Perda de Recursos Hídricos no Brasil Atinge Níveis Alarmantes
O Brasil enfrentou a significativa perda de 400 mil hectares de superfície de água no último ano, uma área superior a duas vezes a cidade de São Paulo. Segundo o levantamento do MapBiomas Água, o total de água natural perdida desde 1985 passa de 2 milhões de hectares.
Crise Hídrica em São Paulo
A região metropolitana de São Paulo está vivendo um momento crítico, com os principais mananciais funcionando com apenas 26,42% da capacidade, conforme dados do Sistema Integrado Metropolitano (SIM). Reservatórios como Cantareira e Alto Tietê estão em níveis de atenção, levando o governo estadual a autorizar a redução de pressão na rede de abastecimento das 19h às 5h.
O Boletim nº 111 do Cemaden indica que, se as chuvas continuarem abaixo da média devido à influência de La Niña, o Sistema Cantareira pode chegar a apenas 18% de seu volume útil em março de 2026, comparação assustadora com os quase 60% operados em 2025.
Aquecimento Global e Suas Consequências
Dados do Copernicus, observatório europeu, revelam que o mundo superou a barreira de 1,5°C de aquecimento médio em 2024. Esse fenômeno tem gerado as chamadas “secas relâmpago”, onde a evaporação ocorre de maneira extremamente rápida, reduzindo a umidade do solo rapidamente, conforme alertou o Cemaden. Em São Paulo, os atendimentos por insolação aumentaram 27% em 2025, somando 1.052 casos nos primeiros 10 meses do ano.
Especialistas da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), nos EUA, e do CPTEC/INPE, no Brasil, indicam que a transição entre um El Niño severo e a atual instalação de La Niña intensificou a crise hídrica. Enquanto o El Niño elevou as temperaturas, a La Niña traz chuvas irregulares, dificultando a recuperação do Sistema Cantareira.
O Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas (ANA) informa que a seca grave se espalhou pelo Vale do Paraíba e Minas Gerais, enquanto 100% do território fluminense está sob seca. Em Pernambuco, a situação é crítica, com relatos de mortandade animal no Sertão. De acordo com a Confederação Nacional de Municípios (CNM), os desastres causados pela estiagem geraram perdas superiores a R$ 700 bilhões na última década.
Perspectivas e Propostas de Solução
O engenheiro florestal André Ferretti destaca que o Brasil precisa se adaptar a um novo cenário de imprevisibilidade causado pela mudança climática. Ele ressalta que fenômenos antes raros agora ocorrem com maior frequência e intensidade, consequência de décadas de emissões de gases de efeito estufa que alteraram as dinâmicas climáticas.
Ferretti enfatiza a relação direta entre a preservação da água e o manejo do uso da terra, chamando o setor privado a olhar além de suas fronteiras para garantir sua própria sobrevivência. “Se não tivermos água, energia e um clima adequado, nossa economia não funciona. Tudo está interligado”, alerta.
Ele explica que a impermeabilização e o desmatamento criam um ciclo vicioso que diminui a capacidade do solo de absorver água. “Desmatamentos e impermeabilizações reduzem reservas e aumentam a propensão a inundações”, destaca.
Apesar do cenário desafiador, Ferretti acredita que há um avanço na conscientização dos brasileiros sobre as mudanças climáticas. A realização da COP30 em Belém, segundo ele, trouxe um “letramento climático” sem precedentes. “Hoje temos uma sociedade mais preparada para essas discussões”, afirma.
Ele finaliza dizendo que o protagonismo do Brasil na agenda ambiental até 2026 é essencial para transformar a situação em ações efetivas. “A natureza pode ser nossa maior aliada se agirmos na restauração do território, garantindo estabilidade para a economia e a sociedade”, conclui.
Fonte: CNN https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/brasil/brasil-perdeu-400-mil-hectares-de-superficie-de-agua-no-ultimo-ano/
