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Neonazista Transita de Gênero e Cumpre Pena em Prisão Feminina na Alemanha

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A transferência de Marla-Svenja Liebich, uma figura conhecida da extrema-direita alemã, para um presídio feminino após mudança de gênero, reabriu o debate sobre a Lei de Autodeterminação na Alemanha. Condenada a um ano e seis meses de prisão, Liebich começa a cumprir pena em um momento em que as políticas de gênero e segurança estão em foco no país.


Lei de Autodeterminação

  • A Lei de Autodeterminação, implementada em 2024, permite que cidadãos maiores de idade alterem oficialmente seu gênero através de uma simples declaração em cartório, sem necessidade de laudos médicos ou tratamentos hormonais.
  • A legislação substituiu a antiga Lei dos Transexuais, de 1980, criticada por exigir procedimentos invasivos.
  • O projeto recebeu apoio dos partidos da coalizão governamental, incluindo o Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD) e Aliança 90/Os Verdes, enquanto foi rejeitado pelos conservadores da União Democrata Cristã (CDU) e da União Social Cristã (CSU), além da Alternativa para a Alemanha (AfD).

Liebich, que se identificava como homem sob o nome Sven Liebich na época da condenação, foi sentenciada em 2023 por incitação ao ódio racial e difamação. Desde a mudança de gênero, passou a se apresentar como Marla-Svenja Liebich, adotando uma nova estética com batom e roupas femininas.

A transferência de Liebich para a prisão feminina de Chemnitz gerou reações desfavoráveis de autoridades conservadoras. O ministro do Interior, Alexander Dobrindt, criticou o uso da Lei de Autodeterminação, afirmando que a medida “ridiculariza a justiça e a sociedade”. Ele defendeu a necessidade de discutir mecanismos que impeçam abusos da legislação.

Histórico de Militância e Polêmicas

A trajetória de Liebich é marcada por envolvimento com a militância neonazista no leste da Alemanha. Ela foi membro do grupo extremista Blood and Honour e administrou uma loja online que vendia produtos voltados para simpatizantes da ultradireita. Em 2022, interrompeu uma parada do orgulho LGBTQIA+, ofendendo os participantes.

Nos últimos meses, Liebich expressou a intenção de se converter ao judaísmo, solicitando dieta kosher e supervisão rabínica durante sua pena. Esta postura provocou críticas do Comissário Alemão para o Antissemitismo, Felix Klein, que considerou a atitude uma “zombaria”.

A Comissária Federal para Direitos Queer, Sophie Koch, afirmou que não há obrigatoriedade legal em manter Liebich na prisão feminina, ressaltando que o caso pode ser explorado por elementos da extrema-direita para fins de propaganda.

Pressão por Mudanças Legislativas

Os blocos conservadores, liderados pela CDU e CSU, intensificaram a pressão por alterações na legislação, apontando que a situação de Liebich evidencia fragilidades na Lei de Autodeterminação.

As discussões também englobam a segurança no sistema prisional. O Departamento Prisional de Chemnitz informou que todas as internas passam por avaliações médicas e psicológicas. A transferência ou separação das detentas ocorre somente mediante uma recomendação específica.

Dados do governo indicam um aumento significativo nos crimes de ódio contra pessoas LGBTQIA+ e de gênero diverso, com os índices quase dez vezes maiores entre 2010 e 2023.

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