O Governo do Estado, por meio das secretarias estaduais do Turismo (Setu) e do Planejamento (Sepl), realiza nesta quarta-feira e quinta-feira (4 e 5), em Foz do Iguaçu, o Seminário Rota Turística Caminhos do Peabiru. O encontro marca a entrega final dos trabalhos realizados pela consultoria contratada pela Paraná Projetos, com execução da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento Científico da Universidade Estadual de Maringá (Fadec/UEM). A programação reúne gestores públicos, especialistas e lideranças do setor turístico.
A iniciativa pretende consolidar o antigo caminho transcontinental indígena, que ligava os oceanos Atlântico e Pacífico, como um dos principais produtos de turismo cultural, histórico e de ecoturismo do Paraná. O projeto reúne ações de valorização do patrimônio histórico e cultural, conservação ambiental, desenvolvimento regional sustentável e geração de renda nos municípios que integram o percurso.
O secretário estadual do Turismo, Luciano Bartolomeu, destacou que a estruturação do roteiro pode ampliar as oportunidades de desenvolvimento do setor no Estado. “Quando falamos em Caminhos do Peabiru, falamos da valorização da história, da cultura e da natureza, com respeito aos povos indígenas e comunidades tradicionais. O desafio agora é transformar a rota em produto turístico e divulgá-la, com sinalização, segurança e qualificação de toda a cadeia de serviços, como hotéis, restaurantes, pousadas e comércio local”, afirmou.
Bartolomeu também relacionou a consolidação do percurso ao crescimento do turismo internacional no Paraná. “Quem viaja quer ter segurança, e isso depende de capacitação. O Paraná recebeu mais de 1 milhão de turistas estrangeiros em 2025, um recorde histórico. Neste ano, a Embratur já registrou 700 mil até setembro, a expectativa é chegar a 1,2 milhão em 2026. O Peabiru é uma grande oportunidade para potencializar esse fluxo”, completou.
O secretário estadual do Planejamento, Clemersom Silva, ressaltou a importância do projeto e o impacto de longo prazo da rota para o Paraná. “É uma iniciativa do Governo do Estado que irá marcar de forma contundente o turismo paranaense, proporcionando uma trilha a ser percorrida cortando todo o Paraná. É um projeto que promove não só o turismo, mas também a educação, o esporte e resgata essa parte relevante da história do Paraná”, comentou.
As atividades do primeiro dia ocorreram no Auditório do Centro de Visitantes do Parque Nacional do Iguaçu. Foram apresentados os resultados técnicos desenvolvidos para estruturar a rota, incluindo ferramentas de cartografia e georreferenciamento, aplicativo oficial, portal do programa, plano de comunicação e aplicação da marca.
Também foram apresentados os planos regionais, os manuais de sinalização e as fichas técnicas dos trajetos que integram o percurso. Após a formalização da entrega, os materiais serão disponibilizados às gestões municipais e aos órgãos estaduais, como referência para a implantação da rota nos territórios.
O projeto de implementação é resultado de 18 meses de trabalho conjunto entre o Estado, a consultoria técnica e as prefeituras. A iniciativa abrange 97 municípios distribuídos em 11 Regiões Turísticas do Paraná. Ao todo, foram mapeados 7.843,7 quilômetros de trilhas, sendo 5.571 quilômetros de eixos principais e 2.126 quilômetros de eixos secundários. O levantamento em campo identificou ainda 1.868 pontos de interesse e mais de 6,4 mil pontos de sinalização.
Para estruturar o traçado prioritário de 2 mil quilômetros contratado pelo Governo do Estado, a Setu e a Fadec-UEM desenvolveram a Matriz de Maturidade Turística. O instrumento avalia critérios como viabilidade socioeconômica, infraestrutura, biodiversidade, importância histórica e engajamento local. A partir desses critérios, são definidos investimentos e as cidades são classificadas como municípios indutores, em consolidação, em estruturação ou em mobilização.
O secretário estadual do Desenvolvimento Sustentável, Everton Souza, participou do evento e destacou a necessidade de conciliar a preservação ambiental com o desenvolvimento econômico por meio do turismo. “O desenvolvimento se dá pelo uso do nosso patrimônio natural com parcimônia, gerando atividades econômicas do turismo conectadas à questão ambiental”, avaliou. Ele também reconheceu o trabalho técnico das equipes do Instituto Água e Terra (IAT) e da gestão do Parque Nacional do Iguaçu.
O diretor-presidente da Paraná Projetos, Célio Watter, apontou a mobilização das comunidades como um dos pilares da iniciativa. “É um projeto que se sustenta porque nasce da base, do engajamento popular e do envolvimento de quem vive nas regiões. Reunimos visões plurais para construir um modelo equilibrado, integrado e duradouro para o Paraná”, afirmou.
O coordenador do programa pela Fadec, Erick Xavier, também considerou fundamental a participação das comunidades para garantir a continuidade das ações. “Esse planejamento não foi feito de forma isolada em gabinete. Sem a participação social, qualquer iniciativa corre o risco de não se consolidar. O legado que permanece, independentemente das gestões públicas, é construído pelas pessoas que participaram ativamente de cada etapa”, afirmou.
Nesta quinta-feira (5), a programação continua no Refúgio Biológico Bela Vista, no Complexo Turístico de Itaipu. Técnicos municipais e parceiros locais participam da Oficina de Sinalização Rústica, que ensina a instalar, manejar e manter marcos e placas de orientação ao longo das trilhas. O padrão rústico orienta caminhantes e cicloturistas com segurança e preserva a paisagem natural dos percursos.
O encerramento do encontro técnico foi dedicado ao debate sobre a governança da rota e o cronograma das próximas etapas. Foram discutidas diretrizes conjuntas para a implementação contínua do roteiro e a gestão descentralizada do produto turístico nos municípios participantes.
Com informações da Agência Estadual de Notícias do Paraná.
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