A situação política na Venezuela se intensificou após o sequestro do presidente Nicolás Maduro no último sábado (3). María Corina Machado, uma das principais líderes da oposição, criticou a presidente interina Delcy Rodríguez e articulou um retorno ao país, elogiando a atuação do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Enquanto isso, a oposição moderada tenta negociar com o governo para alcançar algumas vitórias políticas, como a libertação de presos considerados políticos.
Conflitos Internos na Oposição
María Corina Machado, vista como uma figura radical na oposição, acusou Delcy Rodríguez de ser uma das “principais arquitetas” da repressão estatal. Em uma entrevista à Fox News, a oposicionista afirmou que a atual presidente interina é aliada de países como Rússia, China e Irã, ressaltando a falta de confiança que investidores internacionais teriam nela.
Machado também expressou sua gratidão a Trump, afirmando que o dia 3 de junho será lembrado como o “dia que a Justiça derrotou a tirania”, assegurando que os venezuelanos estão, agora, mais próximos da liberdade.
Perspectivas para as Eleições
Barreiras legais impedem que Machado concorra nas eleições presidenciais de 2024 devido a uma condenação por corrupção. Em vez disso, ela indicou o diplomata Edmundo González como candidato, que, segundo as informações oficiais, foi derrotado por Maduro nas eleições de 28 de julho de 2024. A oposição questiona a legitimidade do pleito, alegando que o verdadeiro vencedor foi González.
Durante a mesma entrevista, Machado indicou que poderia assumir liderança no país, caso Maduro deixasse o poder, prometendo um novo futuro para a Venezuela, com foco na segurança jurídica e na convocação de novas eleições.
Em outubro, a líder oposicionista foi laureada com o Prêmio Nobel da Paz por sua luta contra os governos chavistas e deixou o país em dezembro para receber a honraria na Europa. González, por sua vez, mesmo do exterior, reafirmou sua posição como presidente legítimo, considerando o sequestro de Maduro como um passo importante, mas insuficiente para a transição política.
Divisões na Oposição
De acordo com Rodolfo Magallanes, professor da Universidade Central da Venezuela, a oposição se divide em dois grupos: um radical, liderado por Machado, e outro moderado que busca diálogo com o governo de Rodríguez. Essa divisão impede qualquer tipo de conversa entre eles, enquanto a oposição moderada trabalha dentro da legalidade para conquistar algumas demandas.
Stalin González, deputado pelo Partido Um Novo Tempo, tomou posse, enfatizando a necessidade de diálogo para libertar presos políticos. Ele criticou conquistas políticas sem respaldo e pediu uma nova abordagem que priorize a reconciliação.
Os partidos próximos a Machado optaram por não participar das eleições legislativas de 2025, argumentando ausência de condições adequadas, enquanto Henrique Capriles, um ex-candidato presidencial, defendeu uma transição política ordenada e pediu pela libertação de presos políticos após o sequestro de Maduro.
Posição dos EUA
Após a captura de Maduro, Donald Trump afastou a possibilidade de María Corina Machado assumir o poder, mencionando que sua falta de apoio interno e respeito tornaria sua liderança improvável. Trump indicou que irá dialogar com Delcy Rodríguez, reforçando a ideia de que uma mudança em liderança requer mais do que simples revanches pessoais.
