Operação Policial Combate Venda Ilegal de Ibogaína no Paraná
A Polícia Civil do Paraná (PCPR) prendeu quatro pessoas, incluindo dois homens e duas mulheres, durante uma operação contra a venda ilegal de ibogaína. Essa substância, não aprovada para uso no Brasil, é alegadamente utilizada no tratamento de dependência química. A ação ocorreu em Piraquara e Curitiba, na quarta-feira, 20 de setembro.
Investigação Revela Esquema de Venda Ilegal
A operação é o desdobramento de uma investigação iniciada em dezembro de 2024. A apuração começou após uma denúncia de um paciente que relatou ter sido internado involuntariamente em uma clínica em Piraquara, onde recebeu tratamento com ibogaína, custando R$ 12 mil, valor que foi depositado na conta de uma psicóloga já presa.
Prisões e Apreensões em Curitiba e Piraquara
Durante a operação, a polícia abordou uma advogada de 51 anos em seu apartamento em Curitiba, onde foram apreendidos 390 gramas de uma substância similar à ibogaína e cápsulas usadas para envase. Documentação de medicamentos controlados assinados por uma médica psiquiatra de Santa Catarina também foi encontrada. Na clínica em Piraquara, um enfermeiro, um médico e uma psicóloga foram presos em flagrante por falsificação e associação criminosa.
Testemunhos de Pacientes
Pacientes entrevistados relataram que a ibogaína era administrada após prescrição de uma psicóloga e a suspensão de medicações contínuas. Muitos expressaram pressão para adquirir a substância, mesmo com seus familiares pagando valores expressivos: R$ 12 mil pela ibogaína, R$ 30 mil pela estadia na clínica e R$ 1,2 mil por consultas.
Riscos da Ibogaína
A delegada da PCPR, Aline Manzatto, mencionou os riscos associados ao uso da ibogaína, que não possui licença para uso terapêutico no Brasil. A substância tem sido associada a complicações severas, incluindo arritmias cardíacas e morte súbita, conforme informações da Secretaria Nacional de Cuidados e Prevenção às Drogas (SENAPRED).
Colaboração de Diversas Entidades
A operação contou com a colaboração da Polícia Científica, Vigilância Sanitária, Promotoria de Piraquara, Conselho Regional de Medicina e Conselho Regional de Psicologia. A PCPR alerta que pacientes vítimas de clínicas que ofereceram tratamentos com ibogaína devem procurar a Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Saúde (DECRISA) para que as medidas legais adequadas sejam tomadas.
