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Comerciante gasta R$ 800 mensais em gelo para armazenar produtos no litoral do Paraná sem luz elétrica

Comerciante gasta R$ 800 por mês em gelo para armazenar produtos em comunidade que não tem luz elétrica no litoral do Paraná

Comunidades do Litoral do Paraná Sem Energia Elétrica

No litoral do Paraná, diversas comunidades ainda enfrentam a falta de energia elétrica, prejudicando a vida de cerca de 10 mil pessoas na região. Moradores, como Durval Martins, relatam dificuldades diárias para armazenar alimentos e realizar tarefas básicas.

Dificuldades de Moradores

Durval Martins, comerciante residente na comunidade de Nova Fátima, em Guaraqueçaba, destina cerca de R$ 800 mensais para a compra de gelo, essencial para conservar seus produtos. A energia elétrica, que poderia facilitar seu trabalho, ainda não está disponível. “O gerador que eu tinha quebrou. Não aguentava mais”, explica.

Dados Alarmantes

Secondo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 10 mil paranaenses vivem sem acesso à energia elétrica. Pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) realizaram um estudo durante quatro anos, entrevistando aproximadamente 650 famílias. O geógrafo Eduardo Vedor destaca o descaso das autoridades com essas comunidades.

Infraestrutura Precária

A ausência de energia impacta severamente a infraestrutura local. Os remanescentes de uma escola têm apenas paredes, e um posto de saúde desativado ilustra a precariedade da assistência médica. Em emergências, moradores precisam viajar por quatro horas de barco para alcançar o hospital mais próximo. Odair José, presidente da Associação de Moradores de Barbados, descreve a situação como “uma injustiça no século XXI”.

Recursos Limitados

O pescador Marciano José Martins utiliza um gerador apenas em emergências, como no caso de seu filho com bronquite. Apesar de improvisos, como placas solares, a energia é insuficiente. “O custo do diesel é alto, e a renda com a pesca também é baixa”, lamenta.

Comparações com Comunidades Vizinhas

Perto da comunidade de Nova Fátima, a eletricidade é uma realidade desde 2013, graças a um sistema de cabos subaquáticos. Enquanto isso, nas comunidades sem energia, moradores improvisam soluções temporárias, como baterias de carros, para iluminação básica.

Esperanças Futuras

Dona Tereza possui eletrodomésticos, mas eles não funcionam sem energia, servindo apenas como despensa. “Temos esperança de que um dia a energia chegue até aqui”, afirma.

Ações Governamentais e Expectativas

A população já cobrou diversas vezes a Companhia Paranaense de Energia (Copel) sobre a falta de atendimento. Entre 2010 e 2012, a Copel instalou painéis solares, mas os moradores relataram que eram insuficientes para seus usos diários. Desde 2021, a Aneel orienta as companhias a priorizar soluções eficientes e de baixo custo para a geração de energia.

Planos para o Futuro

A Copel planeja construir pequenas usinas solares nas residências até março de 2026, buscando atender às necessidades básicas de eletricidade. “Queremos garantir mais energia e confiabilidade para os sistemas locais”, explica Julio Omori, diretor comercial da empresa. A expectativa é que a situação melhore antes do próximo verão.

Conclusão

A falta de energia elétrica nas comunidades do litoral paranaense revela um cenário de desigualdade e abandono. Com promessas de melhorias e novos planos em andamento, a esperança é que soluções eficazes sejam implementadas em breve.

Fonte/Imagem: G1

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