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UE adia para 2026 assinatura de acordo com Mercosul

Protestos contra acordo UE-Mercosul

A assinatura do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, inicialmente agendada para este sábado (20/12) em Foz do Iguaçu, foi adiada para janeiro de 2026. A decisão foi confirmada por fontes ligadas ao bloco europeu no Brasil, em uma entrevista ao Metrópoles nesta quinta-feira (18/12).

Contexto do Acordo

Este tratado, que busca criar uma zona de livre comércio entre os dois blocos, representa o fim de mais de duas décadas de negociações. As tratativas foram finalizadas em dezembro de 2024, mas enfrentam resistência de diversas nações europeias, como França, Hungria e Polônia, que tentam barrar ou atrasar a formalização.

Reunião da UE em Bruxelas

Atualmente, os representantes de 27 países da União Europeia encontram-se reunidos em Bruxelas para uma cúpula, onde o tratado com o Mercosul é um dos temas em debate. Na véspera do encontro, a Itália apresentou cautela, com seu governo considerando a assinatura “prematura” e solicitando mais tempo para avaliar o texto do acordo. Essa posição contribuiu para a decisão do adiamento.

Protestos Agrícolas

Um dos principais pontos de contestação diz respeito à concorrência no setor agrícola. Países europeus expressam preocupações de que o acordo permita a entrada de produtos brasileiros e sul-americanos no mercado europeu com menos exigências do que as impostas aos produtores locais, potencialmente resultando em preços mais baixos e impactos negativos à agricultura da UE. Recentemente, agricultores protestaram em Bruxelas, bloqueando ruas e, em algumas situações, enfrentando a polícia.


Protestos contra acordo UE-Mercosul

Novas Salvaguardas Aprovadas

O adiamento ocorreu mesmo após a aprovação pelo Parlamento Europeu de novas salvaguardas a serem incorporadas ao acordo. Essas medidas concedem à Comissão Europeia a capacidade de investigar aumentos significativos nas importações de produtos agrícolas e a entrada de produtos com preços muito inferiores aos praticados na UE. Também estão previstas investigações relacionadas ao cumprimento de normas sobre bem-estar animal, direitos trabalhistas e uso de pesticidas, podendo haver a suspensão de benefícios comerciais em casos de prejuízos comprovados.

Posição do Brasil

Em reação ao adiamento, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) indicou que o Mercosul avaliaria a situação. Embora tenha sinalizado anteriormente que o Brasil poderia encerrar as negociações diante de novos impasses, Lula adotou uma postura mais conciliadora ao afirmar que levaria aos demais países do bloco sul-americano o pedido de adiamento feito pela primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni.

“Ela pediu que tivéssemos paciência por uma semana, dez dias ou, no máximo, um mês. A Itália estará junto com o acordo”, afirmou Lula durante uma entrevista de fim de ano em Brasília.

O apoio italiano é considerado estratégico, pois a aprovação do acordo requer a concordância de pelo menos 15 dos 27 países da União Europeia, que representem 65% da população do bloco. Se o acordo for formalizado, facilitará a entrada de produtos sul-americanos, como carne, açúcar, arroz e soja, no mercado europeu, enquanto ampliará as exportações da UE para o Mercosul, incluindo automóveis, máquinas e vinhos.

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