O Governo do Paraná apresentou nesta quinta-feira (4) o Bonde Urbano Digital (BUD), tecnologia chinesa inédita na América do Sul que promete transformar a mobilidade urbana. O sistema, que dispensa trilhos físicos, será implantado no trecho de aproximadamente 13 quilômetros entre os terminais de Pinhais e Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba.
A iniciativa é fruto de investimento da Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná (Amep) e consolida o estado como referência em inovação no transporte coletivo.
Como funciona o Bonde Urbano Digital
Diferente dos ônibus elétricos convencionais e dos VLTs, o BUD circula sobre pneus de borracha no asfalto, guiado por “trilhos virtuais” formados por marcações digitais e sensores de alta precisão. O veículo de 30 metros tem capacidade para 280 passageiros, é climatizado, bidirecional e pode atingir até 70 km/h.
O sistema incorpora tecnologias como rastreamento automático, orientação autônoma e proteção eletrônica ativa, garantindo segurança mesmo em condições adversas, como chuva e desgaste da pista.
A recarga é feita por baterias de íons de lítio de 600 kWh, com pantógrafos aéreos que, em apenas 30 segundos, garantem autonomia de até 5 km. À noite, o carregamento completo permite operação contínua de até 40 km.
Impacto para a Região Metropolitana
De acordo com o governador Ratinho Junior, o projeto marca um avanço histórico:
“Somos o primeiro estado da América do Sul a tirar do papel uma tecnologia dessa magnitude. O Paraná buscou o que há de mais moderno no mundo em transporte coletivo e está preparado para atender o crescimento populacional e econômico da Região Metropolitana de Curitiba.”
O sistema atenderá inicialmente cerca de 10 mil passageiros por dia, mantendo o valor da tarifa em R$ 5,50, igual ao dos ônibus metropolitanos.

Investimento e futuro
O diretor-presidente da Amep, Gilson Santos, explicou que a adoção do BUD começou a ser discutida em 2024, após visitas técnicas na China e no México, onde a tecnologia já é utilizada. O contrato prevê duração de 15 meses, com possibilidade de prorrogação, e estudos futuros sobre a expansão do sistema.
Segundo Santos, o custo de implantação é três vezes menor que o de um VLT e o veículo tem vida útil de 30 anos, o dobro de um biarticulado.
O secretário das Cidades, Guto Silva, destacou o impacto inovador do modelo:
“O Paraná reafirma seu protagonismo em transporte sustentável. Estamos investindo em soluções que melhoram a qualidade de vida da população e ao mesmo tempo impulsionam o desenvolvimento econômico.”
Próximos passos
O veículo fabricado pela CRRC Corporation, na China, chegou ao Brasil em agosto pelo Porto de Paranaguá. Após montagem e testes técnicos, a expectativa é que as primeiras viagens comecem em novembro.
Se aprovado pela população, o Bonde Urbano Digital pode ser ampliado para outras regiões do Paraná, consolidando o estado como pioneiro em mobilidade urbana inteligente na América do Sul.
