O Super Bowl LX, um dos maiores eventos esportivos dos Estados Unidos, ocorre neste domingo (8/2) no Levi’s Stadium, na Califórnia, e traz à tona tensões políticas. A escolha do cantor porto-riquenho Bad Bunny como atração principal do show do intervalo ocorre em um clima de escalada das operações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) e um discurso hostil da Casa Branca em relação às comunidades latinas.
Disputa entre Celebração e Conflito Político
A partida deste ano contará com a disputa entre o New England Patriots e o Seattle Seahawks. A presença de Bad Bunny, conhecido por suas críticas à política migratória dos EUA, gerou reações significativas, incluindo uma manifestação do presidente, que considerou a escolha “lamentável” e afirmou que eventos desse porte estariam sendo “instrumentalizados politicamente.”
Em resposta, o ex-presidente Trump anunciou que não comparecerá ao jogo, simbolizando um distanciamento entre o governo e uma parte considerável da população latina nos Estados Unidos.
Operações do ICE e o Clima de Medo
Nos últimos meses, o ICE intensificou suas operações em grandes centros urbanos, resultando em detenções em massa e denúncias de abusos de autoridade. Esse endurecimento criou um clima de medo, especialmente entre imigrantes e descendentes de latino-americanos, que agora evitam eventos públicos de grande visibilidade.
Rumores sobre a possível presença de agentes do ICE nos arredores do Super Bowl geraram preocupações entre organizações de direitos humanos e ativistas migratórios. A NFL, por sua vez, assegurou que não haverá operações migratórias associadas ao evento, mas o temor persiste, refletindo uma política que tem normalizado a vigilância e a repressão como formas de controle social.
Retórica Anti-Imigração
- A retórica ríspida contra a imigração foi retomada por Trump, que a associa a criminalidade e à perda de soberania.
- Essa abordagem se traduz em ações concretas como o fortalecimento do ICE e a redução de garantias legais para imigrantes.
- A situação evidencia uma disputa mais ampla sobre identidade nacional e quem deve ocupar o centro do espetáculo americano.
O Papel de Bad Bunny
Bad Bunny, símbolo da resistência cultural, vai além de ser apenas a atração do show do intervalo. Originário de Porto Rico, o artista se destacou por sua música que combate o colonialismo e a marginalização das comunidades latinas. Recentemente, ao conquistar o Grammy de “Álbum do Ano” pelo disco *Debí Tirar Más Fotos*, fez referências explícitas ao ICE e defendeu a dignidade dos migrantes.
“Fora, ICE”, iniciou Benito. “Nós não somos selvagens, não somos animais. Somos seres humanos e somos americanos”.
Bad Bunny também ressaltou a importância do amor em vez do ódio durante suas apresentações, enfatizando a luta pela igualdade e pela construção de um espaço mais justo para todos.
As músicas do artista, como *Nuevayol*, abordam a vida dos imigrantes em Nova York e as dificuldades enfrentadas por latino-americanos. O videoclipe dessa faixa ironiza o ex-presidente, simulando uma declaração de Trump reconhecendo a contribuição dos latinos para a formação dos Estados Unidos.
Além disso, as letras de Bad Bunny abordam temas como pertencimento e desigualdade social, consolidando sua carreira como uma das mais politizadas na cena musical atual.
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