Para preservar Rio Iguaçu e combater falta d’água, Paraná terá Reserva Hídrica do Futuro

Uma nova reserva hídrica na Região Metropolitana de Curitiba promete suprir o abastecimento de água da região em momentos de estiagem e alavancar a preservação ambiental no Rio Iguaçu. O governador Carlos Massa Ratinho Junior e o prefeito de Curitiba, Rafael Greca, assinaram, nesta quarta-feira (15), o Decreto Municipal 1.172/2021 que cria a Reserva Hídrica do Futuro – área que receberá ações para melhorar a segurança hídrica da região. O projeto estabelece uma cooperação técnica entre Sanepar, Instituto de Água e Terra (IAT), Prefeitura de Curitiba e Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec).

Governador Carlos Massa Ratinho Junior e o prefeito de Curitiba, Rafael Greca, assinaram, nesta quarta-feira (15), o Decreto Municipal 1.172/2021 que cria a Reserva Hídrica do Futuro – área que receberá ações para melhorar a segurança hídrica da região. 15/09/2021 – Foto: José Fernando Ogura/AEN

A Reserva Hídrica do Futuro da Bacia do Alto Iguaçu vai de Balsa Nova até Piraquara, interligando antigas cavas de exploração de areia nas margens do Rio Iguaçu que possuam potencial para formação de lagos. A área cria um corredor de biodiversidade e preservação de 150 quilômetros de extensão, que poderá reservar até 43 bilhões de litros de água para serem utilizados no abastecimento regional em situações emergenciais de estiagem – como a atual, que já se estende por quase dois anos.

“Esse é um projeto de planejamento para o futuro, feito pelos maiores técnicos ambientalistas do Paraná, que sem dúvida alguma vai garantir que as futuras gerações não tenham que passar por seca por falta de planejamento. Estamos sentindo a necessidade do cuidado com a água, e por isso queremos criar um dos maiores corredores de biodiversidade do mundo, que cuida da natureza. Poder selar essa parceria com Curitiba é motivo de muita alegria”, afirmou o governador.

O projeto também protege e recupera as áreas de preservação permanente do Rio Iguaçu e seus afluentes. Entre os objetivos da criação da reserva, está orientar e regulamentar atividades na área visando à sustentabilidade ambiental, social e econômica; minimizar riscos, impactos e danos relacionados a enchentes e inundações; e fomentar o turismo, a geração de emprego e a valorização da paisagem.

A área total do espaço é de cerca de 21 quilômetros quadrados, dos quais 14,5 são áreas de águas e lagos – 65% do total. Além de Curitiba, a área compreende outros quatro municípios da RMC: Pinhais, Araucária, Fazenda Rio Grande e São José dos Pinhais.

“Esse imenso parque, que vai de Piraquara até Porto Amazonas, é um projeto estratégico para que façamos a proteção dos mananciais que restam para a Grande Curitiba. Ocupações irregulares só fazem mal a esses mananciais do Rio Iguaçu, e fazer um corredor de biodiversidade para fornecer água para a Grande Curitiba é uma solução mais barata para resolver esse problema”, ressaltou o prefeito de Curitiba, Rafael Greca.

Foto: José Fernando Ogura/AEN

Os recursos para implementação estão estimados em R$ 120 milhões, e deverão ser viabilizados através da conversão de multas em atraso junto ao Ibama e outros órgãos.

PRIMEIROS PASSOS – No evento, as autoridades também assinaram o Decreto Municipal nº 1.478/2021, que institui um grupo de trabalho para elaboração dos estudos da Reserva Hídrica do Futuro. O grupo será coordenado pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Curitiba.

As ações da proposta vão se concentrar em duas etapas. A primeira fica entre o Rio Barigui e a BR-277, abrangendo os bairros curitibanos da Caximba (Reserva da Vida Silvestre), Campo de Santana, Umbará e Ganchinho. Os trabalhos já se iniciaram com a alteração de zoneamento no trecho e a negociação com os proprietários dos terrenos da região.

A expectativa é que, ainda neste ano, a Sanepar possa iniciar a fase de infraestrutura hídrica, com a intervenção na preparação dos lagos.

Já o segundo trecho vai da BR-277 até o Rio Atuba, passando pelos bairros Alto Boqueirão (Zoológico), Boqueirão (Parque Náutico), Uberaba (Parque da Imigração Japonesa) e Cajuru (Parque Peladeiros e Cajuru).

POTENCIAL TURÍSTICO – O perímetro da Reserva Hídrica do Futuro será delineado por uma nova margem com potencial paisagístico, composta por orla, grama, via parque, ciclovia, lagos, recuperação de mata ciliar, áreas de lazer e esporte, mirantes e deques. O grupo também vai criar um plano urbanístico sustentável para estimular a construção de edificações com frente para os novos lagos.

