USD: R$ -- EUR: R$ -- BTC: R$ -- BTC: USD --

Brasil Registra Perda de 400 Mil Hectares de Superfície de Água em 2022

Brasil perdeu 400 mil hectares de superfície de água no último ano

Perda de Recursos Hídricos no Brasil Atinge Níveis Alarmantes

O Brasil enfrentou a significativa perda de 400 mil hectares de superfície de água no último ano, uma área superior a duas vezes a cidade de São Paulo. Segundo o levantamento do MapBiomas Água, o total de água natural perdida desde 1985 passa de 2 milhões de hectares.

Crise Hídrica em São Paulo

A região metropolitana de São Paulo está vivendo um momento crítico, com os principais mananciais funcionando com apenas 26,42% da capacidade, conforme dados do Sistema Integrado Metropolitano (SIM). Reservatórios como Cantareira e Alto Tietê estão em níveis de atenção, levando o governo estadual a autorizar a redução de pressão na rede de abastecimento das 19h às 5h.

O Boletim nº 111 do Cemaden indica que, se as chuvas continuarem abaixo da média devido à influência de La Niña, o Sistema Cantareira pode chegar a apenas 18% de seu volume útil em março de 2026, comparação assustadora com os quase 60% operados em 2025.

Aquecimento Global e Suas Consequências

Dados do Copernicus, observatório europeu, revelam que o mundo superou a barreira de 1,5°C de aquecimento médio em 2024. Esse fenômeno tem gerado as chamadas “secas relâmpago”, onde a evaporação ocorre de maneira extremamente rápida, reduzindo a umidade do solo rapidamente, conforme alertou o Cemaden. Em São Paulo, os atendimentos por insolação aumentaram 27% em 2025, somando 1.052 casos nos primeiros 10 meses do ano.

Especialistas da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), nos EUA, e do CPTEC/INPE, no Brasil, indicam que a transição entre um El Niño severo e a atual instalação de La Niña intensificou a crise hídrica. Enquanto o El Niño elevou as temperaturas, a La Niña traz chuvas irregulares, dificultando a recuperação do Sistema Cantareira.

O Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas (ANA) informa que a seca grave se espalhou pelo Vale do Paraíba e Minas Gerais, enquanto 100% do território fluminense está sob seca. Em Pernambuco, a situação é crítica, com relatos de mortandade animal no Sertão. De acordo com a Confederação Nacional de Municípios (CNM), os desastres causados pela estiagem geraram perdas superiores a R$ 700 bilhões na última década.

Perspectivas e Propostas de Solução

O engenheiro florestal André Ferretti destaca que o Brasil precisa se adaptar a um novo cenário de imprevisibilidade causado pela mudança climática. Ele ressalta que fenômenos antes raros agora ocorrem com maior frequência e intensidade, consequência de décadas de emissões de gases de efeito estufa que alteraram as dinâmicas climáticas.

Ferretti enfatiza a relação direta entre a preservação da água e o manejo do uso da terra, chamando o setor privado a olhar além de suas fronteiras para garantir sua própria sobrevivência. “Se não tivermos água, energia e um clima adequado, nossa economia não funciona. Tudo está interligado”, alerta.

Ele explica que a impermeabilização e o desmatamento criam um ciclo vicioso que diminui a capacidade do solo de absorver água. “Desmatamentos e impermeabilizações reduzem reservas e aumentam a propensão a inundações”, destaca.

Apesar do cenário desafiador, Ferretti acredita que há um avanço na conscientização dos brasileiros sobre as mudanças climáticas. A realização da COP30 em Belém, segundo ele, trouxe um “letramento climático” sem precedentes. “Hoje temos uma sociedade mais preparada para essas discussões”, afirma.

Ele finaliza dizendo que o protagonismo do Brasil na agenda ambiental até 2026 é essencial para transformar a situação em ações efetivas. “A natureza pode ser nossa maior aliada se agirmos na restauração do território, garantindo estabilidade para a economia e a sociedade”, conclui.

Fonte: CNN https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/brasil/brasil-perdeu-400-mil-hectares-de-superficie-de-agua-no-ultimo-ano/

Publicações recomendadas

Leia também