5 motivos para ser boteco: as razões que tornam um bar clássico

Uma instituição nacional, tão representativa quanto o samba e o futebol. É difícil alguém que, adulto, não tenha pisado em pelo menos um na vida. No gênero clássico está a graça: música, amigos e cerveja gelada. É claro, estamos falando do boteco, um conjunto de elementos que na sua essência é simples e prazeroso, assim como a vida deve ser.

Despojado de qualquer formalidade, quem visita o Quermesse, em Curitiba, sabe que se trata de uma espécie em extinção: o boteco clássico, que traz consigo uma receita de anos no cardápio, que você só encontra ali; o garçom de anos, que sequer anota o pedido pois o memoriza; a música alta na medida certa pra manter a conversa. Mas será que é só isso que representa? Na avaliação de José Araújo Neto, que toca o espaço desde 2009, existe qualquer coisa de especial em um espaço que nunca adere aos modismos, mas nunca sai de moda.

Se sentir bem-vindo

Um ambiente de boteco clássico nunca deve soar pretensioso, apenas transmitir o que é. “O ambiente foi criado de maneira a remeter nossos clientes às festas de quermesse do interior e de antigamente, lembranças coloridas e alegres assim como o local”, detalha Neto. “Certa vez, fizemos uma adaptação livre de um famoso poema de Carlos Drummond de Andrade, ‘Casa Arrumada’, para divulgar o que acreditamos ser a essência de um boteco como o Quermesse: ‘boteco tem que ser boteco e não centro cirúrgico, cenário de novela. Eu prefiro ir a um onde eu bato o olho e percebo logo: Aqui tem vida!’”

Cardápio com história pra contar

Não importa a inspiração, seja ela da vivência ou com influências diversas, o cardápio de um boteco tem que sintetizar uma história. Ao contrário de ser descritivo, o nome de um prato ou petisco deve transmitir uma sensação, do contrário se torna vazio. “No Quermesse, apostamos na curadoria da minha mãe, Karla Manfredini, que com a experiência de 18 anos como chef agregou muito a essa proposta. Junto à cozinheira Tia Anísia, ela compôs um cardápio abrangente e com influência forte regional, justamente para reforçar a marca nos pratos”.

Cerveja de garrafa

Não há discussão: a cerveja é a alma do boteco. Ao redor de uma mesa cheia de garrafas, há a certeza de uma conversa longa, divertida e cheia de história pra contar. “A cerveja de garrafa, não importa o sabor, representa a aproximação de pessoas e descontração”, define Neto. “Temos uma premissa de sempre oferecer, inclusive, um balde de cerveja com bastante gelo. Isso facilita o consumo das pessoas e permite maior agilidade para os garçons atenderem”.

Petiscos coletivos de qualidade

De que vale beber bem e na hora da fome não ter uma comida de qualidade? Pensando nisso, um boteco clássico tem aquela receita com ingrediente secreto, cujo sabor é especial de lá. A mãe de Neto, Karla Manfredini, fez isso no Quermesse: com a ajuda de Tia Anísia, petiscos como a Carne de Onça, Iscas de Mignon, Frango Mafioso e o Bife Sujo de Alcatra se tornaram marca registrada do espaço. “A ideia do petisco, diferente do prato, é permitir a você comer algo gostoso em um ambiente mais social: levantar da mesa, beliscar o prato e continuar conversando e curtindo um som ambiente”, destaca Neto.

Política no “fio do bigode”

Antigamente, os negócios eram feitos “no fio do bigode”. Essa expressão, segundo historiadores, surgiu em uma época que dar a garantia da sua palavra representava tirar um fio da própria barba, como prova de confiança: o bigode, naquela época, era uma representação de masculinidade. “Hoje, essa expressão se aplica à forma que lidamos com nossos clientes”, reflete Neto. “Não há nada pior que se sentir observado ou que estão desconfiando, em um espaço. Aqui no Quermesse, a proposta é deixar você livre para pagar no momento que quiser, se deslocar livremente e curtir sem preocupações um espaço agradável”.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Câmara de Curitiba aprova suspensão de reajuste e limita correção do IPTU em 2022

O projeto da Prefeitura que adia a revisão da Planta Genérica de Valores e garante que o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) não sofra reajuste em 2022 foi aprovado, por unanimidade, nesta segunda-feira (06/12) em primeiro turno na Câmara Municipal de Curitiba (CMC). A proposta, que recebeu 38 votos favoráveis, será votada em segundo e último turno nesta terça-feira (07/12).

Confirmada a aprovação, a atualização da Planta Genérica de Imóveis fica adiada para outubro de 2022, sendo que o reajuste que será aplicado valerá para 2023.

Dessa forma, os reajustes que estavam em vigor nos últimos anos, de 4% para imóveis residenciais, e de 7% para terrenos (mais a inflação), não serão praticados no IPTU 2022, que terá apenas a correção pela inflação, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).

