Paraná precisa vacinar 56% da população para conter pandemia, aponta estudo

O Paraná é o estado brasileiro que apresenta maior urgência no aumento de sua cobertura vacinal para conseguir conter a pandemia de Covid-19. É o que aponta um estudo publicado pelo grupo de pesquisa interdisciplinar Ação Covid-19, formado por pesquisadores de diversas áreas do conhecimento associados a 13 instituições, incluindo Maria Carolina Maziviero, professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Os autores analisaram qual seria a porcentagem mínima necessária de população vacinada, em cada estado, a fim de conter a expansão da pandemia. A estimativa foi feita para o mês de abril de 2021, em comparação com dezembro de 2020, janeiro e fevereiro de 2021. Para isso, eles se basearam no número de casos de Covid-19 confirmados e na cobertura vacinal, abrangendo primeira e segunda dose de imunizantes.

Maria Carolina explica que o controle da pandemia, ou seja, a diminuição no alastramento do vírus ocorre quanto a taxa de transmissão fica abaixo de um (R0< 1). “Significa que cada pessoa infectada transmite para menos de uma outra pessoa, o que indica redução do número de infectados”. Se a taxa é menor do que um, menos pessoas são infectadas e o número de casos retrocede. Atualmente, nenhum estado brasileiro apresenta R0< 1.

Comparando o mês de abril com os demais períodos avaliados, os pesquisadores concluíram que é alto o número de estados em situação crítica, ou seja, que ainda precisam vacinar, pelo menos, mais 25% da sua população, com as duas doses, para conter a expansão do coronavírus. Os aumentos mais significativos na porcentagem necessária de vacinação foram observados no Mato Grosso e em Tocantins, indicando uma piora do cenário epidêmico desses estados.

O Maranhão tem se apresentado como um destaque positivo dessa série de estudos e, desde dezembro de 2020, demonstra as menores necessidades de imunização entre todos os estados do Brasil. Apesar de ter aumentado a necessidade de vacinação nos meses posteriores, reflexo da piora da pandemia em todo o país, a região ainda se mantém abaixo das demais e deve conseguir conter a pandemia mais rapidamente.

Paraná

O estudo referente ao período avaliado (19 de abril a 19 de maio) indica a tendência de um aumento urgente na necessidade de vacinação no estado do Paraná. De acordo com os pesquisadores, o cenário se apresenta dessa forma devido à situação crítica que o estado se encontrava no início de março, com a ocupação de leitos de UTI atingindo mais de 95%, com o isolamento social em queda (46% em média) e com o aumento no número de casos. “Na metade do mês, esse panorama se agravou com a taxa de ocupação de UTI chegando a 100%, além da falta de oxigênio, a contínua queda no isolamento, que atingiu 35%, e a falta de vacinas”, revelam os especialistas.

A análise também demonstra que a situação passou a apresentar sinais de melhora após a entrega de novos lotes de imunizantes e do decreto que instituiu medidas de contenção ao coronavírus, restringindo a circulação de pessoas. “Como consequência, o isolamento subiu novamente para uma média de 45%. No fim do mês de abril, o estado apresentou queda na taxa de contaminação e o menor número de casos de Covid-19 desde novembro de 2020”.

No entanto, depois de um novo relaxamento das medidas restritivas, o contato de pessoas suscetíveis ao vírus, que estavam então isoladas, aumentou, assim como o número de casos e óbitos. “Isso se refletiu na elevação do ranking de urgência para a maior prioridade de vacinação entre todos os estados brasileiros”, diz o relatório. Atualmente, o Paraná precisa vacinar, com as duas doses, pelo menos 56% da sua população para atingir o número necessário para controlar o aumento da pandemia, mas somente 9,72% foram vacinados.

Santa Catarina

Santa Catarina, destino de muitos paranaenses em feriados e finais de semana, é outra região cujo cenário é preocupante. De acordo com o estudo, é possível observar diversas tendências que impactam a gravidade da pandemia nessa localidade. “No início de março, o estado apresentava o menor índice de isolamento social desde o começo da pandemia (29%) e a ocupação de leitos de UTI estava entre as maiores do Brasil, próxima de 100%.

“Em meados do mesmo mês, o governo estadual instituiu decretos com medidas de contenção ao coronavírus, porém o índice de isolamento não aumentou como esperado, mantendo-se próximo a 50%. Com a esperança de reverter o colapso do sistema de saúde estadual, Santa Catarina recebeu 147,4 mil vacinas, o maior lote desde janeiro. Contudo, no final do mês, a taxa de isolamento continuou sendo um problema e atingiu um dos piores índices do Brasil (30,3%)”, destacam os estudiosos.

Novas medidas restritivas foram instituídas e prorrogadas até abril. Houve o aumento de multas e de fiscalização. Essas ações impactaram a taxa de letalidade da doença, ajudando Santa Catarina a deixar o posto de estado com maior número de mortes. “A cobertura vacinal mínima está em 49,3% o que, junto com o sistema de saúde em colapso e a tendência à notificação de casos e óbitos de forma irregular, aponta para a necessidade de cumprimento do isolamento social e o aumento da velocidade de vacinação na região”. Apenas 9,53% da população catarinense foi imunizada com as duas doses até o momento.

