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Deputados e especialistas pedem agilidade na implementação da política nacional de combate ao câncer

24/02/2026 – 18:31  

A Comissão Especial de Combate ao Câncer, AVC e Doenças do Coração promoveu um debate essencial na Câmara dos Deputados sobre a implementação da Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer, que recentemente foi regulamentada pelo Ministério da Saúde. O foco da discussão foi a urgência em transformar a legislação em prática efetiva, garantindo diagnóstico precoce e tratamento adequado.

Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

Weliton Prado alertou para a distância entre a lei e a realidade.

A necessidade de ação concreta

O deputado Weliton Prado (Solidariedade-MG), autor do requerimento para a realização do debate, expressou sua celebração pela aprovação da política, mas enfatizou a discrepância entre a legislação e sua prática. “Primeiro você luta muito para aprovar uma lei, depois é uma luta maior ainda para que ela saia do papel”, ressaltou. Prado evidenciou a gravidade do câncer de mama, que causa a morte de cerca de 50 mulheres por dia no Brasil, enfatizando que muitas dessas mortes poderiam ser evitadas com acesso à prevenção.

Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

Viviane Rezende: Inca é uma escola de formação de especialistas.

Fortalecimento do Instituto Nacional de Câncer

Outro ponto crucial abordado foi a situação do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Diretores e trabalhadores da instituição pediram a realização urgente de concursos públicos, uma vez que o quadro de funcionários não é renovado há quase uma década. Peter Tavares, vice-presidente da Associação de Funcionários do Inca, destacou a importância histórica da entidade: “O Inca não é apenas um hospital, mas uma universidade oncológica dedicada à pesquisa e formação”, afirmou.

Viviane Rezende de Oliveira, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica, também sublinhou o papel fundamental do Inca na formação de especialistas na área. “A essência do instituto vem das pessoas que trabalham ali dentro, e não podemos deixar isso morrer”, declarou.

Avanços e desafios no SUS

A coordenadora-geral de Estratégias Inovadoras e Colaborativas de Atenção ao Câncer do Ministério da Saúde, Natáli Minóia, mencionou recentes melhorias na rede de atendimento, entre elas a ampliação do acesso à radioterapia e a implementação de carretas de saúde para diagnóstico móvel. Ela destacou a nova estratégia de rastreamento do câncer de colo do útero, enfatizando a tecnologia dos testes moleculares para detecção de HPV.

Contrapondo as inovações, a presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, Clarissa Baldoto, alertou para os desafios no financiamento de novos medicamentos. “O custo da oncologia clínica é um desafio global, e desenvolvemos um índice de priorização para categorizar quais medicamentos devem ser incorporados pelo SUS”, informou.

Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Marlene Oliveira manifestou preocupação com métodos de diagnóstico sem comprovação como a “termografia”.

Combate à desinformação

A presidente do Instituto Lado a Lado pela Vida, Marlene Oliveira, expressou sua inquietude em relação ao uso de métodos de diagnóstico sem respaldo científico, como a termografia. “Isso me assusta muito. Há locais no Brasil utilizando esse método, que não é eficaz em pacientes com alta suspeita de câncer. Isso representa uma irresponsabilidade”, afirmou.

Weliton Prado reforçou a gravidade da questão, afirmando que o uso indevido da termografia, especialmente em adolescentes, cria desinformação e pode afastar as mulheres dos exames de mamografia importantes. O deputado comprometeu-se a organizar uma audiência para abordar a carência de profissionais no Inca e a buscar um fundo nacional para tratar o câncer como uma prioridade emergencial no orçamento federal.

Da Redação – GM

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