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Impopularidade: Cem dias de Friedrich Merz na Alemanha

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Em um momento decisivo para a política alemã, o Parlamento (Bundestag) elegeu, em 6 de maio, o conservador Friedrich Merz como chanceler federal. Para analistas, essa decisão poderia representar uma “última chance” para a democracia na Alemanha, em um contexto de crescente polarização e ascensão do populismo de direita. Nas eleições de fevereiro de 2025, o partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD) obteve 20,8% dos votos, indicando um clima de insegurança política e social.

Friedrich Merz assume com desafios políticos

Após a eleição, Merz enfrentou dificuldades imediatas. Ele não conseguiu ser eleito na primeira rodada de votação, faltando seis votos de seus próprios colegas. No entanto, conseguiu a vitória na segunda rodada, assumindo o cargo em um ambiente de instabilidade.

Impopularidade crescente

Nos primeiros 100 dias de governo, a popularidade de Merz caiu consideravelmente. De acordo com uma pesquisa do instituto Insa, apenas 27% dos entrevistados se dizem satisfeitos com a coalizão formada pelo bloco conservador CDU/CSU e pelos sociais-democratas do SPD. Em junho, 37% dos alemães estavam contentes com o novo governo, mas esse número despencou para 27% até agosto, com um aumento significativo na insatisfação.

Atuação na política externa

Apesar da impopularidade interna, Merz destacou-se na política externa. Sua visita à Ucrânia, ao lado do presidente francês Emmanuel Macron, e sua recepção calorosa na Casa Branca com Donald Trump foram bem recebidas, embora seus comentários sobre o ataque de Israel ao Irã tenham gerado controvérsias. Sua abordagem muitas vezes direta e contundente o colocou em evidência, mas também trouxe críticas.

Política migratória restritiva

A migração se tornou um tema central no governo de Merz. O novo ministro do Interior, Alexander Dobrindt, introduziu medidas para limitar a migração irregular, gerando polêmica por potencial violação das leis da União Europeia. As reintroduções de controles de fronteira com a Polônia provocaram longos engarrafamentos, aumentando a tensão entre os países.

Nova dívida e investimentos maciços

Antes mesmo de assumir oficialmente, o novo governo surpreendeu ao formar uma maioria parlamentar que permitiu a suspensão das rígidas regras fiscais alemãs. Isso resultou em um pacote de investimentos de até 1 trilhão de euros, que inclui 500 bilhões para rearmamento e outros 500 bilhões para renovação de infraestrutura e proteção climática. O governo promete que esses investimentos são essenciais para o futuro do país.

Controvérsia sobre a bandeira arco-íris

Uma controvérsia recente envolve a decisão da nova presidente do Bundestag, Julia Klöckner, de vetar a hasteação da bandeira arco-íris durante a parada do orgulho LGBTQI+. Essa medida foi criticada, apesar de Klöckner ter permitido a bandeira em outra data simbólica. Merz defendeu a decisão, sob a alegação de que o Bundestag não é “uma tenda de circo”.

Disputa judicial no Supremo

Ainda em meio a essas controvérsias, o governo se deparou com desafios na nomeação de juízes para o Tribunal Constitucional Federal. A candidata do SPD, Frauke Brosius-Gersdorf, enfrentou resistência e acabou retirando sua candidatura. Essa disputa deve dominar a agenda política ao longo do período pós-recesso de verão, refletindo tensões internas que podem impactar a atual governança.

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