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Abertura de empresas no Centro de Curitiba cresce 72% e supera média da cidade

O Centro de Curitiba registrou crescimento de 72% na abertura de empresas entre janeiro e julho deste ano. O índice é mais que o dobro da média de toda a cidade, que foi de 34% no mesmo período, segundo levantamento da Secretaria de Planejamento, Finanças e Orçamento.

Nos primeiros sete meses do ano, foram abertas 5.181 empresas na região central, contra 3.009 no mesmo período do ano passado. Com o resultado, o Centro ultrapassou a Cidade Industrial de Curitiba (CIC), que teve 3.364 novos negócios, e passou a liderar entre os bairros mais procurados para a abertura de empresas.

O avanço ocorre durante a execução do programa Curitiba de Volta ao Centro, que promove ações de revitalização e requalificação da região. Além das melhorias urbanas, o fluxo diário de pessoas é apontado como um fator de atração para novos negócios. Atualmente, o Centro reúne 49,9 mil empresas ativas, o equivalente a 9% do total do município, que é de 550.898 empresas.

Moradoras do Centro, Amanda Yoshie e Lucianne Rosa abriram em maio deste ano a cafeteria Brau Brau, na Rua Riachuelo. Amanda conta que as sócias já produziam o brownie Brau Brau, conhecido e vendido para terceiros, e que ela fez cursos, incluindo o de barista, depois de trabalhar durante oito anos em outros cafés da cidade.

“A gente já fazia o nosso brownie Brau Brau, que era bem conhecido e vendido para terceiros. Eu fiz vários cursos, incluindo de barista, e trabalhei durante oito anos em outros cafés da cidade. Daí veio a ideia de ter o negócio próprio, com a nossa cara, com tudo preparado aqui mesmo no local”, diz Amanda.

Segundo ela, o endereço atrai pessoas que moram, trabalham e estudam na região, além de clientes interessados em cafés especiais e em conhecer novos estabelecimentos.

“No passado tinha aquela percepção, principalmente entre as pessoas de mais idade, que o Centro era inseguro e decadente. A nossa geração não viveu isso. A região é boa para fazer as coisas a pé, tem um comércio ativo e eventos culturais”, afirma.

Para o prefeito Eduardo Pimentel, os números confirmam os resultados da revitalização do Centro.

“O que queremos estimular é justamente a reocupação do Centro, com mais comércio, serviços, moradia, cultura, mobilidade, lazer e segurança", diz Pimentel. "De um lado temos o Curitiba de Volta ao Centro, que é um programa que prevê incentivos fiscais, construtivos e econômicos, além de intervenções urbanas para melhorar a mobilidade, a infraestrutura e a segurança. Do outro, temos a estratégia de desburocratizar cada vez mais a abertura de empresas. Curitiba é atualmente capital mais rápida para abertura de empresas no País.”

O secretário de Planejamento, Finanças e Orçamento, Vitor Puppi, afirma que a desburocratização é um incentivo importante ao empreendedorismo. Ele cita o programa Facilita Mais, que ampliou de 606 para 1.200 o número de categorias empresariais dispensadas de alvarás e licenças para operar.

“Mais de 60% das empresas abertas em Curitiba desde fevereiro, quando o programa entrou em operação, se enquadraram nos benefícios”, conta Puppi.

Espaços que estavam desocupados no Centro também começaram a receber novos negócios. Após permanecer fechado por dois anos, o imóvel que abrigou uma agência do Banco Bradesco, nas esquinas da Rua XV de Novembro com a Rua Monsenhor Celso, recebeu em abril deste ano uma megaloja de 1,2 mil metros quadrados da rede Serallê, de artigos esportivos, calçados e acessórios.

Fundada há 20 anos em Cianorte, no noroeste do Estado, a rede é uma das maiores do Paraná. O Centro foi escolhido para receber a primeira unidade em Curitiba. A empresa, que tem 21 lojas no Interior, abriu a unidade com 30 funcionários.

“Durante muitos anos estudamos o mercado de Curitiba. Queríamos abrir nossa primeira loja na capital em uma região com grande fluxo de pessoas e o calçadão da Rua XV de Novembro é muito bom neste sentido, além de ser um ponto histórico da cidade, o que chama a atenção. Como temos produtos com várias faixas de preços, dos mais acessíveis ao luxo, conseguimos atingir vários públicos”, diz Anderson Kist, gerente comercial da loja.

Para o empresário Marlon Godoy, a abertura de uma pizzaria no Centro representa um recomeço. Depois de trabalhar por 12 anos na área de tecnologia, período que, segundo ele, resultou em um burnout e em nove dias na UTI devido a uma infecção bacteriana nos últimos dois anos, decidiu mudar de atividade.

“Foi quando percebi que a vida que eu levava não dava mais. Minha esposa, Thayanne, me incentivou a buscar um negócio próprio”, lembra.

Depois de fazer cursos e se especializar em gastronomia, Godoy abriu, há pouco mais de uma semana, a Manja Pizza, na Rua Inácio Lustosa, perto do shopping Mueller.

“Queríamos um espaço no Centro, porque o conceito da nossa loja é diferente dos estabelecimentos de bairros, com mesas para quatro e seis cadeiras. Aqui a ideia é comer no balcão, em um espaço mais clean e moderno, com a cozinha aberta onde o cliente vê o preparo da pizza. Conseguimos assar nossa pizza, de fermentação natural de 72 horas, em 90 segundos, o que garante também um atendimento rápido”, diz ele.

Segundo o empresário, os moradores da região já começaram a experimentar o cardápio, que tem 50% das opções também na versão vegana.

“O Centro também foi escolhido por isso. Temos vários amigos veganos, minha esposa também é vegetariana e há na região vários empreendimentos voltados para esse público, o que é interessante porque já estamos em uma região onde os clientes estão", completou.

O levantamento da Secretaria de Planejamento, Finanças e Orçamento aponta que os novos negócios instalados no Centro atuam em diferentes áreas. Entre os segmentos destacados estão o desenvolvimento de programas de computador sob encomenda; serviços administrativos e de escritório; promoção de vendas; comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios; lanchonetes, casas de chá, sucos e similares; padarias e confeitarias; e restaurantes.

O programa Curitiba de Volta ao Centro reúne incentivos fiscais, econômicos e construtivos voltados ao retrofit de prédios, ao restauro de imóveis históricos, à habitação popular e ao desenvolvimento econômico da região, incluindo comércio, serviços, lazer e cultura.

“É um programa que envolve várias secretarias mas com um objetivo comum que é o de trazer a população para o coração da cidade. Há uma relação afetiva do curitibano com o seu Centro e o projeto quer trazer uma nova onda de desenvolvimento para a região”, diz Tatiana Turra, coordenadora do programa.

O programa prevê R$ 133 milhões em incentivos fiscais, com redução, remissão e isenção de até 100% de impostos. Também foi lançado um edital de subvenção de R$ 30 milhões, por meio do qual o município vai reembolsar até 50% do valor de obras de revitalização.

O edital recebeu 47 propostas, que somam R$ 268 milhões em investimentos previstos.

A Prefeitura promove plantões de atendimento para esclarecer dúvidas sobre o programa. Os encontros são realizados sempre na última quinta-feira do mês, entre agosto e novembro, nas datas de 27/8, 24/9, 29/10 e 26/11.

O atendimento ocorre das 9h às 12h, na Escola de Patrimônio, localizada na Rua Kellers, 63, no bairro São Francisco. Os interessados devem fazer o agendamento pelo site https://agendaonline.curitiba.pr.gov.br.

Com informações da Prefeitura de Curitiba.

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