1,1 milhão de paranaenses não tomaram a segunda dose, aponta estudo da Secretaria de Saúde

Um levantamento realizado pela Secretaria de Estado da Saúde mostra que 1.184.889 paranaenses estão com a segunda dose da vacina contra a Covid-19 em atraso. Desses, 1.006.617 não tomaram a D2 de Pfizer/Biontech ou Oxford/AstraZeneca, cujo intervalo de aplicação variou de quatro a seis meses ao longo do ano, e 178.272 não tomaram o reforço da CoronaVac/Butantan, cujo prazo é menor, de apenas três semanas.

O estudo leva em consideração os chamados faltosos, pessoas que apareceram para tomar a primeira dose e por algum motivo não especificado não tomaram a segunda. O balanço, que utiliza dados até a quarta-feira (8), também considera possível atraso das informações repassadas pelos 399 municípios ao Ministério da Saúde, que regula o sistema de informações. Os dados ainda são preliminares.

Segundo o Ministério da Saúde e as farmacêuticas que fabricam as três vacinas, a proteção mais alta contra as formas mais graves da doença acontece duas semanas após a aplicação da segunda dose. Atualmente, já foi aprovada a terceira dose em toda a população adulta depois de cinco meses da segunda aplicação, com orientação para que a adicional seja de fabricante diverso das primeiras.

Segundo o relatório, as Regionais de Saúde com os piores índices em termos absolutos e de todas as doses são Metropolitana (2ª RS), com 321.345 (27% do total), e Guarapuava (5ª RS), com 269.071 (22% do total). Elas correspondem a quase metade do número de faltantes. Proporcionalmente a região do Centro-Sul, bem menos populosa que a Capital, é a com maior índice de faltosos.

Depois dessas as com mais casos são Maringá (15ª RS), com 75.748 pessoas, Ponta Grossa (3ª RS), com 72.248, e Londrina (17ª RS), com 58.400. Ivapoirã (22ª RS) é a que menos registra casos em termos absolutos (8.991). Veja o relatório das regionais  AQUI .

No recorte por idade, os mais faltosos fazem parte da população idosa. São 523.799 (44%) com 95 anos ou mais, 168.194 entre 90 e 94 anos, 123.066 entre 85 e 89 anos e 99.482 entre 80 a 84 anos, uma pirâmide que fica mais estreita conforme a idade abaixa. Entre 18 e 19 anos são apenas 36 pessoas. Entre 20 a 24, 250 pessoas. Veja AQUI .

O secretário estadual de Saúde, Beto Preto, alerta que o tema foi inclusive alvo da 5ª Reunião Ordinária da Comissão Intergestores Bipartite (CIB) nesta quarta-feira (8), no qual foi reforçado o pedido para os municípios realizarem busca ativa nas suas populações. O colegiado reúne secretarias municipais e o Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Paraná (Cosems/PR).

“Temos vacinas para atender todo esse público e precisamos vacinar com a segunda dose, o que garante proteção completa. Temos que resolver essa situação em paralelo com a chegada das terceiras doses para a população. O Paraná tem uma tradição de vacinação e temos que ir atrás dessas pessoas. É um esforço pela defesa da sociedade”, afirmou.

VACINAÇÃO EM NÚMEROS – Quase 11 meses após o início da campanha, segundo o Vacinômetro nacional, o Paraná já aplicou 17.779.208 doses. É o quinto estado que mais aplicou primeiras doses, com 8.956.828 imunizantes administrados, e o sexto que mais completou o esquema vacinal em toda a população, com 7.536.231 segundas doses e 21.422 doses únicas. Atualmente, 67% da população está com as duas doses, segundo o consórcio de veículos de imprensa.

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Saúde prorroga até 30 de setembro a campanha de vacinação contra a pólio

Saúde prorroga até 30 de setembro a campanha de vacinação contra a pólio

Entre as estratégias que resultaram em aumento da cobertura vacinal em Curitiba está a adesão, pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS), ao calendário de campanhas nacionais de imunização. A mais recente, da vacinação contra a poliomielite para crianças que ainda não completaram 5 anos, foi prorrogada até 30 de setembro, seguindo a decisão do Ministério da Saúde.

Nesta campanha, além do grupo-alvo, crianças menores de 1 ano serão imunizadas conforme o esquema vacinal primário. 

A campanha nacional também incentiva a atualização das carteiras vacinais de crianças e adolescentes até 15 anos. Curitiba vem ofertando permanentemente a atualização vacinal para todas as faixas etárias em 106 unidades de saúde.

Público-alvo

As crianças de 1 a 4 anos que já receberam três doses da Vacina Inativada Poliomielite (VIP) do esquema de rotina recebem uma dose extra, da Vacina Oral Poliomielite (VOP). É a famosa vacina “da gotinha”.

O Ministério da Saúde ampliou o prazo da campanha nacional com o objetivo de aumentar a cobertura vacinal do esquema de rotina (em Curitiba, de 88,9%) e a cobertura de crianças entre 1 e 4 anos que receberam a dose da VOP (22,2%).

O Brasil não registra casos da doença desde 1989 e mantém o certificado de eliminação da pólio em 1994, mas o vírus continua presente em outros países, aumentando a necessidade de medidas preventivas.