Cenário no Brasil

Até o dia cinco de maio de 2021, o Brasil havia vacinado 33.404.33 pessoas com a primeira dose e 17.039.463 com o reforço do imunizante, o que corresponde a 16% e 8% da população total, respectivamente. A análise referente ao mês de abril deste ano apontou que houve elevação da porcentagem de imunizados em todas as regiões do país, mesmo que abril tenha sido marcado por uma queda acentuada no ritmo da vacinação.

O cenário da pandemia analisado mostra a diminuição da necessidade de imunização mínima da população em 13 dos 27 estados. Em compensação, a situação se agravou em oito estados. Também é possível observar que 13 estados ainda necessitam vacinar mais de 40% de sua população para que se inicie uma redução significativa e contínua do número de casos de Covid-19.

Os pesquisadores alertam que a prioridade de vacinação de cada estado não está sendo leva em consideração na distribuição das doses pelo Ministério da Saúde. “Isso é evidenciado quando observamos que São Paulo, Amazonas e Maranhão vacinaram em torno de 30% do estipulado como necessário para controlar o aumento no número de casos. Enquanto isso, Amapá, Rondônia e Acre vacinaram menos de 14% da cobertura vacinal mínima ideal”.

Diante destes aspectos, os autores argumentam que é urgente e necessário que os modelos de análise do panorama nacional sejam utilizados para elaborar mapeamentos estratégicos para o enfrentamento da pandemia no país. “Criando um ranking de urgência e realizando análises periódicas de todos os estados é possível, por exemplo, localizar os pontos de atenção, os déficits de cobertura da vacinação, sinalizar subnotificações e, com isso, chegar cada vez mais próximo de um plano nacional e conjunto de luta contra a pandemia”.

Metodologia

O estudo calcula o número de reprodução básico, denominado R0, que corresponde ao número de infecções secundárias causadas por uma pessoa infectada em uma população suscetível ao vírus. O valor do R0 indica uma expansão (R0 >1) ou um recuo na transmissão do coronavírus (R0,<1). O R0 menor do que 1 não representa um controle total da pandemia, mas sim que o número de novos casos está em tendência de redução.

Para calcular o R0, os pesquisadores ajustaram um modelo clássico na epidemiologia, o modelo SIR, que considera três compartimentos para a divisão da população em relação à doença estudada: Suscetíveis (S), Infectados (I) e Recuperados (R). Adicionalmente, eles usaram equações para encontrar os valores ótimos de dois parâmetros do modelo SIR.

Por meio desse método, é possível determinar, aproximadamente, a proporção da população que deve ser imunizada em um período, a fim de resultar em um R0 abaixo do limiar de 1.

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Nesta segunda-feira, Curitiba vacina nascidos em 1986 e 1987

Nesta segunda-feira (2), a Secretaria de Saúde de Curitiba vacinará contra a covid-19 os nascidos no segundo semestre de 1986 (1º de julho e 31 de dezembro) e os do ano todo de 1987, além de gestantes e puérperas (que tiveram bebês há até 45 dias) com declaração médica para a vacina.

A ampliação das idades é possível pela entrega de uma nova remessa de imunizantes neste fim de semana. Com as novas doses, a Prefeitura de Curitiba conseguirá avançar com a vacinação para o público até 34 anos.

A estimativa da Saúde é atender, com a primeira dose, cerca de 28 mil pessoas. Serão 21 pontos de vacinação, em funcionamento das 8h às 17h (lista abaixo).

Nos mesmos locais serão atendidas pessoas a serem vacinadas com a segunda dose.


Gestantes e puérperas

Para a vacinação das gestantes e puérperas, a Secretaria da Saúde segue as orientações da Coordenação Geral do Programa Nacional de Imunizações, que indica para as mulheres desse grupo, a partir de 18 anos, somente os imunizantes Coronavac ou Pfizer.

Além disso, a vacinação contra a covid-19 também está condicionada a uma avaliação individualizada, compartilhada entre a mulher e o seu médico.


Orientação para receber a vacina

Para receber a vacina a SMS orienta fazer o cadastro antecipado na plataforma Saúde Já pelo site www.saudeja.curitiba.pr.gov.br ou pelo aplicativo do celular. O cadastro agiliza o processo da vacinação.

Também é preciso apresentar um documento de identificação com foto, CPF e um comprovante de residência com endereço de Curitiba (no caso de estar no nome do cônjuge, deve ser apresentada também certidão de casamento ou de união estável).

A partir de agora, com a vacinação de faixas etárias mais jovens, a Secretaria Municipal de Saúde também aceitará comprovante de residência no nome do pai ou da mãe, anexado a um documento que comprove a filiação.

Já para os casos de locações não formalizadas por imobiliárias, deverá ser apresentado o comprovante do endereço da residência com uma declaração do proprietário do imóvel, com responsabilização legal pela locação e pela informação.


