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Síria: Presidente Interino Anuncia Cessar-Fogo Imediato em Sueida

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Cessar-fogo anunciado na Síria após intenso conflito em Sueida

O presidente interino da Síria, Ahmed al-Sharaa, declarou neste sábado (19) um cessar-fogo imediato na região de Sueida, no sul do país. A trégua foi mediada pelos Estados Unidos e visa pacificar os conflitos entre tribos locais e combatentes drusos, que resultaram em mais de 700 mortes, conforme informações do Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Conflitos e tensões persistem

Ainda assim, agressões continuarão sendo registradas após a entrada de grupos sunitas que apoiam as tribos beduínas contra os drusos, uma minoria ligada ao Islã xiita. Em resposta à escalada da violência, o governo sírio enviou uma força especial para a região de Sueida na tentativa de estabilizar a situação.

Em um discurso televisionado, Ahmed al-Sharaa enfatizou o compromisso do Estado sírio de proteger todas as minorias e condenou os crimes cometidos na região. O anúncio do cessar-fogo foi confirmado pelo enviado dos Estados Unidos para a Síria, Tom Barrack, que também pediu aos drusos, beduínos e sunitas que depusessem as armas e colaborassem na construção de uma identidade síria unificada.

Retirada de tropas e possibilidade de conflito

Na sexta-feira (18), al-Sharaa informou que a retirada das tropas sírias visa evitar uma “guerra aberta” com Israel, que, em sua defesa, bombardeou alvos do governo sírio, afirmando proteger os drusos que vivem na região. Essas ações geraram críticas de grupos drusos e testemunhas, que acusaram o governo sírio de apoiar civis beduínos durante os confrontos.

O cessar-fogo coloca a responsabilidade pela segurança nas mãos dos drusos, que foram posteriormente acusados de violar os termos do pacto. Esses eventos destacam a dificuldade do novo governo sírio em manter a segurança e a proteção das minorias, um compromisso colocado em dúvida pelos recentes incidentes de violência na região.

Preocupações com a situação humanitária

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) expressou séria preocupação com a deterioração da situação humanitária em Sueida. O chefe da delegação do CICV na Síria, Stephan Sakalian, alertou que os hospitais estão enfrentando dificuldades crescentes para atender os feridos. A escassez de recursos básicos como água e medicamentos tem agravado a crise.

Rouba, funcionária do hospital público de Sueida, revelou que a instalação recebeu mais de 400 corpos desde a última segunda-feira (14). Com as comunicações cortadas, a cidade enfrenta uma situação catastrófica, sem água potável ou eletricidade, impossibilitando o atendimento adequado aos cidadãos necessitados.

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu por investigações rápidas e independentes em relação à violência na Síria, ressaltando a urgência de proteger todas as pessoas envolvidas. Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), cerca de 80 mil pessoas foram deslocadas devido aos conflitos recentes. Antes da guerra civil em 2011, a comunidade drusa na Síria contava com aproximadamente 700 mil membros.

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