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Prevenção do Alzheimer deve começar antes dos primeiros sinais

Envelhecer não significa necessariamente perder a memória. Segundo especialistas, os cuidados para reduzir o risco de desenvolver demência podem começar décadas antes dos primeiros esquecimentos. Esses foram alguns dos pontos discutidos em um encontro com profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) de Curitiba, realizado nesta segunda-feira (21/9), Dia Mundial da Doença de Alzheimer.

A campanha mundial deste ano destaca a importância do diagnóstico precoce, com o tema “Quanto mais cedo você souber, mais poderá fazer: o diagnóstico da demência importa”.

Identificar alterações que precisam ser investigadas é apenas uma parte do cuidado. A saúde cardiovascular e metabólica, a prática de atividades físicas, a saúde mental e sensorial e a participação social estão entre os fatores que podem influenciar o risco de demência ao longo da vida.

Promovido pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS), o encontro reuniu 100 profissionais no auditório do Hospital Municipal do Idoso Zilda Arns, no Pinheirinho. As discussões foram conduzidas pelos geriatras Ivete Berkenbrock, da área técnica de Saúde da Pessoa Idosa da SMS, e Clóvis Cechinel, coordenador médico do programa de atenção domiciliar Saúde em Casa.

A secretária municipal da Saúde, Tatiane Filipak, afirmou que o envelhecimento da população exige a ampliação da atenção aos idosos, tanto na prevenção quanto no acompanhamento de quem já precisa de cuidados.

“Uma coisa é trabalhar para a prevenção, mas e quando a doença já chegou? Aí é importante acolher. É um momento em que não somente o paciente, mas toda a família está vulnerável. Nós, profissionais de saúde, temos o desafio de não somente alinhar os cuidados do paciente, mas da sua família”, afirmou.

Também participaram do encontro a superintendente de Gestão em Saúde da SMS, Jane Sescatto; a diretora de Atenção Primária à Saúde da SMS, Juliana Marcon Hencke; e a diretora de Atenção à Saúde da Feas, Marina Marcondes.

Envelhecer não é esquecer

Uma das dificuldades para detectar uma demência precocemente é distinguir as alterações esperadas do envelhecimento daquelas que precisam ser investigadas.

“Envelhecer não é esquecer. Nem todo esquecimento é demência, mas todo esquecimento que traga desconforto na rotina da pessoa deve ser avaliado. Nem toda demência inicia com perda de memória, outros sintomas devem ser valorizados também”, explicou Ivete.

Esquecer onde as chaves foram deixadas ou levar mais tempo para lembrar o nome de uma pessoa conhecida, mas conseguir recordá-lo depois, pode ocorrer durante o envelhecimento. O alerta surge quando esses episódios se tornam frequentes, progressivos e passam a interferir na rotina.

Deixar repetidamente uma chaleira no fogo, esquecer de trancar a porta ou apresentar dificuldade para administrar as próprias contas e realizar tarefas que antes eram habituais são alguns exemplos de situações que devem ser observadas.

Prevenção também passa pela Unidade de Saúde

Embora o reconhecimento dos sinais seja importante para antecipar o diagnóstico, a prevenção pode começar antes do surgimento deles. “O risco é acumulativo e ocorre ao longo da vida”, destacou Clóvis.

De acordo com o geriatra, a Comissão Lancet de 2024 identificou 14 fatores de risco potencialmente modificáveis associados às demências. Entre eles estão baixa escolaridade, hipertensão, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, inatividade física, depressão, perda auditiva, isolamento social e perda visual. A atuação sobre esses fatores poderia prevenir ou adiar cerca de 45% dos casos.

Muitas dessas condições já são acompanhadas rotineiramente pela Atenção Primária. O controle da hipertensão, do diabetes e do colesterol, a prática de atividades físicas e os cuidados com a saúde mental, a audição, a visão e a participação social também contribuem para a saúde cerebral.

Na avaliação inicial, podem ser realizados testes cognitivos e investigadas outras condições que provocam alterações de memória e comportamento, como deficiência de vitamina B12, alterações da tireoide, sífilis e depressão. Quando há suspeita de demência, o paciente pode ser encaminhado para uma avaliação especializada.

Cuidar sem antecipar perdas

Com a evolução da doença, a necessidade de ajuda tende a aumentar. Isso não significa, porém, retirar antecipadamente a independência da pessoa que recebeu o diagnóstico.

A orientação é que a família se organize conforme novas necessidades apareçam, mantendo as atividades que ainda podem ser realizadas pelo paciente e evitando fazer por ele aquilo que continua sendo capaz de fazer sozinho.

“É preciso respeitar sempre a autonomia e a independência do momento, não atropelando, adiantando fases”, orientou Ivete.

Com informações da Prefeitura de Curitiba.

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