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Afastamento de Guardas Municipais em Curitiba chega a 343 devido a doenças.

Guardas municipais estão adoecendo em Curitiba; 343 foram afastados

Quase 350 Guardas Municipais Afastados por Problemas Mentais em Curitiba

Um levantamento realizado pelo Sindicato dos Guardas Municipais de Curitiba (SIGMUC) revelou que, entre 2017 e junho de 2025, 343 guardas municipais foram afastados devido a transtornos mentais e comportamentais. Os servidores da categoria apontam a precarização das condições de trabalho como um dos principais fatores para o adoecimento psicológico.

Rotina Estressante e Afastamentos

De acordo com João Silva, guarda municipal há seis anos, a intensidade da rotina e as condições de trabalho são motivos de preocupação. “A carga horária é puxada e muitos buscam renda extra. Ouvimos sempre falar de promoções, mas parece apenas conversa,” desabafa.

João relata que sua função envolve atender diversas ocorrências, incluindo violência e segurança em acolhimentos institucionais. Em 2025, foi o primeiro a chegar em três cenas de assassinato, experiências que, segundo ele, são profundamente impactantes. “Em situações extremas, a cabeça precisa estar no lugar,” avalia.

Para Fábio Pereira, guarda com 18 anos de serviço, o adoecimento não afeta apenas os servidores individualmente, mas compromete também a qualidade das decisões tomadas nas operações. “Quem deveria proteger, às vezes, age com descontrole,” observa Fábio.

Acompanhamento Psicológico

Todos os guardas são submetidos a avaliações psicológicas anuais após ingressar na corporação, conforme explica a diretora do Departamento de Saúde Ocupacional da prefeitura, Fernanda Zwir. A identificação de necessidades de tratamento psicológico parte, muitas vezes, da observação dos próprios gestores.

Entretanto, a adesão ao tratamento depende do servidor. “Many do not accept well to being seen disarmed by their peers during treatment,” she adds. Durante o tratamento, o porte de arma é suspenso e uma nova avaliação determina a aptidão do profissional para voltar às ruas.

Demandas por Apoio Psicológico

O SIGMUC solicita que a prefeitura cumpra a Lei Federal Nº 14.531/2023, que exige acompanhamento psicológico específico para profissionais de segurança pública. A presidente do sindicato, Rejane Soldani, afirma que houve avanços, mas ainda é necessário um profissional exclusivo dentro da corporação, como ocorre nas Polícias Militar e Civil.

A diretora Fernanda Zwir garante que a prefeitura já atende muitos princípios da lei, mesmo que de forma diferente, e que todos os servidores são avaliados individualmente.

Desafios na Carreira e Exonerações

Julga-se que a desmotivação em relação ao futuro está entre as causas para a queda do efetivo na guarda. Segundo a SIGMUC, 74 GMs protocolaram exoneração voluntária entre 2017 e 2025. Muitos profissionais, como João, observam que colegas buscam oportunidades em outras instituições, incluindo as Polícias Civil e Militar.

“A perspectiva de sair é alta. Eles não estão se afastando da segurança pública, mas da Guarda Municipal de Curitiba,” analisa.

Promoções e Reconhecimento

Embora a legislação estabeleça critérios para promoção, os servidores afirmam que as oportunidades não se concretizam na prática. “Um guarda pode ter 20 anos de serviço, mas não consegue progresso,” destaca Fábio, ressaltando que mais atribuições são impostas sem aumento proporcional no efetivo.

Respostas da Prefeitura de Curitiba

A prefeitura foi questionada sobre as demandas dos servidores e respondeu que durante o concurso, os guardas são convocados para atuar em diversas regionais, conforme as normas do edital. A Secretaria Municipal de Gestão de Pessoal (SMGP) está trabalhando em um novo concurso para ampliar o efetivo, mas ainda não há previsão para a publicação do edital.

Sobre as gratificações, a administração municipal informou que o avanço nas promoções depende de um procedimento interno e da disponibilidade orçamentária. Contudo, todos os guardas recebem uma gratificação de 50% sobre o salário base, totalizando R$ 4.006,71.

*Os nomes dos guardas municipais são fictícios para proteger a identidade dos entrevistados.

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