“Esse programa vai deixar um grande legado, não só pelo tratamento da água como pela conservação de fauna e flora do entorno. Além disso, o projeto prevê ampliar ciclovias e tornar parte do rio navegável, gerando pequenos negócios ao longo do trajeto. O que buscamos é o cuidado com a questão hídrica, e paralelamente, uma forte educação socioambiental. É uma obra de curto, médio e longo prazo que vai garantir às próximas gerações que não passem pelos problemas de estiagem atuais”, detalhou o diretor-presidente da Sanepar, Claudio Stabile.

O secretário estadual de Desenvolvimento Sustentável e Turismo, Marcio Nunes, reforçou que é imediata a necessidade de criar projetos para preservação ambiental. “Não existe outro planeta, um planeta B. Temos que cuidar da sustentabilidade desse mesmo planeta em que vivemos, cuidando do solo, da água, da recuperação e preservação do meio ambiente. O crescimento e desenvolvimento do Paraná passa pelo cuidado com as pessoas e pela preservação do meio ambiente — com tudo acontecendo ao mesmo tempo”, pontuou.

RESERVAS HÍDRICAS – A nova cooperação técnica integra o programa Reservas Hídricas nas Várzeas do Rio Iguaçu, que promove soluções baseadas na natureza para oferecer benefícios vitais no desenvolvimento sustentável dos municípios. Os programas integram Sanepar, Comec, IAT e prefeituras.

O programa recupera mais de 150 quilômetros de rios em mais de 20 mil hectares de intervenção, beneficiando três milhões de pessoas que moram nas regiões preservadas. Já são três mil hectares de jardins de infiltração (wetlands), 1,8 mil hectares de parques, 50 quilômetros de ciclovias e 50 bilhões de litros d’água armazenados.

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Semana de Arte, Cultura e Literatura oferece 38 mil vagas para servidores e comunidade

13ª Semana de Arte, Cultura e Literatura começa dia 22/8.

Professores da rede municipal de ensino terão novas oportunidades de formação profissional este mês. De 22 a 26 de agosto será realizada a 13ª Semana de Arte, Cultura e Literatura, por meio do Projeto Cultura em Movimento da Secretaria Municipal da Educação.

Este ano o evento será híbrido (on-line e presencial), com 278 ações culturais em parceria com a Fundação Cultural de Curitiba (FCC) e demais colaboradores. São mais de 38 mil vagas para os participantes.

“O objetivo é o acesso aos bens culturais de cidade. A programação traz atividades artístico-culturais como rodas de leitura, exposições, visitas mediadas, oficinas, espetáculos teatrais e circenses, palestras, cinema, dança, concertos, entre outros”, explica a secretária municipal da Educação, Maria Sílvia Bacila.

Além dos 17 mil profissionais da Educação ativos e aposentados, podem participar servidores da cultura e a comunidade.

A abertura será dia 22, às 10h, na Universidade Livre do Professor, que fica no Parque dos Tropeiros, na CIC.

Veja o programa de formação da Educação, o Veredas Formativas.

Saiba mais sobre o Cultura em Movimento.

As inscrições serão abertas em breve, no portal Aprendere.

Veja a matéria no site da Prefeitura de Curitiba

Inovação curitibana que ganhou o mundo, ônibus biarticulado completa 30 anos

Inovação curitibana que ganhou o mundo, ônibus biarticulado completa 30 anos

Ônibus que mudou o modo de deslocamento no transporte coletivo em Curitiba e projetou o sistema de canaletas exclusivas BRT (Bus Rapid Transport) para o mundo, o biarticulado completa 30 anos em 2022.

Curitiba foi a primeira cidade do País a adotar o biarticulado no sistema de transporte público. Após três décadas, o ônibus com quatro eixos, duas articulações e capaz de transportar 250 passageiros – mais que o dobro de um veículo convencional – está consolidado no dia a dia da população e virou um dos ícones da cidade.

“O biarticulado é uma inovação que faz parte da história da nossa cidade, que sempre foi referência em transporte coletivo de qualidade e cujo sistema, de canaletas exclusivas, já foi replicado em centenas de cidades no Brasil e no mundo”, diz o prefeito Rafael Greca.

Curitiba continua essa evolução, com a renovação recorde da sua frota nos últimos anos, com 535 novos veículos, 64 deles articulados. “Nos próximos anos teremos o projeto do Inter 2 e do Ligerirão Leste-Oeste, que fará a transição do sistema para a eletromobilidade”, ressalta o prefeito.

