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Últimos projecionistas de filmes em película do Paraná estão na Cinemateca de Curitiba

Três funcionários da Fundação Cultural de Curitiba representam a última geração de projecionistas que ainda dominam a arte de exibir filmes em película na capital paranaense. Com a digitalização, essa profissão histórica enfrenta um lento desaparecimento. A Cinemateca de Curitiba, última sala no Paraná a oferecer projeções em película, se torna um verdadeiro santuário para esses profissionais.

Guardians of Cinematic Memory

Élio Borges, Valdenício Pereira da Silveira e Francisco Amâncio da Silva têm, em média, 40 anos de experiência e são reconhecidos como guardiões da memória cinematográfica. Eles começaram a trajetória profissional quase ao mesmo tempo e, ao longo dos anos, enfrentaram a transição tecnológica do cinema.

“Com a digitalização, a projeção em película foi sendo gradualmente substituída por tecnologias mais ágeis e automatizadas, mas isso não intimida os técnicos da Cinemateca”, destaca Valdenício, que começou sua carreira aos 17 anos, em uma cabine de cinema em Sete Quedas, Mato Grosso do Sul.

Uma Paixão que Persiste

Valdenício acredita que seu trabalho vai além de uma simples função técnica. “Eu faço o público sentir emoções durante os filmes. Isso é um dos motivos de eu continuar até hoje”, afirma. Francisco Amâncio, que começou como porteiro no antigo Cine Vitória, também compartilha essa paixão. “Eu me casei com o cinema aos 18 anos, e até hoje não pedi separação”, brinca.

Ambos se destacam por sua dedicação, sendo a experiência uma aliada inestimável. “Projetar não se aprende em sala de aula. É prática, repetição, tato”, reforça Élio Borges, que está na Cinemateca desde 1981 e também mantém os projetores, defendendo a textura e qualidade superior do filme em película.

Histórias Memoráveis no Cinema

A experiência acumulada ao longo da carreira é rica em histórias. Élio recorda com humor um incidente ao projetar um filme de suspense, acidentalmente deixando um trecho de Popeye no início. “Foi um susto e uma gargalhada coletiva”, diz. Francisco, por sua vez, conta sobre uma sessão gratuita de Natal que ele improvisou para compensar a ausência de um funcionário da bilheteria, expressando a tradição de acolhimento que permeia o cinema.

A Última Cabine de Projeção

À medida que o digital avança, os projetores tradicionais se tornam cada vez mais raros. “O digital é prático, você recebe o filme por HD e o projetor liga sozinho”, enfoca Valdenício, que atualmente atua no Cine Guarani. Apesar das novidades, a essência do cinema se mantém. “O importante é fazer o filme acontecer para o público, independentemente da tecnologia”, conclui Francisco, que está se adaptando ao novo projetor digital na Cinemateca.

Atualmente, as salas da Fundação Cultural de Curitiba, incluindo o Cine Passeio, o Cine Guarani e o Teatro da Vila, são equipadas com tecnologia DPC, oferecendo alta qualidade de imagem e som, mas continuam a lembrar a riqueza e a história da projeção em película.

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