O Paraná se destaca como o estado com a menor taxa de recusa familiar para doações de órgãos, alcançando um índice de 30%. Essa taxa é significativamente inferior à média nacional de 45%, segundo o mais recente Registro Brasileiro de Transplantes (RBT). Essa conquista é atribuída ao fortalecimento contínuo do Sistema Estadual de Transplantes, que vem realizando iniciativas estratégicas para conscientizar a população.
História de Superação
Mariana Chuch é um exemplo de como a doação de órgãos transforma vidas. Transplantada de coração há quase um ano, a jovem de 17 anos começou sua trajetória com um diagnóstico de miocardiopatia dilatada logo ao nascer. Desde então, sua vida se tornou uma longa senda de cuidados médicos, intercalados com períodos de esperança e desafios. Após complicações que exigiram a indicação de um transplante, a espera pelo coração compatível foi finalmente recompensada.
“Enfrentei o centro cirúrgico com uma mistura de medo e esperança, acreditando firmemente na vida”, relembra Mariana, que após um mês de internação, está hoje totalmente recuperada e pronta para abraçar novos desafios. Cursando o terceiro ano do Ensino Médio, ela aspira a seguir a carreira de Psicologia, motivada pelo exemplo da mãe.
Um Apoio Inabalável
A condição de saúde de Mariana não é única em sua família; seu irmão, Henrique, e sua mãe, Sibele, também compartilham diagnósticos similares. Sibele enfatiza a importância de encarar a doença com otimismo, proporcionando um ambiente que permite a Mariana viver plenamente, sem ser rotulada por suas condições de saúde. “Acreditamos que a vida não deve ser definida pela enfermidade, mas pela qualidade dos momentos vividos”, destaca.
A transformação na vida de Mariana é também uma reflexão sobre a solidariedade familiar e a empatia. Hoje, todos os membros da família são doadores de órgãos declarados, e Mariana, com seu novo coração, vê isso como uma segunda chance, tanto para ela quanto para aqueles que amam.
Impacto da Doação de Órgãos
Este ato de generosidade tem um impacto significativo. Um único doador pode beneficiar até oito pessoas, e nos últimos anos, o Paraná registrou um total de 773 transplantes em 2025, incluindo 31 de coração. Nos dois primeiros meses de 2026, já foram doados 123 órgãos, sendo três deles para transplantes cardíacos.
No Brasil, o rim e a córnea são os órgãos mais frequentemente transplantados. Em 2025, registrou-se um número de 4.969 transplantes de rim e 13.366 de córnea, com o Paraná contribuindo com 445 transplantes de rins e 1.066 de córneas. O secretário de Estado da Saúde, César Neves, atribui esses resultados à solidariedade do povo paranaense e à qualificação das equipes que realizam entrevistas familiares sobre doação.
Ações para Aumentar a Conscientização
Juliana Ribeiro Giugni, coordenadora do Sistema Estadual de Transplantes, salienta a importância de conversar com a família sobre o desejo de ser doador, uma vez que somente parentes próximos podem autorizar a doação após a comprovação médica da viabilidade. Essa comunicação é crucial para que a família sinta segurança em um momento delicado, aumentando assim as chances de sucesso na doação.
Os órgãos doados são alocados a pacientes em uma lista única de espera, monitorada pelo Sistema Nacional de Transplantes. A escolha de um doador é feita com base na gravidade da doença, tempo de espera e compatibilidade, entre outros critérios médicos.
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