08/09/2025 – 20:24
Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Carlos Lupi, ex-ministro da Previdência Social
Ex-ministro Carlos Lupi defende ações contra fraudes no INSS
O ex-ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, prestou depoimento nesta segunda-feira (8) à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes relacionadas a descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Durante a audiência, Lupi negou a inércia do ministério no combate a essas fraudes.
Colaboração com a Polícia Federal
Lupi destaca que a autarquia sempre tratou das questões de forma autônoma, e que o INSS havia adotado a instrução normativa 162 para coibir irregularidades. “Não deu o resultado que esperávamos. Infelizmente, falhamos em [não] ter uma ação mais enérgica do INSS”, lamentou.
O ex-ministro enfatizou que, mesmo assim, o ministério e a ouvidoria colaboraram com a Polícia Federal, fornecendo informações que sustentaram operações de combate às fraudes. Entre as iniciativas mencionadas, estão a formação de um grupo de trabalho com a Dataprev, a implementação de recursos de biometria e a introdução de ferramentas no aplicativo “Meu INSS” para permitir que segurados bloqueassem descontos não reconhecidos.
Questionamentos sobre fiscalização
Na condição de relator da CPMI, o deputado Alfredo Gaspar (União-AL) indagou Lupi sobre possíveis falhas na fiscalização e a razão do atraso no cancelamento de descontos indevidos, indagando: “Qual foi a primeira vez que o senhor tomou conhecimento dos descontos irregulares de entidades associativas?”.
Em resposta, Lupi afirmou que o INSS começou a implementar medidas para coibir as fraudes em março de 2023. Contudo, reconheceu que somente após a investigação da PF foi possível entender a “dimensão do problema”.
“Naquela época, baseávamos nosso conhecimento apenas nas reclamações da ouvidoria e na plataforma do INSS. A Polícia Federal tem um poder de investigação que eu nunca tive”, disse Lupi.
Nomeações e investigações
Carlos Lupi ocupou o cargo de janeiro de 2023 até maio deste ano, período em que a Operação Sem Desconto, conduzida pela PF e pela Controladoria-Geral da União (CGU), revelou as fraudes.
Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Alfredo Gaspar, relator da CPMI do INSS
O relator também questionou Lupi sobre diversas nomeações no INSS, incluindo a de Adroaldo Portal, secretário-executivo do Ministério da Previdência Social, que supostamente se reuniu com o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Segundo investigações da PF, Antunes é sócio de 22 empresas, muitas das quais estariam ligadas às fraudes.
Em defesa de Adroaldo, Lupi afirmou que ele já tinha um histórico no PDT e considerou seu trabalho na secretaria satisfatório.
Escopo das investigações
A CPMI investiga duas categorias principais de fraudes: descontos automáticos mensais nas aposentadorias e pensões em nome de associações que alegam prestar serviços e possíveis irregularidades em empréstimos consignados. De acordo com a CGU, o prejuízo total com esses descontos, entre 2019 e 2024, ultrapassa R$ 6 bilhões, afetando cerca de 7 milhões de segurados.
Reportagem – Murilo Souza
Edição – Pierre Triboli
