A Importante Contribuição de Dulcia Auriquio para Curitiba
Dulcia Auriquio, reconhecida como a única mulher formada na turma de engenharia civil da Universidade Federal do Paraná (UFPR) em 1954, faleceu no dia 23 de julho, aos 96 anos, em decorrência de broncopneumonia. Sua trajetória profissional foi marcada por contribuições significativas para o planejamento urbano de Curitiba, onde trabalhou na Prefeitura a partir de 1962.
Carreira na Prefeitura de Curitiba
Iniciando sua carreira na prefeitura, Dulcia foi fundamental na criação do setor de engenharia de tráfego e do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC), onde atuou como supervisora e diretora de implantação entre 1965 e 1983. Seu envolvimento na administração pública também incluiu a participação no Instituto de Administração Municipal, na elaboração do novo estatuto dos funcionários públicos municipais e no plano de arborização da cidade em 1968.
Legado e Reconhecimento
Dulcia Auriquio também teve papel ativo no Conselho de Zoneamento, representando o IPPUC em duas ocasiões (1971 e 1973). Durante as gestões de Saul Raiz (1975-1979) e Jaime Lerner (1979-1983), served as assessora técnica do Departamento de Obras Públicas e diretora de urbanismo. Aposentou-se em 1985 e, em 2018, foi homenageada com a medalha da Ordem Municipal da Luz dos Pinhais, concedida pelo então prefeito Rafael Greca, que destacou seu fundamental papel na cidade.
Depoimentos e Oitivas
O prefeito Greca, em nota de pesar, ressaltou as qualidades de Dulcia: “Era uma funcionária exemplar, com imenso carinho, competência e dedicação.” Colegas e amigos também relembram sua integridade e paixão pelo trabalho. Gerson Guelmann descreveu-a como “a gerente da cidade”, enquanto Alberto Paranhos elogiou sua justiça e atenção às leis.
História Pessoal
Nascida em Mallet, Paraná, em 1928, Dulcia cresceu em Joinville, Santa Catarina, e se mudou para Curitiba aos 18 anos. Após se formar, trabalhou em um dos maiores escritórios de cálculo de concreto armado em São Paulo por cinco anos, retornando a Curitiba em 1960 e continuando sua carreira no campo de cálculo estrutural até sua entrada na prefeitura.
De acordo com seu sobrinho Paulo Auriquio, Dulcia foi uma mulher à frente de seu tempo, marcando seu espaço em um mercado dominado por homens e sendo respeitada por sua determinação e conhecimento. Ela era apaixonada por palavras cruzadas e a leitura, preferindo a companhia da literatura à televisão.
Vida Pessoal e Homenagens
Embora tenha optado por não se casar e não ter filhos, Dulcia deixou um legado impressionante e é lembrada com carinho pelos cinco sobrinhos. Ela era avessa a eventos sociais, mas destacava-se nas conversas em família sobre diversos temas. Nos últimos anos, continuou a estudar, fazendo aulas de francês aos 96 anos, refletindo sua incessante busca por conhecimento.
Seus amigos e familiares a descrevem como uma mulher extraordinária, cuja contribuição para a engenharia e urbanismo de Curitiba permanece viva na memória da cidade.
