Levantamento do Instituto Paraná Pesquisas indica que mais de 86% dos curitibanos são favoráveis à medida quando há indicação médica
Uma pesquisa de opinião pública realizada em Curitiba pelo Instituto Paraná Pesquisas, entre os dias 22 e 25 de janeiro de 2026, mostra que a maioria da população do município apoia a internação involuntária de dependentes químicos em situação de rua, desde que haja risco grave à própria vida ou à de terceiros e a medida seja indicada por critérios médicos.
O levantamento ouviu 802 moradores da capital paranaense, com grau de confiança de 95% e margem de erro estimada em aproximadamente 3,5 pontos percentuais. As entrevistas foram presenciais e seguiram critérios estatísticos de amostragem por gênero, faixa etária, escolaridade e nível econômico.
Conhecimento sobre o novo protocolo municipal
De acordo com os dados, 68,8% dos entrevistados afirmaram que já tinham conhecimento do novo protocolo determinado pela Prefeitura de Curitiba para a internação de dependentes químicos em situação de rua. A norma prevê que a internação possa ocorrer mesmo sem o consentimento do indivíduo, desde que caracterizado risco grave e após avaliação médica, conforme a legislação vigente.
Outros 31,2% disseram não ter conhecimento prévio da medida. O nível de informação varia conforme faixa etária e escolaridade, com maior índice de conhecimento entre pessoas com ensino superior (76,2%) e moradores entre 35 e 59 anos.
Maioria é favorável à internação involuntária
Quando questionados diretamente sobre o posicionamento em relação à internação involuntária em Curitiba, independentemente de já conhecerem ou não o protocolo, 86,0% dos entrevistados declararam-se favoráveis à medida.
Outros 3,1% afirmaram que a posição “depende da situação”, enquanto 8,4% se disseram contrários. Já 2,5% não souberam ou preferiram não opinar.
O apoio à internação involuntária aparece de forma consistente entre homens e mulheres e em praticamente todas as faixas etárias, embora o índice de oposição seja proporcionalmente maior entre os mais jovens, especialmente entre entrevistados de 16 a 24 anos.
Impacto na redução de pessoas em situação de rua
A pesquisa também avaliou a percepção da população sobre os efeitos da internação involuntária na redução do número de dependentes químicos em situação de rua. Para 83,5% dos entrevistados, a medida pode contribuir para diminuir essa realidade em Curitiba.
Outros 10,5% acreditam que a contribuição ocorreria apenas “em partes”, enquanto 3,9% responderam que a internação não ajudaria a reduzir o problema. Apenas 2,1% não souberam ou não quiseram responder.
Intervenção do poder público em situações de risco
Outro ponto abordado no levantamento foi o papel do poder público na proteção da vida. Segundo os dados, 89,4% dos entrevistados concordam que, em situações de risco grave, o poder público deve intervir para proteger a vida da própria pessoa e de terceiros, mesmo que ela não concorde com o atendimento naquele momento.
Apenas 6,0% discordam dessa intervenção, enquanto 2,4% afirmam que depende da situação. O índice de concordância é mais elevado entre pessoas com 60 anos ou mais e entre aqueles que não fazem parte da População Economicamente Ativa (não PEA).
Metodologia e controle de qualidade
O Instituto Paraná Pesquisas informou que a coleta de dados foi realizada por entrevistadores treinados, com supervisão técnica e auditoria em pelo menos 30% dos questionários aplicados, garantindo a confiabilidade dos resultados.
A amostra foi selecionada em duas etapas, utilizando sorteio probabilístico das localidades e aplicação de cotas proporcionais à população de Curitiba, conforme critérios demográficos e socioeconômicos.
Contexto do debate
A internação involuntária de dependentes químicos é tema recorrente no debate público, especialmente em grandes centros urbanos. Em Curitiba, a discussão ganhou destaque após a adoção de protocolos que buscam conciliar atendimento médico, proteção à vida e cumprimento da legislação vigente.
Os dados da pesquisa indicam que, ao menos do ponto de vista da opinião pública, há respaldo majoritário da população para a atuação do poder público em situações consideradas de risco grave.
Fonte: Instituto Paraná Pesquisas – Pesquisa de Opinião Pública, Município de Curitiba, janeiro de 2026.
