Empresário Alega Silêncio em Depoimento sobre Fraudes no INSS
10/11/2025 – 21:45
Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Igor Dias Delecrode é acusado de desenvolver um programa para fraudar biometria no INSS.
Depoimento em Silêncio
Na última segunda-feira (10), Igor Dias Delecrode, empresário e programador, compareceu à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, onde optou por permanecer em silêncio. Ele é investigado por movimentações financeiras suspeitas que ultrapassam R$ 1,4 bilhão envolvendo empresas de tecnologia da informação.
Acusações de Fraude
Durante o depoimento, Delecrode não esclareceu como teria explorado falhas no sistema previdenciário, que facilitaram fraudes sobre aposentadorias e pensões. Questionado sobre o recebimento de R$ 15 milhões em menos de um ano, também optou por não responder.
Com apenas 28 anos e sócio de diversas empresas de TI, Delecrode é acusado de criar um software que simulava a legalidade de descontos fraudulentos através de assinaturas digitais e biometria.
Proteção Legal e Silêncio Voluntário
Amparado por um habeas corpus concedido pelo ministro Gilmar Mendes, Delecrode se resguardou do direito de não responder a perguntas que poderiam incriminá-lo. Seu advogado afirmou que ainda não teve acesso completo aos documentos do caso, o que justifica a postura do depoente.
Na abertura do depoimento, Delecrode apenas informou que reside em São Paulo e é formado em auditoria financeira, além de atuar no setor de serviços de TI como uma atividade de lazer.
Reações da Comissão
O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), expressou indignação diante do silêncio de Delecrode, acusando-o de ter desviado mais de R$ 1,4 bilhão em fraudes. Ele criticou a impunidade e pediu ações mais rigorosas contra a corrupção no Brasil.
Gaspar também alegou que Delecrode liderou uma organização criminosa composta por múltiplas entidades e que desenvolveu um sofisticado esquema de coleta de dados para fraudar biometrias, conforme identificado pela Controladoria-Geral da União (CGU).
Críticas ao Judiciário e Futuros Passos
Os membros da CPMI também criticaram a situação do processo judicial, sugerindo que a concessão de habeas corpus a Delecrode subverte a justiça. Senadores questionaram a efetividade das ações do Congresso Nacional e a necessidade de sua atuação em desmantelar esquemas de corrupção.
O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) classificou Delecrode como um “milionário sem trabalho” que se beneficou de fraudes. O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), declarou que a concessão de habeas corpus ao depoente denota uma falha no sistema de justiça brasileiro.
Prazos de Ressarcimento
Durante a reunião, foi anunciada a prorrogação do prazo para que pensionistas prejudicados possam solicitar ressarcimento. Agora, o prazo se estende de 14 de novembro de 2025 até 14 de fevereiro de 2026. Até o momento, mais de 3 milhões de aposentados já foram ressarcidos, totalizando mais de R$ 2 bilhões.
Da Redação
Com informações da Agência Senado
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