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PEC da blindagem pode impedir ações contra corrupção no uso de emendas

A proposta de emenda à Constituição (PEC) da Blindagem gera polêmica ao proibir a abertura de ações criminais contra deputados e senadores sem autorização do Parlamento. Especialistas e organizações de combate à corrupção alertam que a medida pode estimular a impunidade e corrupção na utilização de emendas parlamentares.

Implicações da PEC

O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) publicou uma nota destacando que a PEC fragiliza a transparência e fortalece a impunidade, especialmente ao permitir o voto secreto nas decisões sobre a responsabilização de parlamentares.

Luciano Santos, diretor do MCCE, comentou que o aumento significativo de recursos das emendas parlamentares, que em 2025 recebeu cerca de R$ 50 bilhões, proporciona um ambiente propício para corrupção. Ele enfatizou que a PEC visa proteger políticos em investigação e criticou a falta de controle e transparência na execução desses dinheiros públicos.

“Temos clareza de que se está buscando exatamente uma blindagem por conta dessas investigações sobre as emendas. Não faz o menor sentido fazer essa blindagem dos políticos, especialmente sabendo que existem diversas investigações em curso”, destacou o especialista.

Críticas e Consequências

O advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas, sublinhou que a PEC pode tranquilizar parlamentares já favorecidos pela falta de transparência. O alerta se dá pelo fato de que muitos estão envolvidos em investigações relacionadas ao uso das emendas, criando um cenário onde se protegem mutuamente.

“Eles já estão blindados, de alguma forma, pela falta de transparência. A PEC, na verdade, vai trazer uma tranquilidade a mais”, afirmou Carvalho.

Bruno Bondarovsky, coordenador da Central das Emendas, afirmou que a proposta poderá prejudicar a aplicação adequada do dinheiro público. Para ele, a transparência já é limitada, e a PEC pode tornar as emendas um “ralo” financeiro, comprometendo seriamente os cofres públicos.

“Se as investigações de corrupção ficarem limitadas, essas emendas serão um ralo que pode inviabilizar o país”, alertou.

Investigações em Foco

Recentemente, o ministro do STF Flávio Dino ordenou à Polícia Federal uma investigação sobre 964 emendas individuais, somando R$ 694 milhões, em um esforço para garantir a transparência. A situação atual das emendas parlamentares gerou bloqueios bilionários, com o ministro suspendendo o pagamento de R$ 4,2 bilhões devido a suspeitas de irregularidades.

A execução das emendas continua a ser um ponto de conflito entre o Supremo Tribunal Federal e o Congresso. Em março, o Parlamento aprovou novas regras para emendas sob orientações do STF, porém, críticos afirmam que ainda há falta de transparência e rastreabilidade dos recursos.

“Deputados e senadores se mostram avessos a qualquer tipo de medida de transparência ou controle e se preocupam mais com a possibilidade de responsabilização pelos desvios do que com a necessidade de interrompê-los”, afirmou a Transparência Internacional.

Defesa da PEC

Os defensores da PEC 3 de 2021 argumentam que a proposta é necessária para proteger a atuação parlamentar de interferências externas e alegadas “perseguições políticas”. O relator da PEC, deputado Claudio Cajado (PP-BA), garantiu que a proposta não limita as ações criminais, mas sim atua como um escudo protetivo para os parlamentares.

“Isso aqui não é uma licença para abusos do exercício do mandato, é um escudo protetivo da defesa do parlamentar, da soberania do voto e do respeito à Câmara dos Deputados e ao Senado”, justificou Cajado.

O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) apoiou a ideia de que o Congresso Nacional não barraria investigações contra aqueles que cometem crimes, reiterando que a casa legislativa não está protegendo criminosos.

“Quem cometer crime vai pagar, uai. É simples assim”, disse Ferreira.

Considerações Finais

Luciano Santos, do MCCE, contradiz os argumentos dos defensores da PEC, apontando que a história mostra que a autorização do Parlamento para investigações muitas vezes resulta em processos barrados.

“A autoproteção ali é enorme”, concluiu.

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