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Projeto volta a discutir criação de faixas para motos em Curitiba, mas sem obrigar implantação

Nova proposta em análise na Câmara prevê diretrizes para estudos sobre espaços exclusivos para motociclistas, sem determinar obras ou mudanças imediatas no trânsito.

Um novo projeto de lei voltou a colocar em discussão a criação de espaços específicos para motociclistas em Curitiba. Diferentemente das propostas apresentadas em 2025, o texto não obriga a implantação de faixas exclusivas, mas estabelece diretrizes para que a Prefeitura possa avaliar, por meio de estudos técnicos, medidas voltadas à segurança e à circulação de motos na cidade.

A proposta tramita na Câmara Municipal de Curitiba (CMC) e ainda depende da análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

O que prevê o novo projeto

O texto permite que o planejamento da mobilidade urbana considere diferentes estruturas destinadas aos motociclistas, como:

  • faixas de circulação diferenciadas;
  • bolsões de espera;
  • áreas de retenção;
  • zonas de proteção;
  • outros espaços voltados à organização do tráfego de motos.

Segundo o projeto, essas estruturas poderão receber sinalização e identidade visual próprias, desde que respeitem as normas técnicas e a legislação de trânsito.

A proposta também estabelece como princípios a redução de conflitos entre os diferentes modais e a promoção de uma convivência mais segura entre motociclistas, motoristas, ciclistas, pedestres e usuários do transporte coletivo.

Implantação dependerá de estudos técnicos

Ao contrário das propostas anteriores, o novo texto deixa claro que nenhuma medida será obrigatória.

Caso a lei seja aprovada, a adoção das diretrizes dependerá da avaliação da Prefeitura, da disponibilidade orçamentária e de estudos técnicos sobre cada via.

Entre os critérios que poderão ser considerados estão:

  • largura das ruas;
  • capacidade da via;
  • fluxo de motocicletas;
  • histórico de acidentes;
  • pontos críticos de trânsito;
  • interação com ônibus, ciclovias e circulação de pedestres.

O projeto também não cria multas, novas regras de circulação nem estabelece prazo para implantação de eventuais intervenções.

Propostas anteriores foram arquivadas

Em 2025, a Câmara analisou dois projetos que propunham a implantação de faixas preferenciais para motociclistas.

Um deles previa a chamada Faixa Azul, de autoria do vereador Olimpio Araujo Junior (PL). O outro, da vereadora Delegada Tathiana Guzella (PL), propunha a Faixa Verde.

As duas iniciativas passaram a tramitar em conjunto, mas acabaram arquivadas após parecer contrário da Comissão de Constituição e Justiça.

Na época, a Secretaria Municipal de Defesa Social e Trânsito argumentou que o modelo adotado em São Paulo ainda estava em fase experimental, não possuía regulamentação específica no Código de Trânsito Brasileiro e dependeria de análises técnicas antes de eventual adoção em Curitiba.

Além disso, a CCJ entendeu que a proposta interferia em atribuições do Poder Executivo, ao impor a criação de uma estrutura viária específica.

Nova redação busca evitar questionamentos jurídicos

Para contornar os motivos que levaram ao arquivamento anterior, a nova proposta substitui a criação obrigatória de uma faixa exclusiva por diretrizes gerais de planejamento.

Com isso, caberá à administração municipal decidir se haverá estudos, projetos ou futuras intervenções voltadas aos motociclistas.

No momento, o projeto permanece em análise na Comissão de Constituição e Justiça e ainda não há previsão para votação em plenário.

O que muda para quem utiliza moto em Curitiba?

Por enquanto, nenhuma mudança entra em vigor.

Caso o projeto seja aprovado, ele apenas autoriza a adoção de diretrizes para estudos futuros, sem obrigar a Prefeitura a implantar faixas exclusivas ou outras estruturas para motociclistas.

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