Durante audiência pública da ANTT, Eduardo Pimentel defendeu que o novo contrato inclua as obras dos contornos ferroviários Leste e Oeste para retirar os trens de carga da área urbana da capital.
O prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, defendeu nesta segunda-feira (27) a inclusão dos contornos ferroviários Leste e Oeste no edital da nova concessão da Malha Sul durante audiência pública promovida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), no Instituto de Engenharia do Paraná (IEP).
Segundo o prefeito, a retirada da ferrovia de cargas da área urbana é uma medida considerada estratégica para reduzir acidentes, melhorar a mobilidade e abrir espaço para novos projetos de transporte público e desenvolvimento urbano na capital.
Prefeitura pede obras dos contornos ferroviários
Durante o encontro, Eduardo Pimentel afirmou apoiar o transporte ferroviário de cargas, mas destacou que Curitiba enfrenta uma realidade diferente de outros grandes centros urbanos por ainda ter a ferrovia cruzando bairros densamente povoados.
O prefeito pediu que a nova concessão inclua tanto a elaboração dos projetos executivos quanto a execução das obras dos contornos ferroviários Oeste e Leste.
Hoje, a linha férrea atravessa regiões como Bacacheri, Anita Garibaldi, Cajuru e Sítio Cercado, causando impactos frequentes no trânsito, no transporte coletivo e na segurança viária.
Projeto prevê nova ocupação do traçado
Segundo o prefeito, o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) já desenvolve estudos preliminares sobre o futuro uso das áreas que poderão ser liberadas caso o transporte de cargas deixe o perímetro urbano.
Entre as possibilidades citadas estão:
- implantação de um Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) para passageiros;
- criação de parques lineares;
- construção de ciclovias;
- abertura de novas ligações viárias;
- implantação de projetos habitacionais;
- ampliação de áreas verdes.
Ferrovia corta 21 bairros de Curitiba
A Prefeitura afirma que os contornos ferroviários retirariam mais de 40 quilômetros de trilhos destinados ao transporte de cargas da área urbana.
Atualmente, a ferrovia passa por 21 bairros e possui 51 passagens em nível, afetando diretamente a circulação de veículos, ônibus e pedestres.
De acordo com o município, aproximadamente 467 mil moradores convivem diariamente com os impactos da operação ferroviária.
A proposta também integra a revisão do Plano Diretor de Curitiba e figura entre os desafios mais apontados pela população durante as audiências públicas realizadas nas regionais da cidade.
Curitiba lidera número de acidentes ferroviários
Dados apresentados durante a audiência, com base em registros da ANTT, indicam que Curitiba concentra o maior número de acidentes ferroviários do país.
Entre 2005 e 2025 foram registradas 433 ocorrências na malha operada pela Rumo Malha Sul.
Somente entre 2021 e 2024 ocorreram 152 acidentes, que resultaram em mais de 60 pessoas feridas e 27 mortes.
Segundo a Prefeitura, a retirada dos trilhos da área urbana poderá reduzir conflitos entre trens e o sistema BRT, aumentar a segurança viária e melhorar a integração entre bairros atualmente separados pela ferrovia.
Consulta pública segue até agosto
A audiência faz parte do processo conduzido pela ANTT para discutir a nova concessão dos corredores ferroviários Paraná–Santa Catarina, Rio Grande e Mercosul.
As contribuições da sociedade poderão ser encaminhadas ao Ministério dos Transportes até o dia 10 de agosto.
Além de Curitiba, a agência realizará novas audiências presenciais em Porto Alegre, no dia 29 de julho, e em Florianópolis, em 31 de julho.
Fonte: Prefeitura de Curitiba e Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
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