Em uma consulta pública recente sobre reformas no setor petrolífero da Venezuela, a presidente interina Delcy Rodríguez deixou claro que o país não aceitará ordens de nações estrangeiras. No entanto, ela também fez um apelo pela entrada de investimentos internacionais no setor, sinalizando uma possível abertura econômica que coincide com o interesse do governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump.
Captura de Maduro e Implicações
- Nicolás Maduro foi capturado pelos Estados Unidos em 3 de janeiro durante uma operação militar norte-americana na Venezuela.
- A administração Trump alega que a ação integra uma estratégia de combate ao tráfico de drogas na América Latina.
- Os EUA passaram a denunciar Maduro como líder de um cartel de drogas, embora a Justiça norte-americana tenha recuado em parte das acusações, apesar do indiciamento por vínculos com o tráfico.
- Após a queda de Maduro, Trump declarou que os Estados Unidos assumiriam um papel ativo na nova fase da Venezuela até que uma transição ocorra.
Em Caracas, líderes do chavismo se reuniram com civis e empresários para discutir uma reforma na Lei de Hidrocarbonetos Orgânicos de 2006, que ampliou o controle estatal sobre o petróleo. A proposta, que já avançou na Assembleia Nacional, permite a operação independente de empresas estrangeiras no setor petrolífero.
Durante a reunião, Delcy Rodríguez afirmou que a reforma pode revitalizar a economia do país e reposicionar a Venezuela como um grande produtor de petróleo, apesar de suas vastas reservas atuais.
“Esperamos, com essa reforma, captar importantes fluxos de investimentos internacionais”, declarou a líder interina.
Jorge Rodríguez, irmão de Delcy e presidente do Parlamento, também apoiou a reforma, enfatizando a necessidade de investimentos estrangeiros para o crescimento do setor petrolífero.
A proposta passará por votações finais na Assembleia Nacional na próxima semana, após consultas públicas e sugestões de mudanças no texto.
Atendendo a Demandas Norte-Americanas
As declarações dos líderes chavistas revelam uma coincidência com expectativas do governo Trump. Após a operação que resultou na captura de Maduro, Trump anunciou que os EUA manteriam uma presença significativa na nova realidade venezuelana, apontando ficar “tudo ligado ao petróleo”.
Especialistas afirmam que a mudança de postura das lideranças venezuelanas em relação aos EUA reflete a “lei do mais forte”, destacando que os Estados Unidos optaram por manter Delcy no poder para evitar uma desestabilização maior, semelhante ao que ocorreu em outros países como Líbia e Iraque.
“As discussões sobre abrir o setor petrolífero fazem parte de uma agenda imposta por Donald Trump e Marco Rubio, que advertiram que a nova administração pode enfrentar o mesmo destino de Maduro se não cooperar. Não se trata de negociações, mas de um estado de submissão”, afirma Ricardo S. De Toma, especialista em Estudos Estratégicos Internacionais.
Após a queda de Maduro, Delcy assumiu a presidência interina e começou a atender demandas de Washington, mantendo um discurso de defesa da soberania nacional. Um dos primeiros atos foi a autorização para o envio de 50 bilhões de barris de petróleo a serem vendidos nos EUA, com parte dos lucros retornando à Venezuela. A quantia já gerou US$ 300 milhões ao governo interino.
A estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) também comunicou a abertura de negociações para a venda de petróleo aos norte-americanos. Além disso, Trump solicitou um maior investimento estrangeiro no setor petrolífero, conforme previsto na reforma de Delcy Rodríguez. O líder norte-americano tem incentivado empresas dos EUA a investir até US$ 100 bilhões na Venezuela, embora empresários revelem preocupação com a instabilidade política após a queda de Maduro.
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