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Financiamento Climático e Reforma de Órgãos no Brics

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Entre os dias 6 e 7 de outubro, o Rio de Janeiro sedia a Cúpula de Líderes do Brics. Neste evento, o Brasil, na presidência rotativa do grupo de países emergentes, discutirá questões prioritárias que vão desde inovações tecnológicas até saúde pública.

As pautas econômicas que dominam a agenda brasileira incluem o financiamento climático e a reforma do sistema financeiro internacional, refletindo as demandas por uma economia global mais inclusiva e sustentável.

Diretrizes para uma Economia Inclusiva

Uma das diretrizes centrais do Brics é “considerar a governança e a reforma dos mercados financeiros, as moedas locais e os instrumentos de pagamento para diversificar os fluxos comerciais e financeiros”. Para alcançar esses objetivos, o grupo tem se apoiado em duas iniciativas principais: a Parceria para a Nova Revolução Industrial e a Estratégia 2030 para a Parceria Econômica.

A Parceria para a Nova Revolução Industrial visa promover o desenvolvimento colaborativo em áreas como inteligência artificial, manufatura inteligente, bioindústria e economia circular. Já a Estratégia 2030, atualizada recentemente sob a coordenação brasileira, busca alinhar a agenda econômica dos países membros com cinco prioridades definidas:

  1. Sistema multilateral de comércio;
  2. Economia digital;
  3. Comércio internacional e investimentos;
  4. Cooperação financeira;
  5. Comércio e desenvolvimento sustentável.

Com o aumento das tensões comerciais e a ascensão de discursos protecionistas, o Brics considera a atualização de sua agenda como um passo fundamental.

Reforma do Sistema Financeiro Internacional

A reforma das instituições financeiras internacionais tem sido uma questão central desde a fundação do Brics e seguirá na agenda até 2026, quando a presidência será assumida pela Índia. Segundo Yashvir Singh, consultor econômico do Ministério do Comércio e da Indústria da Índia, a subrepresentação dos países emergentes em entidades como a OMC, FMI e Banco Mundial mantém desafios que precisam ser abordados.

Essa necessidade foi reafirmada recentemente, sendo vista pelo Brics como uma oportunidade para promover maior abertura e cooperação entre os países membros. De acordo com Maria Laura da Rocha, secretária-geral das Relações Exteriores do Brasil, a atualização da estratégia é um importante avanço para reduzir custos de transação e facilitar os fluxos comerciais.

Financiamento Climático

A parceria econômica proposta pelo Brics também abrange a preservação ambiental. O vice-presidente Geraldo Alckmin destacou que não há desenvolvimento sem respeito à integridade ecológica. A presidência brasileira pretende implementar uma “Agenda de Liderança Climática do Brics”, que inclui uma Declaração-Quadro visando reformar o setor financeiro para ações sustentáveis.

Durante uma reunião técnica recente, os países do Brics avançaram na criação de um mecanismo de garantia financeira para desenvolver ações em áreas como transição energética e infraestrutura resiliente.

Criação de Moeda Comum

Uma das discussões em pauta na Cúpula é a proposta de uma moeda comum entre os membros do Brics, que visa facilitar as negociações sem depender do dólar. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mencionou a ideia como uma forma de fortalecer a autonomia econômica do bloco.

No entanto, essa proposta é delicada e tem sido evitada nas reuniões oficiais, em parte devido a declarações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ameaçou tarifas de 100% sobre países que busquem substituir o dólar.

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