O estado do Paraná e seus municípios arrecadaram, em conjunto, R$ 215,24 milhões em 2025 por meio da exploração de recursos minerais. Deste montante, R$ 173,46 milhões (80%) referem-se a royalties decorrentes da produção de recursos energéticos, como petróleo, xisto e gás, enquanto R$ 41,78 milhões (20%) correspondem à arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) para outros bens minerais.
Dados da Arrecadação
As informações foram divulgadas na última segunda-feira (16) nos Informes Minerais 01/2026 e 02/2026, elaborados pela Diretoria de Gestão Territorial do Instituto Água e Terra (IAT), vinculado à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedest).
Em relação aos royalties, R$ 100,30 milhões (57,8%) foram distribuídos entre cinco municípios produtores: Araucária, que recebeu R$ 66,18 milhões (66%); São Mateus do Sul, com R$ 20,79 milhões (20,7%); Guaratuba, com R$ 6,54 milhões (6,5%); Campo Largo, com R$ 6,02 milhões (6%); e Pitanga, com R$ 752 mil (0,4%). O Governo do Estado ficou com R$ 73,16 milhões (42,2%).
Distribuição dos Royalties
Araucária, Guaratuba e Campo Largo foram beneficiados devido às suas estruturas ligadas à indústria petrolífera, como terminais de tancagem e armazenamento. Por outro lado, São Mateus do Sul e Pitanga obtiveram royalties da exploração de minérios como xisto e gás natural, respectivamente.
Crescimento da CFEM
A arrecadação proveniente da CFEM também apresentou crescimento em 2025, alcançando R$ 41,78 milhões, um aumento de 14,9% em relação aos R$ 36,35 milhões de 2024, representando um Valor de Comercialização de R$ 3,23 bilhões.
O recolhimento da CFEM no Paraná ocorreu em 195 municípios e envolveu 541 empresas, distribuídas por 1.258 títulos minerários concedidos pela Agência Nacional de Mineração (ANM) e licenciados pelo IAT.
Concentração da Arrecadação
Destaca-se que a maior parte da arrecadação (49,8%) se concentrou em seis municípios da Região Metropolitana de Curitiba: Rio Branco do Sul (R$ 9,09 milhões), Campo Largo (R$ 4,62 milhões), Almirante Tamandaré (R$ 2,49 milhões), Adrianópolis (R$ 1,65 milhão), Cerro Azul (R$ 1,49 milhão) e São José dos Pinhais (R$ 1,48 milhão).
A distribuição dos valores arrecadados pela CFEM é feita da seguinte forma: 15% para o Governo do Estado, 60% para os municípios produtores, 15% para os municípios afetados pela atividade e 10% para órgãos federais, como a ANM e o Ibama.
Destinação dos Recursos
Os recursos recebidos pela cota do Estado, tanto dos royalties quanto da CFEM, são aplicados no Fundo Estadual em Infraestrutura Inteligente (FEIIN), destinado a custear programas de melhoria da infraestrutura rural e logística do Paraná.
Setores da Mineração
No que se refere aos destaques da CFEM, a mineração de rochas carbonáticas foi a mais significativa, representando 40,4% do total, seguida pela mineração de rochas para brita e revestimento (25,7%) e areia (8,5%). A água mineral e a estância hidromineral também contribuíram com 8,4%, enquanto a extração de ouro e prata em Campo Largo correspondeu a 4,3%.
Quanto aos títulos minerários, a maioria é voltada para a extração de areia (42%) e rochas para brita (18,8%), utilizadas na construção civil. A exploração de argila, com 13,3%, e de rochas carbonáticas, com 13%, também ocupam posições relevantes no setor.
Produção e Exportação
Em 2024, o Paraná registrou uma produção de 7,36 milhões de toneladas de cimento, representando 11,2% da produção nacional. O estado também produziu 8,49 milhões de toneladas de corretivo agrícola, exportando 3,35 milhões.
Particularidades Regionais
O levantamento também trouxe informações detalhadas sobre a produção mineral em diferentes regiões do estado, destacando a relação entre a exploração de rochas britáveis e áreas urbanas. A exploração de areia natural ocorre em aluviões e leitos ativos de importantes bacias hidrográficas, com destaque para o Aquífero Karst, que é vital para o abastecimento de água e a produção mineral.
Os limites deste aquífero abrangem municípios como Campo Magro e Ponta Grossa e incluem 76 empresas não cimenteiras, responsáveis por R$ 6,9 milhões (40,9%) da arrecadação total da CFEM pela exploração de rochas carbonáticas em 2025.
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