Quem pode se vacinar nesta segunda-feira (2/8)

– Nascidos entre 1º de julho de 31 de dezembro de 1986
– Nascidos em 1987
– Gestantes puérperas (que tiveram bebês até 45 dias atrás), com 18 anos ou mais


Locais da vacinação

Das 8h às 17h

1 – Pavilhão da Cura
Parque Barigui (entrada somente pela BR-277)

2 – US Ouvidor Pardinho
Rua 24 de Maio, 807 – Praça Ouvidor Pardinho

3 – Centro de Referência, esportes e atividade física
Rua  Augusto de Mari, 2.150 – Guaíra

4 – US Salvador Allende
Rua Celeste Tortato Gabardo, 1.712 – Sítio Cercado

5 – US Parigot de Souza
Rua João Eloy de Souza, 111 – Sítio Cercado

6 – US Vila Diana
Rua René Descartes, 537 – Abranches

7  – US Orleans
Av. Ver. Toaldo Túlio, 4577 – Orleans

8 – Centro de Esporte e Lazer Avelino Vieira
Rua Guilherme Ihlenfeldt, 233 – Bacacheri

9- US Jardim Paranaense
Rua Pedro Nabosne, 57 – Alto Boqueirão

10 – US Visitação
Rua Dr. Bley Zornig, 3136 – Boqueirão

11 – US Camargo
Rua Pedro Violani, 364 – Cajuru

12 – US Uberaba
Rua Cap. Leônidas Marques, 1392 – Uberaba

13- US – Trindade
R. Roraima, 1790 – Vila Oficinas

14- US Tapajós
R. André Ferreira Camargo, 188 – Xaxim 

15 – Clube da Gente CIC
Rua Hilda Cadilhe de Oliveira

16 – US Vila Feliz
Rua Pedro Gusso, 866 – Novo Mundo

17 – US Aurora
Rua Theofhilo Mansur, 500 – Novo Mundo

18 – US Pinheiros
Rua Joanna Emma Dalpozzo Zardo, 370 – Santa Felicidade

19- US Oswaldo Cruz
R. Pedro Gusso, 3749  – CIC

20 – Rua da Cidadania do Tatuquara
Rua Olivardo Konoroski Bueno, s/n

21 – Rua da Cidadania do Fazendinha
Rua Carlos Klemtz, 1.700

Fiscalização dispersa mais de mil pessoas e fecha 11 pontos comerciais em Curitiba

As equipes da Ação Integrada de Fiscalização Urbana (AIFU) abordaram 18 pontos comerciais de Curitiba entre a noite de sexta-feira (30) a madrugada de domingo (01) – 11 foram fechados devido a irregularidades. Foram aplicadas 55 autuações administrativas.

Durante as fiscalizações, os policiais militares, policiais civis, bombeiros e agentes municipais flagraram 1.025 pessoas em aglomerações, que foram orientadas e dispersadas dos locais. Três foram encaminhadas: uma por desacato, outra por infringir medida sanitária e promover propagação de doença contagiosa e a terceira por envolvimento com jogos de azar.

As abordagens ocorreram nos bairros Alto Boqueirão, Alto da XV, Batel, Barreirinha, Boqueirão, Bairro Alto, Cajuru, Centro, Centro Cívico, Cidade Industrial, Hugo Lange, Hauer, Jardim das Américas, Juvevê, Jardim Social, Lamenha Pequena, Lindóia, Parolin, Portão, Rebouças, São Francisco e Uberaba.

Segundo a coordenadora das equipes da Aifu, tenente Caroline Félix, em um estabelecimento no Batel as equipes encontraram 300 pessoas na madrugada de domingo. Um homem desacatou os policiais militares e foi conduzido para lavratura de Termo Circunstanciado.

“O estabelecimento foi fechado pelos agentes da Secretaria Municipal do Urbanismo e multado em R$ 100 mil por estar em funcionamento irregular, com aglomeração”, disse.

Na noite de sábado, no bairro Bacacheri, em um ponto comercial que funcionava como casa noturna, foram encontradas duas máquinas caça-níqueis. Os objetos foram apreendidos e o responsável encaminhado para assinatura do Termo Circunstanciado.  

Duas casas noturnas, nos bairros Centro e Jardim Social, foram fechadas durante a operação. A primeira foi atuada em R$ 30 mil e a segunda em R$ 20 mil. No bairro Cajuru, havia aglomeração de pessoas em um bar e foi aplicada multa de R$ 30 mil.

A fiscalização também chegou a uma tabacaria na Cidade Industrial, onde havia 108 pessoas sem usar máscara facial, ingerindo bebidas alcoólicas e utilizando narguilé. O local já tinha sido autuado outras vezes por desrespeitar as medidas sanitárias. O responsável também foi encaminhado para assinatura de Termo Circunstanciado e recebeu uma multa de R$ 50 mil da prefeitura.

Durante a ações também foi recuperado um carro que tinha alerta de furto desde novembro de 2020. A abordagem ocorreu no bairro São Braz na madrugada de sábado. O carro foi levado à Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV).