Vaticano tenta negociar saída de Nicolás Maduro da Venezuela antes de captura pelos EUA
Um relatório publicado pelo The Washington Post revela que o Vaticano esteve envolvido em negociações para uma possível saída do presidente venezuelano Nicolás Maduro para a Rússia, dias antes da operação dos Estados Unidos que resultou em sua captura no último dia 3 de janeiro. As informações foram obtidas a partir de documentos governamentais.
Negociações para evitar violência
De acordo com a publicação, o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado da Santa Sé, procurou autoridades americanas para sugerir a oferta de asilo político a Maduro como uma alternativa para evitar maior instabilidade na Venezuela. Essa proposta incluía garantias de segurança tanto para o presidente quanto para sua família.
Captura e acusações contra Maduro
- Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados por forças dos EUA e levados a Nova York para julgamento.
- Maduro é acusado de liderar uma rede criminosa no Estado venezuelano que facilitou o envio de cocaína aos EUA, em um esquema que perdurou por mais de 20 anos.
- Além dele, outras figuras influentes, como Diosdado Cabello, Cilia Flores e Nicolás Maduro Guerra, filho do presidente, também enfrentam acusações similares.
- As acusações incluem narcoterrorismo, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, com penas que vão de 20 anos a prisão perpétua. Maduro se declarou inocente.
Urgência nas negociações
Em 24 de dezembro, Parolin comunicou-se com urgência com Brian Burch, embaixador dos EUA na Santa Sé, para esclarecer os planos de Washington em relação à Venezuela. Durante essa conversa, o cardeal expressou preocupações sobre se a ação americana visava apenas o combate ao narcotráfico ou se buscava uma mudança de regime.
Parolin reconheceu que Maduro deveria deixar o poder, mas sustentou que a saída deveria ser negociada, propondo que a Rússia concedesse asilo ao mandatário venezuelano.
“O que foi proposto a Maduro foi que ele fosse embora e pudesse desfrutar do seu dinheiro”, afirmou uma fonte sobre as negociações, indicando que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, estaria disposto a oferecer garantias pessoais.
Tentativas frustradas de acordo
Apesar da intervenção diplomática, as negociações não avançaram e, em 3 de janeiro, Maduro e sua esposa foram capturados por autoridades americanas. O casal enfrenta graves acusações relacionadas ao narcotráfico.
Os esforços para garantir um refúgio seguro para Maduro envolveram não apenas o Vaticano, mas também intermediários de países como Rússia, Catar e Turquia, além de outros atores internacionais, em uma tentativa de evitar a escalada do conflito.
O Vaticano lamentou a divulgação de trechos de conversas confidenciais e afirmou que o conteúdo não representa com precisão os diálogos realizados. O Departamento de Estado dos EUA se absteve de comentar, e o Kremlin não respondeu às solicitações de posicionamento.
Recusa de acordos e percepção equivocada
Conforme o The Washington Post, Maduro teria recebido várias advertências para deixar o poder antes da ofensiva, mas rejeitou as propostas, acreditando que os EUA não tomariam medidas decisivas e que poderia permanecer no cargo com possíveis mudanças no cenário político americano.
Em uma conversa com o ex-presidente Donald Trump, em novembro, Maduro interpretou a interação como favorável, enquanto a Casa Branca considerava o diálogo uma advertência clara. O convite para Washington, com a oferta de salvo-conduto, também foi recusado por Maduro.
“Ele não aceitou o acordo, acreditando que nada aconteceria”, destacou uma fonte não identificada.
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