Em julho, um caso da doença foi confirmado em Nova Iorque (EUA). Neste mês, o vírus foi detectado nos esgotos novaiorquino e de Londres (Inglaterra). Clique aqui e saiba mais sobre os riscos da poliomielite.

Locais de vacinação

A SMS aplica todas as vacinas do calendário nacional continuamente em 106 unidades de saúde e para todas as faixas etárias (crianças, adolescentes, adultos e idosos). Há também oferta contínua das vacinas contra gripe (para pessoas com 6 meses de idade ou mais) e contra a covid-19 (aos públicos já convocados – tanto para o esquema vacinal inicial como para doses de reforço).

Confira os locais e horários de vacinação no site Imuniza Já Curitiba.

Consulta vacinas pendentes

Para verificar se há vacinas pendentes, basta acessar o Aplicativo Saúde Já Curitiba (site ou smartphone), clicar na opção “Carteira de Vacinação” e escolher a aba “Pendentes”, que irá mostrar as doses do calendário nacional de vacinação em atraso.
 

Veja a matéria no site da Prefeitura de Curitiba

Como o aumento de casos de insuficiência renal e a pandemia de Covid-19 estão relacionados?

Durante a pandemia da Covid-19, houve um aumento de pacientes que desenvolveram insuficiência renal e que, agora, necessitam de hemodiálise. Segundo um estudo feito por pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) e da Escola Paulista de Medicina, em 2021, cerca de 36% dos pacientes, que apresentaram sintomas graves de Covid-19, desenvolvem lesão renal aguda (LRA). A causa não é bem esclarecida, mas parece ser multifatorial.

Dentro disso, a citotoxicidade do próprio vírus, microangiopatia trombótica e alterações sistêmicas hemodinâmicas são os principais fatores. Os termos são complexos, mas é de extrema importância o conhecimento sobre a comprovada relação causal da insuficiência renal com casos graves de Covid-19. A pandemia trouxe à tona temas que vão além do comprometimento pulmonar.

A doença é leve na maioria dos casos, mas, para alguns, pode ser multissistêmica, complexa e acometer qualquer órgão. Em geral, compromete quem já tem fatores de risco, mas há muitos casos conhecidos de quem necessita de hemodiálise ou mesmo de transplante renal sendo completamente hígidos previamente.

Entretanto, um estudo publicado no periódico Frontiers in Physiology no último ano mostrou que o fator principal que leva o novo coronavírus a afetar o sistema renal, é a interação do vírus com uma enzima chamada ‘conversora de angiotensina 2’, responsável por permitir que o vírus se replique no organismo.

Além disso, ela também regula a pressão arterial do corpo humano. Quando essa enzima entra em contato com o Sars-cov-2 pode ter o comprometimento do fluxo sanguíneo e da filtragem do sangue pelos rins, causando a insuficiência renal.

Uma vez identificado o quadro de insuficiência renal, é necessário o acompanhamento com dois especialistas: o médico nefrologista e o cirurgião vascular. O primeiro definirá qual a gravidade do quadro e a necessidade de se iniciar hemodiálise ou não. O vascular será aquele quem irá prover e preservar o acesso pelo qual a hemodiálise é realizada.

Pacientes com essas condições devem ser anualmente avaliados quanto a função renal e, em caso de qualquer alteração, como aumento da creatinina no sangue ou níveis de proteína elevados na urina, devem ser encaminhados ao médico nefrologista.

A forma mais segura, com menor risco de reinternações e, comprovadamente, de maior sobrevida a longo prazo, é através da fístula arteriovenosa. Ela consiste na comunicação de uma veia com uma artéria, em que torna possível, através de agulhas, a aspiração e devolução do sangue que será filtrado pela máquina de hemodiálise.

Esse é um tema que gera muitas dúvidas e medo aos pacientes. Por conta disso, o vascular precisa ser consultado, pois muitos paradigmas podem ser quebrados em relação ao acesso para hemodiálise. Nesse cenário, é preciso frisar que pacientes com fístulas arteriovenosas apresentam baixa taxa de infecção, diminuição no número de internações hospitalares e, consequentemente, menor taxa de mortalidade.

A insuficiência renal é uma doença silenciosa e, no Brasil, as principais causas são hipertensão crônica e diabetes. De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) em 2019, estima-se que mais de 10 milhões de pessoas tenham alguma condição renal no país. A maioria das pessoas que identifica a redução da função renal precocemente consegue parar ou mesmo reverter o quadro de piora da função dos rins e vive normalmente sem que um dia necessite de hemodiálise.

Sobre o Dr. Carlos André Pereira Vieira

É médico com 15 anos de experiência (2007). Graduação em medicina pela Universidade Federal do Espírito Santo (2002-2007), fez residência médica em Cirurgia Geral pela Irmandade Santa Casa de São Paulo (2008-2010) e residência em Cirurgia Vascular no Hospital do Servidor Público Estadual (IAMSPE) 2010-2012. Possui Título de Especialista em Cirurgia Vascular, Endovascular e Ecodoppler pela SBACV e CBR desde 2013. Médico titular em cirurgia vascular no Hospital Paulistano de 2012 a 2019. Atualmente, é médico titular no principal hospital do Grupo DASA em São Paulo (Hospital Nove de Julho). Atua em consultório próprio na realização de exames e consultas na Av. Paulista, 91, conj. 307.

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