Passeata em Defesa do Ensino Especializado em Curitiba
Na quarta-feira, 20 de agosto, mais de 40 escolas da Grande Curitiba se mobilizarão em uma passeata em defesa do ensino especializado. O evento terá início na Praça Tiradentes e seguirá até o Centro Cívico, reunindo estudantes, profissionais da educação, familiares e representantes públicos. A ação acontece na véspera da Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla e busca alertar sobre riscos associados a uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal.
Ação Direta de Inconstitucionalidade em Debate
O principal objetivo da passeata é denunciar a ADI nº 7796, que questiona duas leis estaduais do Paraná responsáveis pelo repasse de recursos financeiros às instituições especializadas. As Apaes e outras entidades alertam que a possível inconstitucionalidade dessas leis pode ameaçar o funcionamento das escolas e o direito de escolha das famílias.
Participação das Instituições e Expectativas
As unidades da Apae Curitiba, CEDAE, Luan Muller e Apae Santa Felicidade participarão do ato, com cerca de 300 integrantes previstos entre estudantes e profissionais. Soeli Morais, diretora da Apae Santa Felicidade, afirmou: “A nossa expectativa com a passeata é chamar a atenção da sociedade para o fato de que as famílias não querem abrir mão do direito de escolher onde seus filhos irão estudar. Queremos mostrar o valor e o reconhecimento das escolas especializadas na vida das pessoas com deficiência.”
Ensino Especializado em Debate Nacional
O evento ocorre em um contexto de intenso debate sobre a educação inclusiva no Brasil. Enquanto entidades como a Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down (FBASD) defendem o fechamento das escolas especializadas, a Apae e outras instituições ressaltam que este modelo é uma alternativa necessária e legítima para diversas famílias.
Depoimentos de Estudantes e Pais
Alunos da Apae expressaram seu apoio à manifestação. Ana Carolina Nunes da Costa, aluna da instituição, declarou: “Eu quero muito continuar estudando aqui, porque tenho as pessoas que amo e é com todo mundo que a gente aprende. Por isso, a nossa escola não pode fechar.” Fernando Parreira Roberto, estudante, enfatizou: “… Então dia 20 nós vamos estar lá na passeata para que a escola da Apae não se feche.”
Leila de Jesus Silveira Barros e Daniel do Nascimento Barros, pais da estudante Laís, afirmam que a escola regular não está adequada para atender alunos com necessidades específicas. “No caso da nossa filha, ela precisa de tratamento e acompanhamento especializados, disponível apenas em escolas como a Apae,” explicam.
Serviços Oferecidos pela Apae
A Apae Curitiba oferece atendimento pedagógico, terapêutico e assistência social para pessoas com deficiência intelectual, múltiplas, síndromes, transtorno do espectro autista e doenças raras. Todos os professores possuem especialização em Educação Especial e Inclusiva, garantindo um atendimento humanizado e especializado.
Nos últimos 20 anos, a Apae realizou mais de 800 mil atendimentos gratuitos, atendendo cerca de 500 estudantes em suas duas escolas especializadas desde 1962.
Riscos da ADI para o Financiamento das Escolas
A ADI nº 7796 representa uma ameaça ao financiamento das escolas especializadas, comprometendo o direito de escolha das famílias e o acesso a atendimento essencial para o desenvolvimento das crianças. A passeata do dia 20 pretende reafirmar a importância da liberdade de escolha na educação e demonstrar o impacto positivo que as escolas especializadas têm na vida de pessoas com deficiência.
