A melhoria das condições socioeconômicas na Venezuela poderá facilitar o retorno de um terço dos venezuelanos que deixaram o país devido à crise e à violência. Esta é a conclusão de uma pesquisa realizada pela Agência da ONU para Refugiados (Acnur), que ouviu migrantes e refugiados venezuelanos sobre suas intenções de retorno.
Uma família venezuelana migrante faz uma longa viagem desde a fronteira sul do Peru até Lima
A Situação Atual dos Migrantes
Atualmente, 6,9 milhões de venezuelanos residem em países da América Latina e do Caribe, sendo que 4 milhões necessitam de assistência. A pesquisa, realizada entre janeiro e março deste ano, entrevistou 1.288 venezuelanos que vivem em nações como Brasil, Equador, Peru, Colômbia, Chile e Guatemala. Os entrevistados foram questionados sobre a intenção de retornar ao seu país nos próximos 12 meses a cinco anos.
O desejo de voltar está fortemente ligado ao reencontro com a família, especialmente em um cenário que sugere possíveis mudanças após uma eventual queda do presidente Nicolás Maduro.
Desafios e Expectativas
Cerca de 9% dos venezuelanos que manifestam desejo de retorno esperam fazê-lo em até um ano. Contudo, mesmo entre aqueles que desejam voltar, dois terços expressaram retenção devido a fatores socioeconômicos e políticos. Eles citam a segurança, a recuperação do mercado de trabalho e a ausência de serviços confiáveis na Venezuela como obstáculos para o retorno.
As comunidades anfitriãs, na maioria dos casos, oferecem melhores condições de segurança, emprego e acesso a serviços essenciais. Muitos relatam que os serviços públicos na Venezuela estão sob pressão, o que acaba por tornar o retorno menos atraente.
Venezuelanos fazem fila no escritório de migração em Lima, Peru
Informação e Apoio Necessários
A falta de informações confiáveis também foi um ponto destacado por quase 60% dos entrevistados. O Acnur reitera que o retorno deve ser sempre voluntário, seguro e digno, com informações claras sobre as implicações dessa decisão.
Para este ano, a agência solicita US$ 328,2 milhões para continuar sua missão de apoio aos venezuelanos na região e na própria Venezuela. Contudo, até o final de julho, apenas 12% desse montante havia sido arrecadado, evidenciando a necessidade urgente de apoio internacional.
