O encontro foi organizado pela deputada Secretária Márcia Huçulak (PSD) em parceria com a Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Paraná (Faciap).
Créditos: Orlando Kissner/Alep
Uma audiência pública, realizada nesta sexta-feira (19) na Assembleia Legislativa do Paraná, discutiu como as empresas paranaenses devem se adaptar à atualização da Norma Reguladora 1 (NR-1). As novas diretrizes, emitidas pelo Ministério do Trabalho e Emprego, impõem obrigações relacionadas à saúde mental no ambiente de trabalho. O evento foi promovido pela deputada Márcia Huçulak (PSD) em parceria com a Faciap.
Nova Perspectiva sobre Saúde Mental
Segundo Huçulak, a atualização da NR-1 apresenta uma perspectiva diferenciada: “Não se trata apenas da adequação de equipamentos, mas também das condições das relações de trabalho. Essa mudança está em resposta ao aumento de problemas como depressão, burnout, e transtornos de ansiedade”. Flávio Furlan, presidente da Faciap, complementou que a norma traz para a legislação o que já deveria ser prioridade para os empregadores.
Implementação das Novas Normas
A nova norma entra em vigor em maio de 2026, expandindo as ações dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). A partir desta atualização, os empregadores terão a responsabilidade de mapear e gerenciar riscos psicossociais. A procuradora-chefe do Ministério Público do Trabalho (MPT-PR), Patrícia Blanc Gaidex, explicou que a identificação e avaliação dos riscos ocupacionais são fundamentais: “É obrigação do empregador implementar as medidas preventivas necessárias”.
Desafios e Oportunidades
As exigências da nova norma se aplicam tanto ao setor público quanto privado, exigindo um engajamento contínuo das empresas. A procuradora-chefe destacou a importância da qualificação dos gestores e departamentos de Recursos Humanos para a abordagem das questões relacionadas à saúde mental. Rui Alberto Ecke Tavares, do Ministério do Trabalho no Paraná, enfatizou que é necessário um olhar especializado sobre saúde mental nesse contexto.
Impacto na Produtividade e Absenteísmo
O desembargador Célio Horst Waldraff, do Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (TRT-PR), observou que melhores condições de trabalho estão diretamente ligadas à eficiência empresarial: “A qualidade do ambiente de trabalho reflete na atividade empresarial”. Lourival Macedo, vice-presidente da Faciap, alertou que pequenas empresas enfrentam maiores desafios para atender às novas normas.
Transtornos Mentais e Afastamentos
Dados do Observatório da Segurança e Saúde no Trabalho indicam que os transtornos mentais foram a terceira maior causa de afastamentos no Brasil em 2021, com um aumento de 68% em 2024 em relação ao ano anterior. A Organização Mundial da Saúde aponta que o Brasil tem a maior prevalência de depressão na América Latina. No Paraná, de 12 a 15% dos trabalhadores formais enfrentam transtornos mentais, principalmente ansiedade e depressão.
Importância do Debate
Durante a audiência, foi enfatizado que a saúde mental no trabalho vai além do autocuidado individual. Aline Guedes, do Centro Estadual de Saúde do Trabalhador, destacou a influência do ambiente de trabalho na saúde. Além disso, Guilherme Murta, médico do Sesi-Paraná, abordou problemas como o presenteísmo, que ocorre quando o trabalhador continua a trabalhar mesmo doente, aumentando os riscos de acidente e diminuição da produtividade.
Especialistas em Recursos Humanos também participaram da discussão, defendendo que a nova norma deve ser vista como uma oportunidade para melhorar o ambiente de trabalho e o bem-estar dos funcionários. “É essencial que os empresários percebam essa atualização como uma chance de cuidar das pessoas de sua empresa”, concluiu Lisiane Domingos, da Faciap.
