Reforma da Jornada de Trabalho e Desoneração da Folha: Nova Proposta Mobiliza o Congresso
O Congresso Nacional discute propostas para abolir a escala de trabalho 6×1, enquanto parlamentares buscam compensações por meio de uma nova desoneração da folha de pagamento. A abordagem visa mitigar os impactos no setor produtivo diante das mudanças nas jornadas de trabalho.
Articulação no Congresso
As frentes parlamentares ligadas ao setor produtivo argumentam que é essencial que o governo ofereça uma contrapartida às mudanças nas escalas de trabalho. O deputado Domingos Sávio (PL-MG), presidente da Frente Parlamentar em Defesa do Comércio e Serviços, defende uma redução na carga tributária. “Desonerar parte do que a empresa paga de tributo na folha. Se o governo reduzir esse tributo, a empresa pode diminuir as horas trabalhadas e não ter que repassar o custo para o consumidor”, destacou Sávio.
O Ministério da Fazenda não respondeu aos pedidos de comentários sobre a situação atual, mas é sabido que a gestão atual tem atuado para reonerar gradualmente setores que recebem benefícios fiscais. Recentemente, foi aprovada uma legislação em 2024 que reinstitui contribuições previdenciárias, e o governo tem se concentrado em mais medidas arrecadatórias para equilibrar o orçamento.
Prioridade e Urgência Governamental
O governo classifica o fim da escala 6×1 como uma prioridade e deseja que a proposta seja aprovada ainda no primeiro semestre deste ano. Parlamentares de diversas frentes, incluindo o Centrão e a oposição, reconhecem a necessidade de diálogo, especialmente devido à urgência demonstrada pela administração.
À medida que o cronograma eleitoral se aproxima, alguns opositores admitem que pode ser politicamente desfavorável votar contra uma medida que possivelmente é vista como popular. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) ressalta que qualquer mudança deve levar em conta a diversidade de realidades do setor produtivo, além das disparidades regionais e seu impacto sobre a geração de empregos.
Consequências Fiscais e Propostas Alternativas
Especialistas alertam que uma nova desoneração poderá acentuar a perda de arrecadação nas contas públicas, que já enfrenta um déficit significativo em 2024, estimado em cerca de R$ 30 bilhões. Uma ampliação dessa desoneração pode agravar ainda mais essa situação.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), manifestou apoio à finalização das discussões sobre a questão até maio. Entre as sugestões em análise, está a jornada 5×2, que prevê cinco dias laborais seguidos de dois dias de descanso, respeitando um limite de 40 horas semanais sem redução de salário. Outra proposta considera uma redução gradual das horas trabalhadas de 44 para 40 horas semanais.
Além das propostas práticas, a discussão sobre produtividade tem emergido como um elemento relevante. Críticos consideram que a atenção deveria se voltar para as causas da baixa produtividade brasileira, que permanece estagnada, com dados indicando que o trabalhador brasileiro produz cerca de um quarto da capacidade de um trabalhador nos Estados Unidos ou na Alemanha. Essa realidade exige uma abordagem mais ampla e integrada para solucionar o problema.
Fonte: CNN https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/analise-reducao-da-jornada-6×1-gera-pressao-por-desoneracao/
