Na ilha do Combu, localizada nas proximidades de Belém, uma rica diversidade de frutos amazônicos tem sido uma fonte importante de sustento para as comunidades locais. No entanto, para garantir a preservação dessa flora diante das ameaças da mudança climática, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP30) busca assegurar a proteção das florestas.
Cadeias de Produção Sustentáveis
A ilha do Combu, acessível em 30 minutos de barco a partir de Belém, é o lar da Associação Filha do Combu, liderada por Izete Costa, conhecida como Dona Nena. A iniciativa representa um modelo de soluções práticas criadas pelas comunidades para enfrentar os desafios ambientais.
Recentemente, a presidente da Assembleia Geral da ONU, Annalena Baerbock, visitou Dona Nena, relembrando um encontro anterior durante seu mandato como ministra das Relações Exteriores da Alemanha. Em entrevista à ONU News, Annalena expressou satisfação ao ver o crescimento da associação, ressaltando a importância de “cadeias de produção localizadas no coração das comunidades”, que asseguram benefícios a povos indígenas e à população local.

A presidente da Assembleia Geral, Annalena Baerbock, provando cacau da Ilha de Combu, perto de Belém.
Sustentabilidade e Empoderamento
Dona Nena iniciou seu projeto com o intuito de transformar conhecimentos tradicionais em uma fonte de renda, resgatando a cultura de sua família. Sua produção de chocolate, feita com cacau amazônico, começou em pequenas feiras e, após capacitações profissionais, expandiu-se incluindo turismo local.
Com uma equipe de 20 funcionários, onde 16 são mulheres, o empreendimento adota práticas agroecológicas que favorecem a convivência sustentável com a floresta. Dona Nena enfatiza que “trabalha com a floresta em pé”, evitando o desmatamento e aproveitando o que a natureza já oferece.
Dona Nena fala da fábrica de chocolate que criou no meio da Amazônia
Desafios Ambientais
A fábrica de chocolates opera com energia solar, mas Dona Nena planeja expandir sua capacidade para evitar interrupções na produção. A presidente da Assembleia Geral observou que a iniciativa combina crescimento econômico e desenvolvimento sustentável, essenciais para combater a crise climática.
No entanto, a ilha do Combu não está imune aos efeitos das mudanças climáticas. Dona Nena relatou uma queda na colheita de cacau, com frutos se tornando secos e deformados. A falta de chuva, alarmante em plena estação chuvosa, também preocupa as comunidades locais.
Annalena Baerbock destacou que a destruição das florestas compromete a “garantia de sobrevivência” da humanidade, enfatizando a necessidade de que a COP30 prove à comunidade internacional que muitos países estão unindo esforços para enfrentar a crise climática.
Aprendizados da Floresta
Dona Nena e Annalena Baerbock também compartilharam momentos de aprendizado durante uma trilha na floresta, refletindo sobre a importância do empoderamento de mulheres extrativistas e a energia dedicada ao trabalho na fábrica de chocolate. A experiência incluiu a observação de uma árvore de taperebá sendo afetada por um cipó parasita, uma lição sobre a interdependência na natureza.
Por fim, ambas se depararam com uma Sumaúma de mais de 280 anos, um símbolo de resistência que precisa ser preservado por meio de negociações bem-sucedidas na COP30.
*Felipe de Carvalho é enviado especial da ONU News à COP30, no Brasil.
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