Uma significativa mudança na abordagem da bioética e da saúde pública no Brasil está prestes a se concretizar, com o Paraná liderando a iniciativa. O estado encerra o uso de animais em diagnósticos de raiva, após um estudo do Laboratório Central do Estado (Lacen-PR), que resultou na Resolução nº 75/2026 do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea).
Nova Resolução e seus Impactos
A nova normativa estabelece um prazo de cinco anos para que laboratórios em todo o Brasil adotem métodos alternativos in vitro, substituindo o uso de camundongos. Essa mudança posiciona o país em conformidade com diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).
Avanços no Diagnóstico da Raiva
Tradicionalmente, diagnósticos de raiva dependiam da inoculação de amostras em camundongos, com um período de observação de até 30 dias. Com a introdução da biologia molecular (RT-qPCR), o tempo de análise foi drasticamente reduzido, permitindo resultados em questão de horas.
Reconhecimento do Pioneirismo Paranaense
O Secretário de Estado da Saúde, César Neves, enfatizou que o Paraná serve como modelo em inovação e respeito à bioética. Ele destacou que a nova norma eleva os padrões de qualidade na saúde pública nacional.
Transformação pela Pesquisa e Dedicação
Para Célia Fagundes Cruz, diretora do Lacen-PR, essa mudança é um reflexo do esforço da equipe local, que transformou desafios em soluções inovadoras. A implementação da biologia molecular quebrou paradigmas históricos, resultando na redução do uso de 30 mil animais anualmente.
Replicação da Inovação no Setor Agropecuário
A experiência do Lacen-PR também foi adotada pelo Centro de Diagnóstico Marcos Enrietti (CDME), responsável pelo diagnóstico na Agência de Defesa Agropecuária do Paraná. O laboratório foi pioneiro ao eliminar o uso de cobaias no diagnóstico de raiva em animais herbívoros, utilizando a técnica molecular de PCR em tempo real.
Importância da Agilidade no Diagnóstico
Rubens Chaguri, chefe do Departamento de Laboratórios da Adapar, destacou que a agilidade na obtenção de resultados é crucial para a saúde pública, especialmente em casos de raiva, que pode ser letal. O novo método reduz o tempo de resposta de 28 dias para algumas horas.
Construção de uma Nova Realidade
Um grupo multidisciplinar, incluindo profissionais de diversas áreas, ajudou a fundamentar a mudança regulatória junto às autoridades federais. Segundo Thaila Francini Corona, médica veterinária e pesquisadora do Lacen-PR, o embasamento para essa inovação começou em 2013, com estudos que demonstraram a viabilidade das técnicas in vitro.
Reconhecimento Internacional
A transição ganhou força em 2019, quando a OMS reconheceu a biologia molecular como uma alternativa viável aos testes em animais. Em outubro desse ano, o Lacen-PR realizou sua última eutanásia, tornando-se o primeiro laboratório de saúde pública do Brasil a abolir completamente o uso de camundongos nessa área.