A revisão da Planta Genérica de Valores atualizaria o valor venal dos imóveis da cidade, de acordo com o mercado. Com isso a cobrança do IPTU poderia variar acima da inflação para aqueles imóveis com valor venal defasado.

“A atual pandemia de Covid-19 teve repercussão no campo econômico, diminuindo a renda de muitas famílias e a receita de muitas empresas, que foram obrigadas a paralisar suas atividades. Fazer essa correção, neste momento, traria inúmeros prejuízos para população”, diz a mensagem da Prefeitura no projeto.

A revisão da Planta Genérica é prevista pela legislação. A Lei Complementar nº 40, de 18 de dezembro de 2001 determina, no § 2º do art. 36, que o Poder Executivo deve encaminhar ao Poder Legislativo, até o dia 15 de outubro do primeiro ano do mandato, projeto de lei com proposta de atualização dos valores unitários de metro quadrado de construção e de terrenos, constantes na Planta Genérica de Valores Imobiliários

No entanto, a valorização imobiliária observada nos últimos quatro anos e a entrada em vigor da nova Lei de Zoneamento, em agosto de 2020, provocaram consideráveis alterações na ocupação urbana, com reflexos diretos no valor venal dos imóveis na capital.

Vai soltar fogos de artifício em Curitiba? Saiba o que é permitido na cidade

Apenas efeitos visuais, sem estampido. Esse deve ser o cenário das festas de fim de ano em Curitiba, pelo segundo ano consecutivo de vigência da lei que proíbe o uso de fogos de artifício com efeitos sonoros na cidade. O consumidor que estiver pensando em adquirir o material para as comemorações, deve estar atento. 

Podem ser usados na capital paranaense fogos de artifício com efeitos de cores, os ditos luminosos, que produzem efeitos visuais sem tiro (fogos de vista, sem estampido). 

“É importante lembrar que a comercialização de fogos com efeito de tiro não é proibida. As lojas fazem a sua parte orientando o consumidor, que deve estar consciente na hora da compra”, explica o superintendente de Controle Ambiental da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Marcos Traad. 

A orientação por parte do comércio é uma exigência do mais recente decreto que regulamenta a norma. Ações de fiscalização do município vem acontecendo neste caráter informativo, informa a diretora de Pesquisa e Monitoramento da Secretaria do Meio Ambiente, Erica Mielke. 

“As lojas receberam cartazes com as informações para que o consumidor não fique em dúvida”, reforça. Também é necessário que o estabelecimento mantenha o cadastro dos compradores, informando o tipo de produto adquirido, data, local e horário previsto da soltura. 

Esforço conjunto

Além de distribuir os folhetos informativos, manter a legislação visível e orientar o consumidor, a Associação Industrial e Comercial de Fogos de Artifício do Paraná (Aincofapar) criou selos que diferenciam os dois tipos de fogos para facilitar a identificação na prateleira. O verde está presente nos produtos com uso liberado em Curitiba e o vermelho, nos que não podem ser soltos na cidade.

O presidente da entidade, Rodolpho Aymoré Junior, conta que o projeto é piloto e que os selos estão disponíveis aos associados. Ainda de acordo com ele, a Aincofapar tem uma lista para orientar a identificação, conforme a legislação municipal. “É uma espécie de homologação dos ‘fogos ecológicos’ que possuem uma frequência sonora menor e atendem aos requisitos da legislação”, comenta.

Para o consumidor que está na dúvida, Aymoré explica que os fogos sem estampido mantêm a beleza e a plasticidade, sem prejuízo nenhum ao evento. “Com a vantagem de poderem ser utilizados em qualquer cidade do Brasil”, acrescenta e alerta, ainda, para que a compra seja feita, sempre, por maiores de 18 anos, em lojas devidamente autorizadas.

O que diz a lei

As multas para o cidadão que fizer a soltura ou manuseio dos fogos proibidos variam de R$ 400 a R$ 100 mil, conforme a gravidade da infração. O comércio que não cumprir as normas de orientação e cadastro pode ter o alvará cassado.

Selos desenvolvidos para os produtos para facilitar a venda e orientar os consumidores sobre a legislação municipal. Curitiba, 06/12/2021. Foto: Levy Ferreira/SMCS.

A demanda é, principalmente, da proteção animal, mas também beneficia crianças, especialmente aquelas com Transtorno do Espectro Autista, e os idosos, que também sofrem com os barulhos dos fogos.

A lei foi uma proposta da Câmara Municipal, ainda em 2019, com a motivação, em especial, de proteger animais domésticos, a fauna silvestre, bebês e pessoas portadoras de transtornos do espectro autista. Quem flagrar a soltura de fogos com barulho na cidade, deve fazer a denúncia pela Central 156.