Capacidade e agilidade

O presidente da Urbanização de Curitiba (Urbs), Ogeny Pedro Maia Neto, lembra que os biarticulados permitem dar agilidade no transporte em linhas de grande demanda.

Atualmente são 131 biarticulados em circulação na capital, em dez linhas, todas de grande circulação de passageiros: 203 Sta Cândida/C.Raso; 303 Centenário/C. Comprido; 503 Boqueirão; 502 Circular Sul (Horário); 602 Circular Sul (Anti-horário); 350 Fagundes Varela/Pinheirinho; 603 Pinheirinho; 500 Ligeirão Boqueirão; 200 Ligeirão Sta Cândida/Pça do Japão; e 550 Ligeirão Pinheirinho/Carlos Gomes.

Os biarticulados também farão parte do projeto de ampliação do Ligeirão Norte-Sul – 200 Sta.Cândida/Pça do Japão. A linha vai ser estendida até o Pinheirinho e permitirá que o trajeto de ponta a ponta, atualmente percorrido em 66 minutos, possa ser realizado em 55 minutos.

História

Os primeiros biarticulados começaram a circular em canaletas exclusivas do eixo Centro-Boqueirão, na linha 503 Boqueirão, no segundo semestre de 1992. Foram 30 biarticulados, na cor prata, com capacidade para 200 passageiros cada e com 24,5 metros de comprimento e 2,50 metros de largura.

O biarticulado começou a ser desenvolvido, no entanto, no fim da década de 1980, por meio de uma parceria entre a Prefeitura e a montadora sueca Volvo, que tem fábrica na CIC.

O objetivo era criar um modelo com grande capacidade de passageiros, de menor custo que o metrô, rápido e confortável para o passageiro. Junto com o biarticulado, Curitiba virou referência em BRT, e exportou a solução para o mundo.

O sistema BRT foi adotado, segundo dados do BRTData, por mais de 182 cidades em todos os continentes, que juntas transportam 31,6 milhões de passageiros/dia em 5.539 quilômetros de canaletas exclusivas.

Os primeiros veículos biarticulados de Curitiba já vieram equipados com inovações, como sistema de segurança de portas, de anúncio de mensagens operacionais e de paradas, lembra Celso Ferreira Lucio, gestor da área de Especificação e Inspeção de Frota da Urbs. Os veículos eram de chassi Volvo/B58, sendo 12 de carroceria Ciferal Megabus e 18 de carroceria Marcopolo Torino.

Ao longo dos anos, mais biarticulados entraram no sistema, com destaque para o ano de 1995, com a implementação de biarticulado no Eixo Norte/Sul, e 2000, no Eixo Leste/Oeste.

Os veículos foram evoluindo, tanto na carroceria quanto no chassi, esse último especialmente em relação às emissões de poluentes. Na carroceria, os avanços se concentraram na tecnologia de iluminação interna, itinerários eletrônicos e em sistemas eletrônicos agregados. É o caso do sistema anunciador de paradas que, a partir de 2006, passou a ser por posicionamento georeferenciado, fazendo os disparos das mensagens operacionais a partir de coordenadas previamente demarcadas para tal.

Maior do mundo

A partir de 2011, como um novo marco de inovação, Curitiba apresentou ao mundo o biarticulado de carroceria Neobus BRT, que foi lançado com um design futurista, de formato curvo/arredondado em suas extremidades, remetendo-o a um trem bala. O veículo, com três metros a mais de comprimento, totalizando 28 metros, foi considerado o maior biarticulado do mundo na época.

Com o novo ciclo de renovação, os veículos vieram equipados, a partir de 2018, com novas tecnologias de segurança, como a que garante a redução automática da velocidade dos biarticulados nas canaletas quando próximos a locais de grande fluxo, como shoppings, praças e escolas. Os ônibus novos também possuem câmeras internas no salão de passageiros e externa para apoio ao motorista, bem como sistemas de suspensão e frenagem mais eficientes.

Os novos veículos trouxeram itens de acessibilidade adicionais, como dois espaços para cadeirantes e o dobro de bancos preferenciais em relação ao especificado pela norma nacional, para proporcionar melhor atendimento e conforto a toda a população.

Segundo Celso Lucio, novas tecnologias serão incorporadas e Curitiba aposta na busca contínua pela inovação e por soluções de mobilidade urbana. “O objetivo é promover o deslocamento fácil, ambientalmente correto e seguro, proporcionando mais qualidade de vida aos cidadãos”, diz Celso Lucio.

Veja a matéria no site da Prefeitura de Curitiba