saúde do Paraná mostrou um aumento de 86% nos casos, reforçando o alerta sobre a transmissão do vírus.

O vírus causador da doença é estudado há décadas e já foi detectado em pelo menos onze países africanos desde os anos 1970. O primeiro caso no Brasil foi registrado em julho de 2022, em Minas Gerais, em um homem de 41 anos. Foi o primeiro fora da África registrado, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O nome da doença, entretanto, ainda gera grande confusão entre pessoas pouco informadas, que acreditam que os macacos são transmissores do vírus. Isso ocasiona o assassinato de muitos animais, que não transmitem a doença e são infectados e vitimados por ela, assim como os seres humanos. A transmissão da varíola ocorre de humanos para humanos, no caso de contato próximo com as lesões na pele da pessoa infectada, com secreções respiratórias ou objetos usados por quem está infectado. Em comunicado publicado no início de junho deste ano, a Sociedade Brasileira de Primatologia reforçou que a transmissão da doença não está associada aos primatas. Além de não transmitirem a doença, os macacos, na verdade, são sentinelas para a presença de zoonoses que possam impactar a saúde humana.

Saiba mais sobre a Monkeypox:

  •     O período de incubação, no qual a pessoa infectada é assintomática, é tipicamente de 6 a 16 dias, mas pode chegar a 21 dias. Inicialmente, eles incluem febre súbita, dor de cabeça, dores musculares, dores nas costas, calafrios e exaustão;
  •     Já a manifestação na pele, mais conhecida pela população, ocorre entre 1 e 3 dias após os sinais e sintomas iniciais. Quando aparecem, as lesões têm diâmetro de meio centímetro a um centímetro, e podem ser confundidas com varicela ou sífilis;
  •     A transmissão do vírus Monkeypox entre pessoas ocorre, principalmente, através do contato direto, seja por meio do beijo ou abraço, ou por feridas infecciosas, crostas ou fluidos corporais;
  •     Também pode haver transmissão por secreções respiratórias durante o contato pessoal prolongado. Até o momento, não se sabe se o Monkeypox pode ser transmitido através do sêmen ou fluidos vaginais;
  •     A detecção correta do vírus é o primeiro passo para evitar a propagação e interromper as cadeias de transmissão.

 Sobre o ID8 – Inovação em Diagnóstico

Um laboratório de apoio focado no diagnóstico molecular com entrega rápida, oferecendo resultados em poucas horas após o recebimento da amostra, com um fluxo de trabalho operacional os sete dias da semana. Os serviços vão além do diagnóstico. Metodologias simples e ágeis que reduzem consideravelmente o tempo de entrega do resultado, possibilitando ao paciente a chance de um tratamento mais assertivo e direcionado. Saiba mais em: www.id8diagnostico.com.br.

Como o cabelo afeta a autoestima de quem está com câncer

Receber um diagnóstico de câncer não é fácil nem para homens e muito menos para as mulheres. Quase sempre, o tratamento mexe diretamente na autoestima da pessoa, pois a pessoa pode ficar mais inchada, ganhar peso e, em muitos casos, perder os cabelos e pêlos do corpo. Para a mulher a perda dos fios está diretamente ligada ao universo da feminilidade.

O cabelo é um ponto muito marcante para o público feminino. Ele tem sido tão importante quanto as vestimentas que usamos para nos identificar. Essa identificação pode ser em grupos ou dentro de uma cultura.

O paciente com o câncer deve estar ciente que nem todas as quimioterapias ou tratamento vai levar a perda dos fios. Mas as que sofrem com a queda, costumam relatar uma perda da identidade. Sendo assim, é muito comum que ela não se reconheça no espelho.

O trabalho que se faz no tratamento psicoterápico é fazer com que esse paciente consiga se enxergar além desses cabelos. É importante deixar claro que essa parte do corpo não define o que é o feminino, nem mesmo a identidade da pessoa. Isso é um trabalho de desconstrução.

Ao contrário de algumas outras doenças também incapacitantes ou debilitantes durante o tratamento, como, por exemplo, casos de transplantes, a pessoa fica muito debilitada, mas não é tão visível como no caso do câncer. Todo tratamento que envolve a queda dos pelos é muito visível e mexe com a imagem daquele indivíduo.

Lembrando que não é só o paciente que não se reconhece, como também quem está fora desse processo. Não devemos esquecer que algumas estratégias para ajudar na autoestima dessa pessoa são o uso de perucas, lenços e turbantes, no caso de mulheres e crianças. Os homens, muitas vezes, sentem a queda dos cabelos, mas eles lidam melhor com a falta de fios.

Infelizmente, os olhares que essa pessoa vai receber são muito devastadores. É um olhar de pesar ao ver a criança, a mulher ou até mesmo o homem sem os cabelos. Esse paciente está em processo de tratamento e haverá altos e baixos em relação ao comportamento e até mesmo o ânimo dele. Por isso, é fundamental que a família e amigos possam dar o suporte emocional ao paciente.

Falas de pesar neste momento não são adequadas. Evite frases como “que pena!” ou “Coitado!”. Devemos entender que a pessoa está passando por um tratamento e que devemos ter palavras positivas, incentivadoras, motivadoras e de conforto, como, por exemplo, “Estou torcendo por você e se precisar estou aqui”; ou “Tudo vai dar certo, fique tranquilo.”

Esse processo é doloroso. Por esse motivo devemos conscientizar a sociedade, mostrando que o olhar machuca muitas vezes até mais que a doença. Às vezes, o paciente é muito resolutivo e assertivo e isso faz com que ele lide muito bem com a doença. Porém, é possível que não consiga lidar bem com o olhar do outro e com a exclusão que o próprio meio social faz.

Ainda existe um tabu muito grande em relação ao câncer, mas não podemos ignorar os avanços da medicina em relação aos diagnósticos e tratamentos. Infelizmente, a primeira palavra que vem à mente de muitas pessoas é a morte. No entanto, a evolução na identificação cada vez mais precoce e dos tratamentos estão permitindo mais chances de cura, ou remissão da doença. Portanto, tenha fé e faça sempre consultas com o seu médico que esse momento irá passar e você vai sair mais forte dessa.

(*) Alessandra Augusto é formada em Psicologia, Palestrante, Pós-Graduada em Terapia Sistêmica e Pós-Graduanda em Terapia Cognitiva Comportamental e em Neuropsicopedagogia. É a autora do capítulo “Como um familiar ou amigo pode ajudar?” do livro “É possível sonhar. O Câncer não é maior que você”.