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Depoente Reconhece Conhecimento de Investigados em CMPI do INSS, Mas Não Esclarece Transferências

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Ex-presidente de Associações de Aposentados É Ouvida pela CPMI do INSS

19/11/2025 – 10:21

Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Cecília Rodrigues Mota, em depoimento à CPMI do INSS

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS ouviu na terça-feira, 18 de novembro, a advogada Cecília Rodrigues Mota, ex-presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas Nacional (Aapen) e da Associação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (AAPB). Durante seu depoimento, ela reconheceu ser proprietária de empresas investigadas por envolvimento em lavagem de dinheiro, embora negasse qualquer origem ilícita em suas movimentações financeiras, que totalizam milhões de reais.

Direito ao Silêncio e Respostas

Amparada por um habeas corpus do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), Cecília inicialmente afirmou que utilizaria seu direito ao silêncio para não prejudicar as investigações. Contudo, ela respondeu a algumas perguntas do relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL).

Ela defendeu sua atuação nas associações e afirmou que sua renda provém exclusivamente de atividades legais, incluindo serviços prestados à Aapen, à AAPB e a outras entidades. Parlamentares, no entanto, mostraram-se céticos quanto às suas justificativas.

Questionamentos sobre a AAPB e Aapen

Ao ser questionada sobre sua gestão nas associações, Cecília destacou que presidiu a AAPB entre 2019 e 2020 e a Aapen de 2018 a 2022, ressaltando que, nesse período, não havia Acordo de Cooperação Técnica (ACT) vigente.

Gaspar, por sua vez, lembrou que a associação foi descredenciada após investigação do INSS e que voltou a atuar sob nova denominação em 2023. Ele comentou sobre repasses milionários realizados para Eric Fidelis, filho de André Fidelis, ex-diretor do INSS, ao que Cecília optou por permanecer em silêncio.

Relations com Outros Investigados

A advogada também se absteve de responder perguntas sobre relacionamentos comerciais e transferências para outras pessoas investigadas, como Thaísa Hoffmann Jonasson e Maria Paula Xavier da Fonseca Oliveira, ambas ligadas a procuradores do INSS. Quando questionada sobre os serviços prestados por Jonasson, Cecília preferiu não responder.

Mesmo reconhecendo conhecer várias figuras ligadas ao INSS, ela afirmou que se tratava apenas de “relações institucionais”. Além disso, manteve o silêncio sobre detalhes de sócios em empresas e movimentações específicas, alegando não ter acesso às provas necessárias.

Movimentações Financeiras e Evolução Patrimonial

Alfredo Gaspar dirigiu questionamentos sobre a evolução patrimonial de Cecília, destacando suas aquisições de veículos de luxo e viagens ao exterior. Ela confirmou possuir dois carros avaliados em mais de R$ 350 mil cada e atribuiu essas compras aos rendimentos da sua atividade como advogada.

Apesar de suas declarações, o relator destacou que as movimentações financeiras totalizam quase R$ 20 milhões, levantando suspeitas de lavagem de dinheiro. “Estamos falando de milhões de reais retirados de aposentados e pensionistas, dinheiro roubado do povo brasileiro”, enfatizou Gaspar.

Propostas de Suspensão de Empréstimos

Por fim, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), reiterou a proposta de suspender a cobrança de empréstimos consignados de aposentados e pensionistas por seis meses, visando proteger as vítimas de fraudes. Viana afirmou que a comissão já possui informações sobre os responsáveis pelos desvios.

“Temos nomes, núcleos, o rastro financeiro, os operadores e quanto cada um desviou. Nada ficará escondido da nação,” concluiu o presidente da CPMI.

Da Redação – RS
Com informações da Agência Senado

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