Ação contra Tráfico de Mulheres e Exploração Sexual Alcança Seis Estados e Irlanda
Uma operação conjunta da Polícia Federal (PF) brasileira e autoridades da Irlanda resultou na prisão de oito pessoas suspeitas de tráfico de mulheres e exploração sexual. A operação, chamada Cassandra, foi realizada na quarta-feira (3) e visa desarticular uma organização criminosa que atua desde 2017.
Relato de Vítima
Uma das vítimas, que preferiu não se identificar, contou ao NSC Total que foi aliciada em uma casa noturna da Grande Florianópolis. Segundo ela, o recrutador a convenceu de que poderia fazer muito dinheiro na Irlanda, mas a realidade foi bem diferente. “Ele disse que eu era bonita e iria fazer muito dinheiro lá fora”, revelou.
A mulher descreveu a rotina exaustiva a que foi submetida: “Ficávamos 24 horas sem dormir, era um cansaço extremo. Além disso, havia agressões verbais sempre que cometíamos um erro.” Apesar de ter ganhado dinheiro, o desgaste emocional e físico a levou a abandonar a operação após alguns meses.
Operação Cassandra e Detenções
Durante a operação, cinco pessoas foram detidas no Brasil e três na Irlanda. A Polícia Federal identificou até o momento 70 mulheres que eram exploradas sexualmente. As investigações continuam, mas os nomes dos presos ainda não foram divulgados.
Condições Implacáveis de Trabalho
As vítimas, que viviam em casas controladas pela organização, eram forçadas a trabalhar de 9h40 até 3h ou 4h da madrugada, totalizando jornadas de até 18 horas por dia. Além disso, tinham apenas uma folga por mês e eram penalizadas financeiramente por qualquer infração, como atrasos ou barulho.
Uma das jovens relatou que os programas, que variavam entre 150 e 250 euros, eram depositados nas contas da organização, que descontava aluguéis e multas antes de repassar o dinheiro. Várias mulheres acabaram endividadas e impossibilitadas de deixar o esquema.
A Investigação
O delegado Farnei Franco Siqueira, responsável pela operação, destacou que a organização era composta por diversos integrantes dedicados ao recrutamento de mulheres, principalmente jovens em situação de vulnerabilidade financeira. “A recrutação era baseada em características físicas e situações pessoais das vítimas”, explicou Siqueira.
Além da exploração sexual, o grupo é acusado de rufianismo, lavagem de dinheiro e fraudes financeiras. A operação foi realizada em colaboração com a EUROPOL e a Garda National Protective Services Bureau, da Irlanda, que também executou a Operation Rhyolite, visando os mesmos criminosos no país europeu.
Próximos Passos
As apurações da Polícia Federal seguem em andamento e novas informações devem ser divulgadas em breve. A ação sublinha a necessidade de um combate rigoroso ao tráfico de pessoas e à exploração sexual em contextos internacionais.
Fonte/Imagem: G1
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