Feiras dedicadas à arte gráfica, à ilustração, à literatura, ao artesanato e a outras formas de produção autoral integram o calendário cultural de Curitiba. Os eventos aproximam artistas e público, criam oportunidades de comercialização, formação e troca de experiências e contribuem para movimentar a economia criativa da cidade.
Em 2026, a Mamute e a Feira Autoral da Cumbuca, duas das principais feiras autorais de Curitiba, reuniram mais de 23 mil pessoas. O resultado evidencia a presença da produção independente e o espaço que esse mercado vem conquistando na cidade.
O movimento também reforça a identidade de Curitiba como Cidade Criativa do Design, título concedido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em 2014. Há mais de dez anos, Curitiba integra a Rede de Cidades Criativas e utiliza a criatividade e o planejamento urbano como pilares para fortalecer sua identidade e ampliar seu potencial.
Mamute reúne artistas de diferentes regiões
Realizada anualmente, a Mamute chegou à 8ª edição em 2026. O evento ocupou uma parte do Museu Oscar Niemeyer nos dias 2 e 3 de outubro, reunindo produção artística gráfica, literária, artesanal e autoral.
A feira foi criada a partir da percepção de que Curitiba tinha uma cena artística independente que precisava de mais espaços de encontro com o público. “O projeto surgiu por reconhecer uma cena pulsante na cidade, que precisava de um espaço para o encontro direto com o público. E, a cada edição, vimos o cenário se fortalecer, os artistas se multiplicarem e enxergarem possibilidades de encontro da arte produzida com o público”, conta a organizadora Ana Hupfer.
Nesta edição, a Mamute teve 163 expositores. Mais da metade era de Curitiba, com impacto na economia criativa local. Segundo a organização, mais de 16 mil pessoas passaram pela feira. A estimativa é de que o evento tenha movimentado mais de R$ 1,5 milhão na economia criativa, considerando as vendas dos expositores e a gastronomia autoral presente no local.
A programação também foi ampliada com o LAB MMT, um ciclo de encontros formativos viabilizado pela conquista de patrocínios e incentivo público.
“Um dos propósitos que guiam a Mamute é promover o encontro e a troca entre os artistas da cidade. Diferentes gerações, linguagens e estilos em um mesmo espaço em que a criatividade é o pulso. Os projetos buscam integrar formação crítica, atualização profissional e articulação de redes, contribuindo significativamente para o fortalecimento e o desenvolvimento das artes visuais local e nacional”, afirma Ana.
Cumbuca investe em formação e profissionalização
A Escola Cumbuca foi fundada em 2019 com o objetivo de apoiar a produção independente por meio da profissionalização e da circularidade. A iniciativa cria possibilidades de conexão entre diferentes territórios, públicos e formas de acesso e consumo da arte.
A fundadora da Cumbuca, Deisy dos Santos Soares, afirma que a iniciativa também surgiu de sua própria experiência e da percepção sobre a importância de ampliar o acesso à cultura.
“Eu sou uma mulher negra, periférica, com mais de 40 anos, e entendi muito cedo o quanto o acesso à cultura pode transformar a maneira como a gente se percebe, ocupa a cidade e imagina possibilidades para a própria vida”, diz.
A atuação da escola não se limita ao ensino de técnicas artísticas. O trabalho busca oferecer ferramentas para que os artistas desenvolvam autonomia e tratem a produção como atividade profissional.
“Existe uma preocupação muito grande em trabalhar não apenas a técnica artística, mas também as ferramentas que ajudam o artista a construir autonomia: como apresentar seu trabalho, precificar, vender, se comunicar, criar uma rede, encontrar público e entender o próprio trabalho como uma atividade profissional”, explica Deisy.
Para ela, o processo precisa considerar a diversidade da produção artística. “A Cumbuca nasceu desse cruzamento entre arte, educação e economia criativa, com a ideia de criar espaços de formação e, principalmente, de troca.”
Desde a criação da Escola, mais de 150 projetos e iniciativas já participaram de suas atividades. A Cumbuca trabalha com formação, mentorias, encontros, feiras, projetos culturais e oportunidades de circulação. A Feira Autoral é uma dessas frentes.
A feira começou com 35 expositores e público estimado em 300 pessoas. Em 2026, na quinta edição, chegou a 75 artistas e recebeu mais de 7 mil visitantes. Na última edição, os expositores movimentaram aproximadamente R$ 200 mil em vendas de trabalhos autorais.
Com informações da Prefeitura de Curitiba.
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