Novo Arranjo de Pesquisa em Saúde Pública é Lançado no Paraná
O Governo do Estado do Paraná lançou, nesta segunda-feira (25), o Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) Saúde Pública de Precisão. Com um investimento de R$ 10.909.000,00, a iniciativa visa posicionar o estado na vanguarda dos estudos de genômica clínica no Brasil.
Objetivos do NAPI
O NAPI tem como principal objetivo sequenciar e analisar o genoma de pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A abordagem de Saúde Pública de Precisão busca aprimorar o entendimento das bases genéticas de doenças que afetam a população paranaense, possibilitando diagnósticos mais precisos e uma avaliação mais eficaz em contextos clínicos.
Prevê-se que o novo arranjo de pesquisa seja responsável pela realização do sequenciamento de 2.328 genomas humanos completos.
Especialistas Comentam Iniciativa
Fábio Passetti, pesquisador do Instituto Carlos Chagas da Fundação Fiocruz-PR e articulador do NAPI, destaca que o laboratório do Centro de Saúde Pública de Precisão já possui estudos em andamento. Segundo ele, a nova estrutura contribuirá para diagnósticos e tratamentos mais eficazes.
“O genoma completo é o sequenciamento de todo o material genético do paciente, permitindo uma análise minuciosa e a identificação de alterações genéticas associadas a doenças específicas”, explica Passetti. “A decisão sobre o tratamento será feita em conjunto com a equipe médica que atende os pacientes.”
Marco Histórico para a Medicina Genética
Salmo Raskin, médico e diretor científico da Sociedade Brasileira de Genética Médica e Genômica, também integra a equipe do NAPI. Ele destaca que o foco principal dos estudos serão pacientes com doenças raras, que representam cerca de 6% da população brasileira, sendo 80% dessas condições de origem genética.
Raskin explicou que o NAPI pode reduzir significativamente o tempo conhecido como “odisseia diagnóstica”, o intervalo entre o surgimento dos primeiros sintomas até a confirmação de um diagnóstico de doença rara. “Isso significa salvar vidas ou, no mínimo, melhorar a qualidade de vida dos pacientes”, acrescentou.
Integração de Instituições e Benefícios Sociais
Com o lançamento do NAPI, a Fundação Araucária agora possui 47 arranjos de pesquisa em execução. O presidente da instituição, Ramiro Wahrhaftig, ressaltou a relevância do novo arranjo, que envolve oito hospitais, universidades, institutos de pesquisa e a sociedade civil.
O diretor de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Marcos Aurelio Pelegrina, afirmou que o Paraná está na dianteira da medicina de precisão pública, fortalecendo a estratégia de levar essa abordagem à população atendida pelo SUS.
Parcerias Estratégicas
A criação de redes de colaboração entre instituições e pesquisadores é um dos pilares do NAPI. O diretor do Instituto Carlos Chagas-Fiocruz/PR, Fabiano Borges Figueiredo, enfatizou a importância de soluções inovadoras e sustentáveis para os desafios sociais.
O arranjo conta com 33 pesquisadores de 18 instituições, incluindo o Tecpar. Eduardo Marafon, diretor-presidente do Tecpar, reforçou que essa ação contribuirá para um melhor entendimento das bases genéticas de doenças que afetam a população paranaense.
Fabrício Marchini, diretor de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP), destacou a importância do investimento em alta tecnologia para a saúde pública. “Estamos investindo em um centro de referência em biotecnologia para aplicar tecnologias avançadas em saúde”, afirmou.
Representação e Voz das Famílias
A representante da Aliança Paranaense de Doenças e Síndromes Raras, Shirley Ordônio, enfatizou a relevância da rede de pesquisa para evitar a perda de pacientes devido à falta de conhecimento e diagnóstico correto. “Participar deste momento é emocionante, pois representa luta e esperança para muitas famílias”, concluiu.
