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Escolas quilombolas do Paraná fortalecem pertencimento e laços comunitários

O estado do Paraná tem promovido iniciativas significativas para fortalecer a educação em comunidades tradicionais, garantindo acesso a conhecimento em áreas muitas vezes isoladas e com dificuldades de transporte. As escolas quilombolas na rede estadual, como o Colégio Estadual Quilombola Diogo Ramos e o Colégio Estadual Quilombola Maria Joana Ferreira, estão se destacando como importantes centros de pertencimento e valorização cultural para essas comunidades.

Educação Emergente e Territorial

Localizado em João Surá, Adrianópolis, o Colégio Estadual Quilombola Diogo Ramos tem se afirmado como um exemplo de integração entre educação e comunidade. Com aproximadamente 24 estudantes, a escola desenvolve um modelo educacional que dialoga com as necessidades e tradições locais.

O secretário estadual da Educação, Roni Miranda, destacou a importância desse formato: “Quando o colégio reconhece o território, o ensino ganha sentido e impacto social”. O processo de criação do colégio iniciou-se em 2006, com a demanda da comunidade. Em dezembro de 2008, a escola foi oficialmente criada, com as aulas começando em 2009.

Desafios Anteriores e Avanços Recentes

Antes da fundação do colégio, os alunos enfrentavam longas distâncias para acessar o ensino médio, enfrentando o desvio para outras localidades. Muitas vezes, precisavam percorrer até 30 quilômetros em condições de transporte difíceis. Desde sua inauguração, a escola atendeu não apenas os estudantes da comunidade, mas também de localidades vizinhas, oferecendo suporte a aproximadamente 20 alunos com transporte escolar em áreas rurais.

Recentemente, em 2025, o colégio recebeu investimentos de R$ 100 mil através do projeto Escola Mais Bonita, resultando em melhorias na infraestrutura, que incluem reformas, pintura e instalação de equipamentos essenciais. Essas ações têm expandido o acesso à educação na região.

Apoio à Alimentação Escolar Tradicional

Além da educação, o Governo do Estado tem implementado políticas que asseguram a permanência dos alunos na escola, promovendo uma alimentação que respeita os hábitos culturais da comunidade. O Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar) distribuiu em 2025 cerca de 16 toneladas de alimentos para as escolas quilombolas, com previsão de já ter enviado mais de 2 toneladas em 2026.

Os cardápios, que incluem ingredientes típicos como banha de porco e produtos da agricultura familiar, contribuem para a preservação e valorização da cultura quilombola. Cassiane Aparecida de Matos, diretora do colégio, destacou que “além dos alimentos do Fundepar, utilizamos produtos locais, garantindo uma alimentação que respeita nossa identidade cultural”.

Espaço e Envolvimento Comunitário

A gestora da escola, Casiaine, é a primeira quilombola a assumir a posição e enfatizou o papel histórico da mobilização da comunidade para a criação da escola. O planejamento pedagógico inclui a participação ativa de moradores e líderes locais, discutindo as prioridades educacionais e sociais.

O calendário escolar incorpora datas significativas para a comunidade, e as atividades promovem a valorização dos saberes tradicionais. A escola também serve como um espaço de referência para a comunidade, oferecendo suporte para reuniões e atividades culturais.

Educação Quilombola no Paraná

O Colégio Estadual Quilombola Maria Joana Ferreira, que atende 211 estudantes na comunidade quilombola Adelaide Maria da Trindade Batista, em Palmas, representa outro exemplo do compromisso do Paraná com a educação de comunidades tradicionais. Ambas as instituições operam com propostas pedagógicas que respeitam especificidades étnico-culturais, seguindo diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

Com a gestão ativa e a participação comunitária, as escolas quilombolas no Paraná demonstram como a educação pode ser uma ferramenta vital para o fortalecimento da identidade cultural e o acesso ao ensino em localidades historicamente marginalizadas.

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