Portugal está implementando um robusto Plano Nacional de Energia e Clima, visando mitigar os efeitos das mudanças climáticas e alcançar a neutralidade carbônica até 2045. A iniciativa, alinhada com as metas da União Europeia, busca fortalecer a cooperação com países de língua portuguesa.
Parceria Climática com Países Lusófonos
A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça de Carvalho, participou da COP30 em Belém, Brasil, onde discutiu o lançamento de um fundo de 1,5 milhão de euros para promover a transparência nas políticas climáticas entre os países lusófonos. Em entrevista ao enviado especial Felipe de Carvalho, a ministra destacou a importância da criação de uma rede de capacitação e troca de experiências.
“Este fundo visa ajudar na gestão de inventários e financiamentos na área do clima”, explicou Carvalho.
Na mesma ocasião, durante a Cimeira dos Líderes, o primeiro-ministro português, Luís Montenegro, anunciou um aporte de 1 milhão de euros para o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, uma iniciativa brasileira.
Aumento da Energia Renovável
Maria da Graça de Carvalho destacou que, no primeiro semestre de 2023, Portugal alcançou 80% de geração de eletricidade a partir de fontes renováveis, um avanço significativo na descarbonização do setor. No entanto, a ministra alertou que o país ainda enfrenta desafios, como erosão costeira, escassez hídrica no sul e incêndios florestais, muitos dos quais são provocados por ação criminosa.
Metas Ambiciosas e Parcerias Estratégicas
Em relação às Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC), Carvalho afirmou que Portugal está empenhado em atender à meta europeia de redução de emissões, que varia de 66,5% a 72,5%. Para tanto, o país está promovendo parcerias com Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, ampliando projetos de energia renovável, como a expansão de uma central fotovoltaica na Ilha de Santiago, Cabo Verde.
“Ainda falta implementar o projeto em São Tomé, mas Cabo Verde serve como um modelo de sucesso reconhecido globalmente”, disse a ministra.
Desenvolvimento do Fundo Azul até 2026
Na conversa, a ministra também mencionou os planos de Portugal para aumentar a proteção marinha, com a meta de ampliar as áreas protegidas para 30% até 2026, atualmente em 19%. A inclusão da região da Madeira é um dos pontos focais para atingir essa meta.
*Reportagem de Felipe de Carvalho, enviado especial da ONU News à COP30 em Belém.
Entrevista Completa
Na COP30, Carvalho respondeu a perguntas sobre as estratégias de Portugal no combate às mudanças climáticas e o papel do país em iniciativas de financiamento climático direcionadas a países em desenvolvimento.
A ministra falou sobre o esforço contínuo do governo em descarbonizar a eletricidade, já alcançando 80% de fontes renováveis, e sobre a importância de diversas obras de infraestrutura que visam mitigar os impactos climáticos, como a construção de dessalinizadoras.
Em uma abordagem mais ampla, Carvalho reafirmou o compromisso de Portugal com a cooperação entre nações lusófonas e a troca de experiências em políticas climáticas, além de discutir a pesquisa de soluções inovadoras em financiamento climático.
