Prefeitura reforça ações de reinserção social, tratamento e acolhimento em Curitiba
A Prefeitura de Curitiba informou que 78 pessoas em situação de rua foram internadas involuntariamente entre janeiro e abril de 2026. A medida é aplicada em casos considerados críticos e ocorre com base na portaria conjunta nº 2, que atualizou os critérios de atuação intersetorial para atendimento desse público.
Segundo o município, a decisão pela internação involuntária é exclusivamente médica e ocorre apenas após o esgotamento das alternativas terapêuticas disponíveis. O encaminhamento é feito quando há risco à vida da própria pessoa ou de terceiros.
De acordo com o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, o objetivo é garantir condições para que essas pessoas retomem o autocuidado e consigam reconstruir vínculos familiares, sociais e profissionais.
“A internação involuntária é uma exceção, adotada em momentos críticos, em que a vida da pessoa ou de outros está em risco. Continuaremos a atuar com muita responsabilidade nessas situações”, afirmou o prefeito.
Trabalho integrado entre Saúde, FAS e Desenvolvimento Humano
A secretária municipal da Saúde, Tatiane Filipak, explicou que houve fortalecimento do trabalho conjunto entre a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), Fundação de Ação Social (FAS) e Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano (SMDH).
Segundo ela, foi criado um comitê formado por profissionais das três áreas para acompanhar os casos de pessoas internadas involuntariamente.
As reuniões acontecem mensalmente ou sempre que necessário, com o objetivo de avaliar a evolução dos tratamentos e definir encaminhamentos individualizados.
“Essas pessoas têm quadros crônicos de saúde e necessitam de acompanhamento permanente. Depois de estabilizadas, quando saem da crise aguda, é estabelecido um plano terapêutico individual e oferecidas alternativas para que elas retomem o controle da própria vida”, disse Tatiane.
Curitiba também registrou internações voluntárias e compulsórias
Além das 78 internações involuntárias, Curitiba contabilizou entre janeiro e abril:
- 35 internações voluntárias;
- 2 internações compulsórias.
As internações compulsórias ocorrem por decisão judicial baseada em avaliação médica. Já as involuntárias são definidas exclusivamente pelo médico responsável, que responde perante o Conselho Regional de Medicina (CRM).
Conforme a Prefeitura, os casos são comunicados ao Ministério Público em até 72 horas por meio do sistema Protege.
Primeira paciente internada involuntariamente segue em tratamento
A primeira pessoa internada involuntariamente após a nova portaria municipal, em janeiro deste ano, segue atualmente em uma comunidade terapêutica conveniada pela Prefeitura.
Segundo a administração municipal, após a alta hospitalar a permanência na comunidade passou a ser voluntária. Antes da decisão, a paciente visitou o espaço acompanhada por equipes da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano.
Ainda conforme a Prefeitura, durante o tratamento houve reaproximação familiar. A paciente passou a receber visitas de familiares e participa de atividades terapêuticas, oficinas de capacitação, lazer e atividades físicas.
Ela também continua tendo acesso à rede pública de saúde, incluindo unidades básicas, UPAs e Centros de Atenção Psicossocial (Caps).
Comunidades terapêuticas ampliam vagas para acolhimento
Desde março, a Prefeitura ampliou a rede de acolhimento temporário em comunidades terapêuticas por meio do Programa de Atenção às Pessoas em Situação de Uso Prejudicial de Álcool e Outras Drogas.
A iniciativa foi instituída pela Lei Estadual nº 22.160/2024.
Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Humano, Carlos Eduardo Pijak Júnior, as vagas disponíveis em dez instituições conveniadas poderão garantir até 178 acolhimentos mensais, com permanência de até nove meses por pessoa.
“Curitiba está se somando aos programas do Governo do Estado e da União e ampliando a oferta de vagas em comunidades terapêuticas”, afirmou o secretário.
FAS realizou mais de 17 mil abordagens sociais em Curitiba
A Fundação de Ação Social também divulgou números relacionados ao atendimento de pessoas em situação de rua na capital.
Entre janeiro e abril de 2026, foram realizadas 17.569 abordagens sociais em Curitiba.
O número representa:
- média de 146 abordagens por dia;
- 1.098 abordagens semanais;
- 4.392 abordagens mensais.
Segundo o presidente da FAS, Renan de Oliveira Rodrigues, o trabalho nas ruas ocorre de forma integrada entre diferentes áreas da Prefeitura.
“Nossas equipes atuam de forma estratégica para estabelecer vínculos, acolher e agir sempre que preciso”, afirmou.
As equipes atuam em locais de maior circulação de pessoas em situação de rua e também atendem solicitações feitas pela população por meio da Central 156.
